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Outlander – 4×12 – Providence

CONTÉM SPOILERS DE OUTLANDER!

Amor. Amor é uma bomba-relógio. Uma que, quando explode, deixa os estilhaços espalhados pela alma. Amor é uma conjugação de prazer e de dor. Um sentimento antagónico. Um ato terrorista que está constantemente a importunar a nossa existência. Uma assombração que paira como um nevoeiro cerrado. Um veneno de que não há cura. A plenitude e, ao mesmo tempo, ausência. Amor é um trabalho de escravatura que impingimos a nós próprios e o qual não conseguimos controlar. Amor é tanto racional como irracional. É confuso ao mesmo tempo que é algo dado como certo.

Outlander 4x12

É difícil descrever o amor. É provavelmente a maior “doença” do século XXI. Talvez a maior peste que infestou a humanidade. E, ao mesmo tempo, pode ser a esperança que ainda a salve da perdição. É um sentimento doloroso, mas é também aquele que nos torna humanos. Não há série que retrate melhor estas dicotomias antagónicas que Outlander.

Enquanto Brianna decide enfrentar Stephen Bonnet para lidar com o seu trauma, Roger pretende escapar da aldeia dos Mohawk, após ser agredido violentamente pela tribo. Conhece um Padre, que se apaixonou por uma habitante indígena e cujo destino não lhe é muito favorável. Jamie e Claire continuam na sua jornada, e Fergus e Marsali desenvolvem um plano para libertar Murtagh da prisão.

Outlander 4x12

A um episódio do final, Outlander continua a surpreender pelos motivos mais surpreendentes. Jamie e Claire passam para segundo plano da história, permitindo que Brianna e Roger assumam as rédeas. Um legado importante para a narrativa não estagnar. É nas suas decisões difíceis que nos mantemos investidos na narrativa, preparando o nosso coração para o desenlace que promete ser bastante apelativo. Sophie Skelton e Richard Rankin brilham, mais uma vez, com linhas de história que testam o seu estado psicológico, mesmo estando distanciados um do outro. Se lidar com uma situação traumática e enfrentá-la torna Brianna numa personagem cada vez mais densa e poderosa, já as dúvidas de Roger tornam-se cativantes para o espectador ter uma noção da dor que causa amar alguém incondicionalmente.

Enquanto Brianna encontra esperança para viver uma nova vida sem demónios a assombrar-lhe a mente, já Roger fragiliza-se por acreditar que o amor só lhe trouxe dor e sofrimento. Mesmo que sintamos que a personagem não irá permanecer assim por muito tempo, não deixamos de nutrir uma empatia por ela. É difícil amar. Submetemo-nos aos maiores sacrifícios e, mesmo quando perseguimos o amor, parece que a vida arranja obstáculos para nos privar de o encontrar. Mas ainda há esperança… e Roger apercebe-se que amar também é dor. O latejar das feridas psicológicas pode ser mais doloroso que as físicas… porque as físicas, encontramos uma cura rápida, mas as emocionais ficam lá, cravadas com muita força, como uma carraça se prende ao pelo de um animal.

Outlander 4x12

É impressionante como uma série trabalha os inúmeros significados do amor. Sabemos que os protagonistas têm uma ligação poderosa e que Brianna e Roger estão destinados a ficar um com o outro. Mas sabemos que o sofrimento faz parte disto. Serão todos estes sacrifícios necessários para percebermos a dificuldade de amar? Talvez… não há uma explicação direta. E talvez isso seja a grande força de Outlander. Provar que o amor não é só algo que nos traz felicidade, mas também é tortura. Privamo-nos de tanta coisa em prole de amar, mas não tem necessariamente que ser assim. É precisamente nestas instabilidades que vamos crescendo e aprendendo a lidar com este sentimento. Ele nunca é estável e pode ser, inclusive, volátil. A qualquer momento explode, para o bem, ou para o mal. Mas ele está lá e, por muito que nos cause o pior sofrimento possível, também é capaz de nos trazer a felicidade mais pura. É isto que a série consegue trabalhar com eficácia e é isso que continua a elevar Outlander a um estatuto de referência.

O final da temporada chega já na próxima semana e as emoções estão ao rubro. Outlander continua a apoderar-se de nós e a educar-nos para a vida, mesmo que isso não seja percetível inicialmente. A proeza técnica de Providence ajuda a tornar as imagens vivas na nossa mente, ao passo que os diálogos cravam-se na nossa alma e nos fazem refletir. Se uma série consegue ser tão credível em explorar a matéria que compõe a alma do ser humano, é porque é uma arte a não perder.

Outlander 4x12

Leiam o nosso Frame by Frame anterior de Outlander aqui.

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Outlander continua a surpreender e, a um episódio do fim, prova que o amor não é apenas um mar de rosas. É também um impulsionador da tortura e do sofrimento, mas também significa esperança. Falar com o coração ajuda a que nos sintamos investidos cada vez mais no seu enredo.

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