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Crítica: Widows (2018)

Widows Crítica de Cinema

A vida é traiçoeira. É injusta, insensata, ingrata. Mas é também rica em oportunidades. E nenhum filme consegue fazer equilibrar esta relação explosiva de injustiças quotidianas e oportunidades do que Widows.

Um grupo de viúvas vê-se forçada a terminar um último golpe planeado pelos seus maridos que perecerem pelas mãos das forças policiais no seu roubo anterior. Uma premissa simples, um elenco fabuloso, ação frenética e drama acutilante. Nada melhor do que Widows para passarem um serão com qualidade, longe daqueles clichés típicos das grandes golpadas de Ocean’s Eleven e sem o humor que insiste em infiltrar-se nas personagens para “quebrar o gelo”.

Widows Crítica de Cinema

Widows é um filme poderoso. Um que, infelizmente, passou ao lado da Academia de Cinema e dos Globos de Ouro. Um que proporciona uma das melhores intrigas do ano passado, utilizando como veículo um elenco de luxo para preservar a sua qualidade. Mas Widows não é apenas triunfante pelo seu elenco, é também uma vertiginosa aventura de Steven McQueen no cinema de ação. Um passo que o cineasta deu com o pé direito, criando sequências intensas com uma câmara polivalente que é firme em transmitir as sensações mais palpitantes na experiência do cinema. A montagem é tão boa que o espectador nunca se apercebe (nem nunca espera) pelos twists que vão surgindo ao longo do filme. A banda sonora de Hans Zimmer entra no ouvido e injeta os momentos com ainda mais adrenalina.

Widows Crítica de Cinema

Steve McQueen, juntamente com Gillian Flynn, elaboram um argumento astuto, que vai gradualmente revelando o seu conjunto de personagem em separado, criando o mosaico perfeito para que todos consigam ter tempo de antena suficiente para nos aliciar a curiosidade. O trio de atrizes é poderoso, liderado por uma Viola Davis (que dispensa qualquer apresentação) magnífica, e que dá garra e firmeza à narrativa. Elizabeth Debicki e Michelle Rodriguez também estão muito competentes e as suas personagens nunca perdem carisma, como é habitual em películas sobrecarregadas de intervenientes. Uma grande surpresa é Cynthia Erivo que após a sua estreia em Bad Times at the El Royale continua a apostar numa carreira diversificada e, em Widows, é o “ás de espadas” que chega tarde mas conquista de imediato.

Widows Crítica de Cinema

Todo o restante elenco (com caras conhecidas do cinema e da televisão) é extremamente versátil e o espectador embrenha-se nesta narrativa com ainda mais atenção dado o talento e trabalho investido. Widows é uma obra que explora com afinco a necessidade de renascer das cinzas, sem cair na tentação de seguir pela via melodramática. Inclusive, rompe com os estereótipos que estão normalmente associados a este género de filmes, estando constantemente a colocar os protagonistas em situações de dúvida, de fragilidade e, ao mesmo tempo, de força e determinação. É impressionante que algo tão puro e tão extraordinariamente filmado tenha passado ao lado de tantos.

Os planos de câmara de McQueen são magistrais e tornam uma história aparentemente banal em algo tão forte e tão artístico que os nossos olhos nunca conseguem sair do ecrã. Um mosaico de personagens quebradas que fazem de tudo para encontrar um pouco de conforto nas suas vidas, tal como qualquer um de nós. Mas, acima de tudo, Widows ganha ainda mais poder pela sua abordagem social que assenta que nem uma luva para projetar o enredo.

Widows Crítica de Cinema

Com uma realização extraordinária e tecnicamente prodigioso, Widows é um filme a não perder e um que deve ser visto e revisto pela sua estrutura, força moral e prestações inesquecíveis.

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Título: Viúvas

Título Original: Widows

Realização: Steve McQueen

Elenco: Viola Davis, Liam Neeson, Elizabeth Debicki, Colin Farrell, Michelle Rodriguez, Carrie Coon, Cynthia Erivo, Robert Duvall, Brian Tyree Henry, Daniel Kaluuya, Jacki WeaverJon Bernthal.

Duração: 139 min.

Trailer | Widows

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