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Crítica: Godzilla: The Planet Eater (2018)

Godzilla: The Planet Eater Crítica de Cinema

No ano passado, a Netflix, em conjunto com a Toho Animation, anunciou que ia lançar uma trilogia de filmes animados que iriam explorar a mitologia japonesa de Godzilla. Esta jornada futurista começou com Godzilla: Planet of the Monsters e chegou à sua metade com Godzilla: City on the Edge of BattleAgora, em 2019, esta jornada chegou finalmente ao fim com este Godzilla: The Planet Eater.

Decorrendo logo de imediato após os eventos do filme anterior, Haruo e os seus companheiros continuam a lamber as suas feridas após mais uma derrota perante a força da natureza chamada Godzilla. Ao mesmo tempo, o sacerdote Metphies começa a expandir a sua religião com um único intuito em mente: chamar a única força que poderá derrotar Godzilla. O seu nome: Ghidorah! No entanto, fica a ideia de que este “pedido de ajuda” também poderá trazer graves consequências para os poucos sobreviventes do planeta Terra.

Godzilla: The Planet Eater Crítica de Cinema

Para vos ser francamente honesto, não estou exatamente a par sobre a mitologia em redor de Godzilla, especialmente com os vários oponentes que o lagarto gigante foi enfrentando ao longo dos seus 64 anos de existência cinematográfica. Dito isto, King Ghidorah será francamente o mais reconhecido, mesmo para os não-fãs da versão original do kaiju mais famoso da história do cinema mundial. E portanto, havia um certo hype em redor deste seu maior arqui-inimigo (pelo menos, para quem viu a cena pós-créditos de City on the Edge of Battle).

Pois bem, após algumas dicas espalhadas ao longo dos filmes, eis que Ghidorah finalmente tem aqui a sua estreia animada, mas fica bem patente que este apresenta algumas diferenças mais do que óbvias. Para The Planet Eater, os produtores do filme optaram por uma nova versão da criatura: em vez de observarmos o famoso dragão alado de três cabeças, temos direito a uma versão completamente diferente ao habitual. Isto serve para vermos uma personagem que já é bastante familiar para os fãs mais acérrimos dos filmes de Godzilla, além de catapultar a atenção de quem não está familiarizado com ele (e considerando que o monstro terá a sua estreia norte-americano ainda este ano com Godzilla: The King of Monsters, não seria para menos).

Godzilla: The Planet Eater Crítica de Cinema

Apesar deste novo design interessante, a verdade é que o combate há muito prometido ficou bastante aquém do esperado. Francamente, considerando que Godzilla: The Planet Eater é, na sua génese, um monster movie, esperava um maior nível de carnificina ou de um combate de titãs com humanos minúsculos como meros espectadores. Infelizmente, o que vemos é uma cena em que simplesmente nada acontece e os espectadores simplesmente atiram com tecno-jargão sem qualquer tipo de interesse. E considerando os épicos combates que estes dois protagonizaram no passado, este parece um passo para trás nessa tendência.

Mas se o filme fracassou no combate fácil, compensou na exploração de alguns temas pesados relacionados com a nossa própria humanidade. Gen Urobuchi – que nos trouxe obras da indústria de animés como Psycho-Pass  ou Puella Magi Madoka Magica, só para mencionar alguns – encontra-se a cargo do guião do filme. E como já seria de esperar, existem alguns conceitos pesados ao longo do decorrer do filme mas que com certeza dará bastante para pensar, seja pela questão do que significa realmente ganhar ou vencer, a futilidade de sermos consumidos por um desejo ardente de vingança ou mesmo a lógica por detrás de alguns cultos suicidas.

E vemos alguns desses temas espelhados nas personagens de Haruo e Metphies. No caso do primeiro, começámos esta jornada com um miúdo que só se queria vingar de toda a dor causada por Godzilla. No entanto, os filmes deram a entender que este líder não está assim tão disposto a abrir da sua vida – ou da sua humanidade – para conquistar as suas maiores adversidades. Por outro lado, Metphies sempre foi um enigma quase impossível de decifrar. Será ele um aliado da Humanidade resistente? Ou será que está a preparar alguma coisa por detrás das cenas? The Planet Eater oferece algumas dessas perspetivas mais concretas, já para não falar da sua perspetiva sobre a futilidade de continuar a viver com os traumas e dor ainda bem pesados nas mentes.

The Planet Eater está longe de ser um bom filme de Godzilla (ou mesmo desta trilogia). No entanto, oferece um desfecho quase esperançoso para esta trilogia isolada da continuidade japonesa com um filme que, entre classificações como “bom” ou “mau”, roça naquele meio-termo. Já para não falar de vermos Ghidorah num esplendor único e que traz uma versão fora do habitual que retém os elementos já conhecidos dos fãs.

Podem ler o que achámos de Godzilla: Planet of the Monsters aqui e de Godzilla: The City on the Edge of Battle aqui.

Nome: Godzilla: O Devorador de Planetas
Título Original: Godzilla: The Planet Eater/Gojira: hoshi wo kû mono
Realização: Hiroyuki Seshita
Kôbun Shizuno
Elenco: Mamoru MiyanoTakahiro SakuraiTomokazu SugitaReina UedaAri Ozawa
Duração: 
91 minutos

Trailer | Godzilla: The Planet Eater

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