Cinema Críticas

Crítica: Mary and Max (2009)

 

Mary and Max é um filme animado de 2009 realizado por Adam Elliot (Harvie Krumpet) e conta com Toni Collette (Hereditary, The Sixth Sense) como a voz por detrás de Mary, e Philip Seymour Hoffman (Capote, The Master) como a de Max. Esta história passa-se nos anos 70 e relata a relação entre dois amigos por correspondência e como a sua amizade evolve com o passar de 20 anos.

Mary Daisy Dinkle é uma menina australiana de 8 anos, filha de uma mãe alcoólica e de um pai deprimido e distante. Não tem muitos amigos e é gozada pela marca de nascença que tem na sua testa. Um dia, decide escrever uma carta a um desconhecido que vive nos Estados Unidos da América, mais especificamente Nova Iorque, para perguntar de onde é que os bebés americanos vêm. A carta vai então para às mãos de um tal M. Horowitz.

Max Jerry Horowitz é um homem de 44 anos, obeso e com síndrome de Asperger. As pessoas não o compreendem e gozam com os seus tiques e manias que o ajudam a lidar com o mundo que não passa de um lugar confuso e barulhento. A sua única amiga é Ivy, a sua vizinha quase cega que lhe faz companhia e sopa. Quando recebe a carta de Mary, decide responder-lhe iniciando uma amizade que dura cerca de 20 anos, à base de correspondência.

Quando se fala de filmes animados, a ideia pré-concebida que temos é que será um filme dedicado às audiências infantis. No entanto, este não é o caso. Mary and Max, um filme que celebra uma década este ano, lida com assuntos que são mais pertinentes agora do que alguma vez foram, e são esses assuntos doenças e saúde mental. Trata-se de um filme sombrio que mostra a realidade do que é viver com algo como Asperger e maneira como se tem de aprender a viver num mundo onde se é incompreendido, e também como a nossa infância e a maneira como crescemos consegue afetar a nossa autoestima e as consequências que poderá ter na nossa vida a longo prazo. Sendo este um filme de animação stop motion, é visualmente atrativo e capta mais facilmente a nossa atenção, o que funciona a seu favor, visto que o tema pode ser considerado sombrio e tabu.

A cinematografia e animação fazem com que o filme pareça que está a ser atuado com pessoas reais, e não com bonecos. Presta muita atenção ao detalhe, sendo cada imagem interessante e tendo sempre algo para o que olhar. Outro ponto a salientar é a banda sonora, que é surpreendentemente distinguível e complementa os diversos momentos da história na perfeição. O filme é contado maioritariamente à base das cartas que tanto Mary e Max enviam e recebem, deixando sempre uma questão por responder: alguma vez falarão cara a cara?

Mary e Max vivem em dois continentes diferentes mas no mesmo mundo imperfeito. Sentem-se excluídos e diferentes mas encontram conforto na sua amizade. Ao falarem apercebem-se do quão similares são e do quanto se ajudam um ao outro. Aprendem e evoluem com os seus erros e melhoram-se como pessoas, tudo isto com apenas papel e caneta.

Filmes como este conseguem abordar assuntos como doenças mentais de uma maneira criativa e envolvente. É visualmente atrativo e a história é bonita, mas com a dose necessária de tristeza. Mostra-nos as diferentes perspetivas de diferentes pessoas com diferentes doenças mentais e como deveremos lidar com elas e ajudá-las. Mesmo com 10 anos de existência, este filme continua a ser necessário nos dias de hoje sendo também um ponto de referência, tornando-se assim num verdadeiro clássico.

Nome: Mary e Max

Título Original: Mary and Max

Realizado por: Adam Elliot

Elenco: Toni Collette, Philip Seymour Hoffman, Eric Bana

Duração: 92 minutos

Trailer – Mary and Max

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