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Crítica: Mary Poppins Returns (2018)

Mary Poppins Returns

Mary Poppins Returns, marca o regresso da amada nanny, Mary Poppins. Saída do imaginário da escritora Pamela Lyndon Travers. Numa entrevista a autora afirmou que a personagem M. Poppins foi inventada para entreter as suas irmãs, acredita-se que a ama imaginária tenha sido inspirada na tia-avó.

O primeiro livro de Mary Poppins publicado em 1934, chamou a atenção de Walt Disney, que durante anos contactou a autora de forma a ficar com os direitos da obra. Finalmente conseguindo, no ano 1964, estreava o filme Mary Poppins. Estrelado por uma incrível Julie Andrews, este papel definiu a carreira da atriz. E ainda hoje é difícil para muitos separar a atriz da personagem de tão icónica que é.

 

Pode-se dizer Mary Poppins Returns é metade reboot  metade  sequel. E de maneira muito especial carrega a mesma magia e encantamento do primeiro filme. É quase impossível não fazer comparações, mas sem dúvida ir de mente aberta ver o filme é uma experiência única.

Mary Poppins Returns

O filme passa-se vinte anos depois, os irmãos Banks, Michael (Ben Whishaw) e Jane (Emily Mortimer) encontram-se numa encruzilhada na vida. Prestes a ficar sem casa o recém-viúvo, pai de três filhos, Anabel, John e Georgie (Pixie Davies, Nathanael Saleh, Joel Dawson), Michael, está completamente perdido e desesperado. É quando a ama mágica Mary Poppins entra em cena, para mais uma vez orientar e encaminhar a família Banks.

Emily Blunt foi a escolha perfeita para viver esta nova versão de Mary Poppins, encaixou no papel que nem uma luva. Muito se deve ao mais que reconhecido talento da atriz, ela pegou nesta personagem icónica e deixou-se levar. A graciosidade, delicadeza, suavidade, subtileza e desenvoltura foram atributos que Blunt conseguiu transmitir com a sua Mary Poppins. Num momento sorriamos com aquele seu sorriso traiçoeiro que sabia que algo mágico estaria para vir, como noutro nos emocionava com o adormecer das crianças ao som da sua voz. Blunt imprime ainda a Mary um pequeno toque subtil de sarcasmo.

Como fiel companheiro de aventuras, Poppins tem Jack (Lin-Manuel Miranda) um acendedor de candeeiros de rua, que com uma vida simples ajuda a trazer luz às ruas de Londres. A destreza de Miranda para os musicais é já conhecida e respeitada por muitos. Vencedor de Grammy’s e Tony’s com o musical Hamilton, da Brodway, Miranda foi uma boa escolha para dar vida a Jack. A performance de “A cover is not the book” é só um dos grandiosos momentos do filme, com um espantoso cameo dos estimados pinguins.

E por falar em cameos, é de perder de conta os maravilhosos cameos. Desde uma excêntrica prima de Mary Poppins, interpretada por Meryl Streep, passando por uma querida vendedora de balões, Angela Lansbury, até, a um outro dos grandes momentos do filme, a entrada em cena de Dick Van Dyke com uma surpresa indescritível.

Mary Poppins Returns

A pergunta na mente de muitos, acredito que seja, o porquê da não inclusão da própria Julie Andrews nesta nova vida de Mary Poppins. Uma pergunta que a própria Emily Blunt respondeu em algumas entrevistas. Mesmo conhecendo e até participando “atrás das cortinas” nesta nova adaptação, Andrews achou que este momento era de Emily. Pensando bem, foi uma atitude muito nobre. Deixar que o foco fosse de Emily Blunt e não seu, que aconteceria se tivesse aceitado entrar no filme.

Rob Marshall teve a coragem de fazer de um verdadeiro clássico algo seu. Com muita competência conseguiu que os momentos de música e dança se interligassem de tal forma que nos parece natural. Existe uma grande sensibilidade em Marshall e isso passa quando se vê o filme.

Mary Poppins Returns

A música é dos elementos mais fascinantes destes musicais. Quando bem feitas as canções acompanham-nos, ficam a tocar nas nossas mentes. Desde músicas que nos fazem querer levantar e dar um pezinho de dança, até às baladas que passam uma preciosa mensagem. Destaco aquela que mais me tocou e recomendo “The Place Where Lost Things Go” uma linda balada cantada por Blunt, que começa por nos emocionar e no fim deixa uma incrível sensação de paz.

Quer sejam amantes da primeira versão, ou sejam novos neste mundo, este filme é daqueles que é uma experiência de vida. O importante é deixar-nos levar por umas horas, e lembrar das crianças que ainda existem em nós. Acreditar por uns segundos num mundo de magia e encantamento,  viajarmos ao som de lindas músicas e sonhar que “everything is possible even the impossible“.

Título: O Regresso de Mary Poppins

Título Original: Mary Poppins Returns

Realização: Rob Marshall

Elenco: Emily Blunt, Lin-Manuel Miranda, Ben Whishaw, Emily Mortimer, Julie Walters, Meryl Streep, Dick Van Dyke

Duração: 130 minutos

Trailer | Mary Poppins Returns

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