Cinema Críticas

Crítica: Intouchables (2011)

Intouchables Crítica de Cinema

Regra geral, nunca fui um grande fã dos filmes de língua francesa. Ainda que nos entreguem alguns dramas bastante poderosos ao longo dos anos, esta é uma indústria que nunca me suscitou grande interesse. Felizmente, ainda existem algumas exceções nesta indústria que conseguem trazer obras bastante surpreendentes, mesmo para o meu gosto. Um deles é este Intouchables, uma comédia dramática baseada em factos verídicos. E num mês em que teremos a estreia de The Upside – estrelado por Bryan Cranston Kevin Hart – vale a pena revisitar-mos este neo-clássico do cinema francês.

O filme concentra as suas atenções em Driss (Omar Sy), um jovem francês de ascendência francesa que está a passar por maus lençóis financeiros. A única maneira que encontra para conseguir sobreviver no dia-a-dia, envereda por pequenos trabalhos e com um rendimento social de inserção. E é nesta situação que este participa numa entrevista de trabalho para cuidar de Phillippe (François Cluzet), um homem bastante rico que ficou paralisado do pescoço para baixo devido a um acidente. E contra todas as expectativas, Driss acaba por ficar com o trabalho, dando origem a uma das amizades mais doces da história do cinema francês.

Intouchables Crítica de Cinema

A amizade é um daqueles sentimentos mais puros que podemos encontrar à nossa volta. Nunca olha para fatores como as circunstâncias de nascimento, os recursos financeiros que possam obter ou o nível de educação obtido. A amizade é um daqueles sentimentos que podem unir pessoas dos vários cantos do mundo e não olha a preconceitos pré-estabelecidos pela sociedade de hoje em dia.

É precisamente essa lição que Intouchables pretende ensinar-nos. E o filme cumpre esse objetivo de reavaliarmos o que realmente importa na amizade através da cumplicidade sentida entre Phillippe e Driss. Estes dois homens nada têm em comum um com o outro, o que torna a sua união bastante surpreendente e enternecedora.

Intouchables Crítica de Cinema

Durante o curso do filme, tanto Phillippe como Driss vão aprendendo a conviver um com o outro, e esta convivência acaba por transformar a vida dos dois de maneiras bastante significativas. Graças à influência de Phillippe, Driss vai aprendendo a apreciar os pequenos prazeres que a vida consegue proporcionar (seja a ter uma nova opinião sobre a ópera ou então a dar uma tentativa no negócio da arte contemporânea); através de Driss, Phillippe começa a abandonar a sua carapaça aos poucos e a encontrar um novo significado numa altura em que abandonou todas e quaisquer possibilidades de ser feliz.

Esta é uma evolução natural entre os dois homens, o que traduz o método comovente e realista que os dois atores se entregam aos seus papéis. Cluzet já é bem conhecido dentro do circuito francês, mas tem aqui um dos papéis mais fortes da sua carreira até à data. Por outro lado, Sy era praticamente um desconhecido, e a sua performance no filme – que tem tanto de hilariante como de comovente – acabam por lançar o seu nome para a indústria cinematográfica, seja na sua terra natal como para o outro lado do Atlântico. A estes dois junta-se também um elenco secundário bastante competente na sua missão de construir este mundo.

E mesmo os elementos técnicos do filme não se deixam ficar para a traz. A narrativa comovente conta com algumas surpresas bem surpreendentes, a cinematografia é simplesmente uma beleza de se ver, seja pelos planos centrados dos personagens ou na captura do espaço cénico à sua volta, a banda sonora também apresenta uma grande variedade, alternando entre as melodias de Ludovico Einaudi e algumas músicas muito bem conhecidas do público em geral. E tudo isto sob a orientação dos realizadores Olivier Nakache e Éric Toledano. 

Numa vista geral, Intouchables podia muito bem ser apenas “mais um filme francês”. No entanto, através de um elenco liderado por Cluzet e Sy, ambos no seu melhor, uma narrativa dramática e doce, uma fotografia invejável e uma dupla de realizadores que cumpre a sua tarefa de forma imaculada, temos aqui, definitivamente, um dos melhores filmes franceses em anos recentes. Um neo-clássico agora difícil de superar e um verdadeiro hino à amizade que não olha a cor, dinheiro ou circunstâncias de nascimento.

Podem ler mais críticas aqui.

Nome: Amigos Improváveis
Título Original: Intouchables
Realização: Olivier NakacheÉric Toledano
Elenco: François CluzetOmar SyAnne Le NyAudrey Fleurot
Duração: 
112 minutos

Trailer | Intouchables

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