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Crítica: Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald (2018)

Existem várias formas de descrever o que sentimos ao assistir a Fantastic Beasts: Crimes of Grindelwald, mas a que pode ser usada com maior facilidade é provavelmente a sensação de voltar a casa. Apesar do sucesso do primeiro filme, nenhuma das caras, nomes ou locais eram familiares. Era um novo lado do mundo de J. K. Rowling, que nos aliviou a saudade, mas não na totalidade. Contudo, o segundo filme da saga leva-nos de volta para Hogwarts e diretamente para os braços de Albus Dumbledore.

É mesmo por aqui que vou começar, porque nada me deixou mais empolgada do que ver o meu diretor favorito, nem que tenha sido com uma nova cara. Quando foi anunciado que Jude Law ia dar vida a um jovem Dumbledore, fiquei ligeiramente apreensiva. Law não é um mau ator, mas não é propriamente o ator que eu teria escolhido para assumir o papel. Só tenho a dizer que, felizmente, eu não sou a diretora de casting. Law conseguiu capturar de forma única a alma do professor usando a prestação de Michael Gambon como base e juntando-lhe o toque de impulsividade próprio da sua juventude. O seu olhar transmitiu o remorso e dor por detrás daquele que se tornou o maior feiticeiro de todos os tempos com uma pitada de energia e humor. Law cativa e surpreende, deixando-nos desejosos de ver mais do seu Dumbledore.

Da mesma forma, Leta Lestrange (Zoë Kravitz) surpreende. Durante o primeiro filme foi tornada numa vilã, a mulher vil que usou Newt e lhe partiu o coração. Contudo, é impossível ficar indiferente à sua personagem. Bastante bem construída e com uma performance bastante agradável de Kravitz, Leta é uma das personagens mais interessantes do mundo de J. K. Rowling.

É também verdadeiramente delicioso ver Eddie Redmayne no papel de Newt Scamander. O vencedor do Óscar da academia pegou na personagem e fê-la sua. Tal como aconteceu com outros atores da saga original, é já impossível imaginar outra pessoa a dar vida a magizoologista. Newt é adorável, apaixonante e com uma coragem e bondade próprias de Hufflepuff. É a sua prestação que nos ajuda a compreender porque no futuro Luna Lovegood se apaixonou pelo seu neto. Se todos os Scamander forem iguais, porque não querer um deles para nós?

Jacob (Dan Fogler) e Tina (Katherine Waterston) passaram para segundo plano. O muggle assumiu novamente a posição de alívio cómico e Tina manteve a sua personalidade forte e postura decidida, mas no meio de tantas storylines foi inevitável a diminuição da participação de ambos. Em contraste, Queenie (Alison Sudol) apresenta uma das melhores evoluções do filme. De ingénua e bondosa a decidida e lutadora, Queenie revela-se uma agradável surpresa pela alteração repentina de personalidade, resultado do seu desejo de se libertar da discriminação presente na sociedade bruxa.

O regresso mais que anunciado de Credence (Ezra Miller) criou um dos enredos mais interessantes da saga. A sua procura pela verdade culmina num dos melhores plot twists desde a revelação sobre o a vida do Snape. Mais uma vez a Rowling deixa-nos de queixo aberto pela forma como a sua mente criativa funciona.

A nível técnico, Fantastic Beasts, como muitos outros filmes do franchise, é um verdadeiro monstro de efeitos especiais. A magia do trabalho feito pela produção é bem visível e deixa-nos em pulgas, com vontade de mais, com vontade de melhor. Sendo os fãs da saga dos mais exigentes, não se podia esperar menos que excelência do trabalho feito por David Yates e a sua equipa.

E, porque nem tudo é um mar de rosas, tenho de mencionar aquela que, para mim, é a pior prestação da saga. Johnny Depp foi uma escolha bastante contestada e, apesar de não pelos mesmo motivos que os meus, não posso deixar de pertencer a essa multidão. O Grindelwald  é neste momento mais uma das personagens que Depp deu vida nos filmes de Tim Burton com uma pitada de Jack Sparrow. Com um figurino exagerado, Depp apresenta-nos um vilão com o qual não conseguimos criar empatia. A verdade é que, depois de tantos anos a ouvir falar de Grindelwald, de como era carismático e convincente, o primeiro grande amor de Dumbledore, é impossível não ficar desiludido com o trabalho que foi feito.

Também Nagini (Claudia Kim), cujo aparecimento se envolveu numa onda de especulações, deixa muito a desejar. Todos sabemos onde e como ela vai acabar, por isso a curiosidade era muita. A promessa de uma história que respondesse às várias perguntas que surgiram foi abafada pela sua presença mínima, quase sempre como assessório de Credence. Esta é mais uma prova que J. K. Rowling tem dificuldade em manter os enredos secundários vivos, preferindo trabalhar na sua ideia principal. Contudo, conhecendo o seu historial, todos sabemos que é muito provável que venha por aí um plot twist de cair o queixo.

Com mais três filmes pela frente, Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald afasta-se ligeiramente do seu antecedente, mantendo a magia que o caracteriza e construído uma história sólida para o futuro. As aventuras de Newt e companhia são um must deste ano. Por isso, não percas tempo e corre para o cinema mais próximo! Acredita, Hogwarts está lá para te receber da melhor maneira.

Título: Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald
Título Original: Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald
Realização: David Yates
Elenco: Johnny DeppEddie RedmayneEzra MillerKatherine WaterstonJude Law

Duração:
 134 minutos

Trailer | Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald

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