Cinema Críticas

Crítica: The Wife (2017)

PODE CONTER SPOILERS DE THE WIFE!

Falo-vos com a maior sinceridade quando vos digo que The Wife foi o primeiro filme que vi este ano. Sei que não me fica muito bem confessar algo deste género, pois agora devem estar a pensar ”mas ela escreve críticas e só na madrugada do dia 7 para dia 8 é que viu o primeiro filme de 2019?!” e não vos condeno minimamente por pensarem dessa forma pois vi pessoas nos meus grupos de cinema no Facebook a dizerem coisas do género ”o meu primeiro filme de 2019 foi este, qual foi o vosso?” logo no dia 1. E eu acabei agora mesmo de ver o meu primeiro filme deste ano e portanto passo a falar acerca do mesmo.

Joan e Joe Castleman conheceram-se ainda na faculdade, ela era aluna e ele era seu professor. Joan tinha um talento incrível para a escrita e isso não passou despercebido aos olhos de Joe que, por sua vez, não era um escritor tão talentoso quanto ela. Os dois apaixonam-se e ele continua a tentar escrever algo interessante, mas não consegue e sente-se frustrado quando até Joan lhe diz que a sua obra não a consegue convencer. Então ela oferece-se para corrigir os erros que ele cometeu na escrita do livro e aí começa uma vida repleta de sacrifícios e injustiças para Joan, pois isto acaba por se tornar num hábito e Joe consegue alcançar muito sucesso e reconhecimento graças apenas ao talento da sua mulher, que, sem que ninguém saiba, é a verdadeira autora de todos os livros dele. Joan vai aguentando a amargura ao longo dos anos e vivendo sempre na sombra, tentando conformar-se com a sua situação e o seu casamento de farsa.

O enredo de The Wife é muito cativante, um drama muito bem pensado e construído. É uma história que, no meu ponto de vista, reflecte um pouco como se sentem os escritores-fantasma quando vêem o seu trabalho a ser reconhecido mas é outra pessoa quem recebe os louros (mas claro, apresentado aqui numa escala bem maior e mais grave, dado que estamos a falar de um marido que durante três décadas se aproveita da mulher para conseguir ter reconhecimento a nível profissional). É uma história que nos fala de injustiça, de revolta e que também nos mostra que nem tudo o que parece é: quem se cruzava com Joan e Joe dizia que eles eram um casal extraordinário e quem ouvia Joe a falar da sua mulher facilmente pensava que ele era um marido exemplar e que a valorizava mais do que tudo no mundo, quando na verdade a relação deles era tudo menos um mar de rosas, pois além de se ter aproveitado da sua mulher a nível profissional durante todos aqueles anos sem lhe conceder o devido crédito, Joe traiu-a várias vezes ao longo do tempo. Joan fechava os olhos a estas traições, aparentemente conformada com a sua vida.

Glenn Close foi a escolha perfeita para desempenhar o papel da protagonista. Joan é, como já foi referido, uma esposa que foi aguentando os dissabores da sua vida conjugal ao longo de trinta e tal anos e que, perante o olhar daqueles que não sabem qual é mesmo a sua realidade, parece ser uma mulher realizada e que carrega consigo a serenidade de quem é plenamente feliz com a vida que tem, mas se estivermos atentos aos pequenos pormenores percebemos que atrás daquela aparência calma existe algo reprimido: em certos gestos, certos olhares e certas expressões. Glenn Close tem um olhar muito expressivo e que nos diz mais do que mil palavras diriam, ideal para interpretar uma personagem tão complexa, que esconde tanta coisa atrás da sua postura serena. Merece todos os prémios que o papel lhe valeu até agora.

Embora Close seja o grande destaque de The Wife a nível de representação, Jonathan Pryce não fica muito atrás, interpretando o seu Joe de forma bastante convincente e segura. Annie Starke (filha de Glenn Close na vida real) foi quem retratou a versão mais jovem de Joan e além da parecença física com a sua mãe, a jovem demonstra ter herdado o talento que a sua progenitora tem para representar. No geral, posso afirmar que todos os actores desempenharam os seus respectivos papéis com muita classe e dignidade.

The Wife é um filme que aconselho a todos, mas sobretudo àqueles que gostam de enredos com uma aura de mistério, daqueles que logo no início nos dão a sensação de haver ali algo mais e que ainda não foi dito, que nos fazem querer ver o filme até ao final para descobrirmos do que se trata e no que vai dar. Vejam, garanto que não se vão desiludir. Afinal não há nada melhor do que ver um filme em que tudo funciona tão bem.

Título Original: The Wife 
Título: A Mulher
Realização: Björn Runge
Elenco: Glenn Close, Jonathan Pryce, Christian Slater, Max Irons, Elizabeth McGovern, Alix Wilton Regan, Annie Starke, Harry LloydKarin Franz Körlof
Duração: 100 minutos

Trailer | The Wife

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