Cinema Críticas

Crítica: Outlaw King (2018)

David Mackenzie pode ter trabalhado na indústria cinematográfica desde 1994. No entanto, foi com o western moderno Hell or High Water que o realizador de 52 anos ficou mais conhecido (e também mais elogiado). Dois anos depois, Mackenzie reúne-se com o seu anterior colaborador, Chris Pine, para nos oferecer Outlaw King, disponibilizado pela Netflix na sexta-feira passada!

Baseado em factos verídicos, o filme transporta-nos para a Escócia em pleno século XIX. Aqui, Robert the Bruce (Pine) decide montar uma rebelião para retomar a Escócia das mãos da realeza britânica logo após a morte de uma das maiores figuras da Escócia, William Wallace.

Com um realizador que surpreendeu (e que também mostra os seus dotes como guionista) e um dos Chris’s mais conhecidos da atualidade, não havia hipótese de o filme ser um grande fiasco, certo? Pois aí estariam bastante enganados! Outlaw King pode obedecer a alguns factos históricos, mas nem mesmo o cuidado de manter uma certa veracidade pode salvar um enredo que parece tão familiar. Existem, claro, alguns paralelos a fazer com outro filme que aborda esta temática, Braveheart. O filme, realizado e protagonizado por Mel Gibson, pode ter retratado a violência de uma guerra bastante brutal para os escoceses, mas também beneficiou de um enredo que coloca o fator humano acima de tudo. Isso e o facto de manter um ritmo consistente.

Infelizmente, o mesmo não se aplica a este filme, e o problema pode residir na controvérsia à volta dos 20 minutos cortados na versão final. Por um lado, permite que o filme não ande às voltas durante muito tempo; por outro, a ausência está mais do que patente na edição de imagem, onde as cenas saltam uma para a outra sem qualquer tipo de transição que pareça natural.

Outlaw King Crítica de Cinema

O enredo básico e familiar, acoplado com uma edição de imagem atroz, acaba por prejudicar o maior ingrediente de qualquer filme: as personagens. O ritmo do filme é tão acelerado e dispare que não dá tempo suficiente para desenvolver as mesmas durante as 2 horas de duração! O que, por si só, é impressionante no mau sentido. E, mesmo que acompanhemos os personagens principais durante este tempo todo, nem mesmo elas próprias mostram ser cativantes. Chris Pine pode muito bem ter aqui um dos seus piores papéis, muito pela sua falta de emoções a que estamos habituados (isso e também um sotaque escocês demasiado forçado). Aaron Taylor-Johnson como James Douglas comete esse mesmo erro, interpretando um personagem unidimensional e louco que se tornaria ideal numa sessão de cringe. Podíamos ter tido uma salva-guarda com Elizabeth (Florence Pugh) através do nosso primeiro contacto, para depois denegrir para a típica “donzela em apuros”. E o mesmo se aplica aos antagonistas do filme, que não podiam ser mais unidimensionais ou horríveis de testemunhar.

Mas onde peca nos tópicos do enredo e elenco, é nas componentes técnicas que Outlaw King consegue salvar-se. O facto de Mackenzie ter optado por filmar na totalidade da Escócia traz um nível de realismo; o guarda-roupa também encontra-se belo e consistente com a era retratada; a equipa de maquilhagem também está de parabéns.

Em suma, em termos técnicos, Outlaw King revela-se um filme surpreendente. No entanto, com uma edição de imagem tramada, um enredo familiar e performances desinspiradas, este é um filme de David Mackenzie que acaba por desiludir.

Título: Rei Legítimo
Título Original: Outlaw King
Realização: David Mackenzie
Elenco: 
Chris PineAaron Taylor-JohnsonFlorence PughStephen DillaneBilly Howle
Duração:
 121 minutos

Trailer | Outlaw King

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