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Crítica: Lucky Number Slevin (2006)

Lucky Number Slevin Crítica de Cinema

Sorte. O que é a sorte? Essa malandra que nos subjuga à sua vontade. Aquela sacana que explora as nossas fraquezas e nos alimenta falsas esperanças. Sorte… aquele vício que se apodera de nós e nos força a cometer atos inconscientes em busca dela. Ela é manipuladora, orgulhosa e impiedosa.

É neste pressuposto que Lucky Number Slevin assenta, em como a sorte é trapaceira e pode iludir-nos a cada virar de esquina. Slevin é um jovem que se vê embrenhado num esquema acidentalmente. A sua identidade é confundida com um suposto inquilino de um apartamento que deve grandes quantias de dinheiro a dois chefes do crime organizado, The Boss (Morgan Freeman) e The Rabbi (Sir Ben Kingsley). O azar não podia assolar mais a vida de Slevin… infortúnio atrás de infortúnio, o jovem é sugado para um mundo de onde, aparentemente, não tem forma de escapar.

Lucky Number Slevin Crítica de Cinema

Lucky Number Slevin é um daqueles guilty pleasures recheado de clichés e de twists mirabolantes que adornam uma premissa simples e sem muita criatividade. Os diálogos, inclusive, parecem “cuspidos”, mesmo possuindo um elenco de luxo que, por norma, consegue evitar a “plastificação” dos seus papéis. Mas é isto que confere carisma ao filme, analogias frequentes, metáforas irónicas, e comédia ousada, fazem com que Lucky Number Slevin seja um produto invulgar e rico em cultura popular.

Por mais incrível que pareça, é precisamente nas suas convicções, que sentimos que o filme floresce, estando constantemente a testar a paciência do espectador, ao mesmo tempo que o ludibria até atingir o clímax final. Josh Hartnett, ainda com um rosto juvenil, consegue promover uma coolness interessante como protagonista, ao passo que vermos Bruce Willis (como o enigmático Mr. Goodkat) num registo particularmente sinistro e de poucas palavras, auxilia a narrativa em criar o tom necessário para o público sentir que há algo mais a ser contado sobre a história.

Lucky Number Slevin Crítica de Cinema

Morgan Freeman e Sir Ben Kingsley, velhos conhecidos do cinema e grandes vultos das artes performativas, têm aqui material para se poderem divertir, sem que as exigências caiam em tons melodramáticos, conferindo ainda mais carisma a Lucky Number Slevin. Até Lucy Liu (que chega a certo ponto a ser irritante) adota uma postura divertida, mesmo que a sua personagem não se desprenda dos clichés habituais.

Mas é precisamente no seu formato mosaico e na construção da ação que Lucky Number Slevin se torna um filme de referência. Aproveitando os twists dos filmes de Quentin Tarantino, Lucky Number Slevin aproveita-se do antagonismo entre sorte e azar para criar uma narrativa cíclica muito divertida e que irá agradar a todos os que apreciam um bom thriller de ação. Ainda que nem tudo seja perfeito, este é um filme que é praticamente perfeito na componente de entretenimento que faz parte dos cânones do cinema.

Lucky Number Slevin Crítica de Cinema

Apesar dos diálogos serem, por vezes, demasiado rápidos e de tirar proveito de grandes nomes do cinema para estabelecer o seu mote, Lucky Number Slevin é aquele filme de domingo à tarde incrivelmente eficaz e que nos deixa presos ao ecrã do início ao fim.

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Título: Há Dias de Azar…

Título Original: Lucky Number Slevin

Realização: Paul McGuigan

Elenco: Josh Hartnett, Bruce Willis, Morgan Freeman, Sir Ben Kingsley, Lucy Liu, Stanley Tucci.

Duração: 110 min.

Trailer | Lucky Number Slevin

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