Cinema Críticas

Crítica: Aquaman (2018)

Aquaman Crítica de Cinema

Atualmente, a DCEU encontra-se em maus lençóis. Num total de 5 filmes lançados, só um conseguiu alcançar um patamar de qualidade que a concorrente de MCU há muito procurava. É neste panorama bastante obscuro que Aquaman tem finalmente a sua estreia nos cinemas. Com um elenco repleto de nomes sonantes e um realizador que já deu provas do seu valor anteriormente, será que o famoso herói dos Sete Mares teve a receção que se esperava?

Nesta sequela de Justice League, Arthur Curry (Jason Momoa) leva uma vida de sonho. Arrasa com piratas, tiras selfies com os seus fãs e ainda partilha umas cervejas com o seu pai, o faroleiro Tom (Temuera Morrison). No entanto, a sua vida sofre uma reviravolta quando Mera (Amber Heard) o convence a encontrar o tridente do primeiro rei da Atlântida, com o intuito de unir os Sete Mares. No entanto, esta jornada revela-se bastante perigosa, especialmente com Orm (Patrick Wilson) cada vez mais sedente de iniciar uma guerra com a raça humana da superfície.

Aquaman Crítica de Cinema

Aquaman é um daqueles heróis que não se devem levar muito a sério. Especialmente considerando que este meio-humano, meio-atlanteano tem a capacidade especial de comunicar com a fauna marítima, o que já lhe valeu o estatuto de “alvo de chacota” durante décadas. Em vez de tentar remediar a situação, Aquaman aproveita-se disso mesmo e constrói um filme que, apesar de pertencer a uma continuidade bastante negra, consegue ser silly o suficiente para não ser levado bastante a sério. O próprio filme não se deixa levar tão a sério, algo claramente inspirado na sua concorrente.

Jason Momoa regressa ao papel de Arthur Curry após ter sido apresentado brevemente em Batman v Superman: Dawn of Justice e de ter co-protagonizado Justice League. O ator foi uma escolha bizarra na altura, conferindo uma veia completamente diferente ao que estávamos habituados nos outros meios. Agora como protagonista do seu próprio filme, Momoa tem aqui a oportunidade de se divertir ainda mais com o personagem, seja pela sua veia mais à base da comédia ou pelas suas cenas de ação (especialmente em contexto terrestre) ou do peso da sua herança. O ator tem vindo a mostrar sinais de evolução em anos recentes e esta entrega individual é um sinal desse crescimento.

Aquaman Crítica de Cinema

Aquaman também mostra um lado diferente da DCEU, e muito se deve à sua escolha cénica. As cenas passadas em solo terrestre são criativas o suficiente para entreter, mas é no momento que exploramos os oceanos que a imaginação de James Wan ganha vida própria. O reino da Atlântica parece que ganha a sua própria vida, e mesmo os reinos adjacentes têm uma oportunidade de revelarem os seus detalhes distintos. Pode-se dizer que, dos filmes lançados até agora, Aquaman consegue ser o mais colorido.

No entanto, o filme também possui as suas claras falhas. Para começar, o enredo. Apesar de mudar alguns contextos e personagens, a história que nos pretende contar parece-nos bastante familiar, com a sua conclusão já delineada muito antes de chegarmos aos créditos. A situação piora quando, no segundo ato, o filme decide que está na hora de mudar de estilo, tornando-se num daqueles filmes de caça ao tesouro.

Wan é mestre no que se toca a artes práticas (e podemos ver isso nos seus métodos de nos pregar sustos nos filmes de The Conjuring), mas isso não implica que este tenha a mesma habilidade no que toca a efeitos visuais. Sim, a vida marítima é bela de se ver, mas as cenas de combate aqui presentes relembra-nos das piores qualidades que tomam conta da DCEU nos últimos tempos.

Aquaman Crítica de Cinema

Jason Momoa pode ser um fan-favorite do filme, mas isso não significa que o restante elenco seja igualmente bem sucedido. A Mera de Amber Heard pode ter começado bem o filme como uma aliada relutante de Arthur, mas depressa regrediu para uma típica donzela caídinha de amores pelo protagonista (também não ajuda quando o guarda-roupa desta consegue ser bastante distrativo para esta poder ser notada). Patrick Wilson teve uma oportunidade de ouro ao mostrar uma motivação sólida para as ações do seu Orm, mas esta depressa desaparecem quando a sua ambição pelo poder levam-lhe a melhor, tornando-se simplesmente num tirano.

Aquaman Crítica de Cinema

Mas a maior desgraça recai na inclusão de Yahya Abdul-Mateen II como Black Manta. Com um filme já sobrepopulado, a inclusão deste icónico vilão pareceu estar a mais. O facto de este ter protagonizado o segundo ato do filme não lhe faz favores. Ou seja, nem é pelo fato ridículo (apesar das parecenças com o material de origem) ou com as suas motivações extremamente básicas, mas sim pelo facto de, no final do dia, este personagem não introduzir algo de relevante para o filme no seu todo.

Aquaman está a léguas de ser o melhor filme da DCEU no seu todo (essa honra continua a pertencer, justamente, a Wonder Woman). No entanto, e considerando todos os restantes filmes lançados antes deste, até que não é mau de todo. Simplesmente, ainda não chegou lá.

Nome: Aquaman
Título Original
Aquaman
RealizadorJames Wan
Elenco
Jason MomoaAmber HeardWillem DafoePatrick WilsonNicole KidmanDolph LundgrenYahya Abdul-Mateen IITemuera Morrison
Duração
: 143 minutos

Trailer | Aquaman

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