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The Punisher – 2×04 – Scar Tissue

PODE CONTER SPOILERS!!!

Numa série violenta como The Punisher é difícil de encontrar momentos introspectivos onde o desenvolvimento dos personagens e do enredo não são constantemente interrompidos por ação frenética. Scar Tissue é uma pequena excepção à regra. Todos sabemos que a temática de The Punisher continua inalterada desde a primeira temporada: podemos lutar, podemos fugir, mas nunca podemos escapar ao nosso passado.

Scar Tissue segue os protagonistas Frank Castle e Billy Russo. Ambos procuram redimir o seu passado, mas de formas diferentes. Ao passo que Frank tenta fugir do seu passado durante toda a temporada, Billy procura exatamente o contrário. Com uma mente fragmentada depois do seu encontro com o Justiceiro, Russo sente-se sozinho, assustado e frágil, ao mesmo tempo que tenta mergulhar no seu passado à procura de ajuda. É um episódio de reflexão tanto para o protagonista como para o antagonista da primeira temporada. Frank vê-se obrigado pelo destino a terminar assuntos pendentes com Russo, ao mesmo tempo que tem que lidar com Amy Bendix (o verdadeiro nome de Rachel).

À primeira vista, a construção do enredo em redor de Amy parece forçado e mal construído, mas em Scar Tissue é bom ver os laços entre Frank e a sua sidekick a serem criados. Castle toma um lado mais paternal e preocupado com a jovem quando a mesma se abre completamente sobre o seu passado. Jon Bernthal mostra uma vez mais que consegue levar a cabo um papel mais dramático e sereno como em Roadhouse Blues. Não são precisos gritos e demonstrações físicas para Jon impressionar o espectador com as suas capacidades, e Scar Tissue é um exemplo disso. Giorgia Whigham também se revela cada vez mais uma boa adição à série. A jovem atriz tem uma performance espantosa em Scar Tissue, onde descobrimos parte do seu passado e cada vez mais nos sentimos intrigados sobre a relação que se irá criar entre Castle e Amy.

Frank Castle e Amy Bendix

Jason R. Moore também faz a sua aparição no episódio no momento em que Frank Castle visita o seu amigo Curtis Hoyle. Curtis sempre foi uma voz da razão para Castle, e o protagonista procura receber conselhos sobre a questão de Billy Russo. Jason mantém uma postura calma em cena, e mesmo que não seja uma prestação exigente, o ator faz as suas palavras ressoar na cabeça de Frank e do espectador.

Ao passo que o episódio se desenvolve em redor de Billy Russo, Dinah Madani também rouba o seu tempo de antena. Apesar da agente ser uma peça essencial no enredo que se virá a desenrolar, fica sempre a sensação de que a personagem de Amber Rose Revah não satisfaz as necessidades do público. As motivações das suas ações são clichés e cansadas, e mesmo a atriz não consegue encontrar a essência da própria personagem para dar uma nova vida à mesma. Torna-se bastante cansativo e aborrecido de ver Madani em cena, com as mesma atitudes e ações cegas e infantis todos os episódios.

Dinah Madani

Alguém que já mostrou o ar de sua graça desde o primeiro episódio da nova temporada e ainda não referi é Floriana Lima. A atriz americana interpreta Krista Dumont, a psicóloga que acompanha o desenvolvimento de Billy Russo. Com o enredo de Russo a desenvolver-se cada vez mais, Krista é cada vez mais uma parte essencial da sua história. Do pouco que se viu, Floriana entrega uma performance segura e desafiadora dos pensamentos Russo, tentando ajudar o mesmo a reconstruir-se e, no final, a redimir-se. “Todos merecem uma segunda oportunidade” é uma frase que ouvimos constantemente no mundo de Hollywood. Será verdade? Terá Billy Russo direito a uma segunda oportunidade e a um novo começo como Frank Castle?

É bom ver que The Punisher decide pegar num antagonista carismático como Billy Russo e dar-lhe destaque nesta segunda temporada que tem sido, até agora, aborrecida. E era mesmo isto que a série precisava, um enredo que faça o protagonista debater consigo mesmo as consequências das suas ações. Ao contrário do enredo de John Pilgrim, Billy Russo promete trazer uma guerra psicológica a Frank Castle. São enredos poderosos e significativos, onde o vilão não só desafia o herói fisicamente, mas também o obriga a questionar as suas próprias ações e códigos morais. Assim como o Joker desafia o Batman ou Wilson Fisk desafia o Demolidor, Billy Russo promete desafiar Castle uma vez mais. Não querendo comparar diretamente Billy Russo aos antagonistas anteriormente referidos, é de notar que o enredo do personagem de Ben Barnes está a tomar proporções enormes dentro da segunda temporada, o que acaba por cativar mais o espectador do que o enredo fútil e oco de John Pilgrim.

Billy Russo e Frank Castle

Ben Barnes tem uma prestação divinal ao longo da série, e delicia uma vez mais o espectador com um episódio dramático incrível. Ben prova novamente o seu calibre como ator numa performance excelente de um antagonista quebrado e derrotado. É uma interpretação tão real e precisa que o espectador sente pena e compaixão pelo personagem que cometeu atos tão vis e cruéis na temporada anterior. Billy Russo vê-se obrigado a confrontar os demónios do seu passado e, cada vez mais, vamos descobrindo algo novo sobre o personagem. A prestação de Ben Barnes é tão surreal que o ator deixa o espectador boquiaberto ao confrontar um dos seus maiores medos. O que inicialmente parecia como uma má escolha de maquilhagem para  transformar Billy Russo em Jigsaw, acaba por ser completamente esquecida com a construção tão cuidadosa e detalhada do personagem e pela entrega completa de Ben Barnes ao mesmo. Em The Punisher, Billy Russo não é o Jigsaw asqueroso que tem medo de se ver ao espelho por causa da sua aparência física, mas sim aquele que teme o seu passado e que questiona a sua conduta moral. É um antagonista completamente dissecado aos olhos do espectador que nos faz esquecer a sua aparência pouco fiel às bandas desenhadas e nos prende à cadeira com o seu enredo cativante e pessoal. É assim que se cativa o espectador, e que demonstra que a série ainda não está totalmente perdida. Exactamente como Daredevil recuperou Wilson Fisk para a sua terceira temporada, The Punisher recupera Billy Russo, o verdadeiro némesis de Frank Castle.

Scar Tissue é um episódio ao qual não estamos acostumados em The Punisher, e acaba por ser uma lufada de ar fresco numa série que tem sido dominada por ação e violência. É um episódio introspectivo que desafia tanto o protagonista como o espectador, e que nos leva a refletir sobre redenção e a condição humana.

Podem ler o nosso Frame By Frame anterior de The Punisher aqui.

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Scar Tissue é um episódio que mete em pausa a ação a que estamos acostumados em The Punisher e atira-se de cabeça ao passado de Billy Russo e Amy Bendix. Incrivelmente, a prestação divinal de Jon Bernthal consegue ser superada por uma magnífica e assombrosa performance de Ben Barnes.

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