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The Walking Dead – 9×06 – Who Are You

The Walking Dead

Bem-vindos ao futuro de The Walking Dead! O primeiro dia do resto da série.

Um futuro organizado, descentralizado, intrigante, misterioso e muito cativante.

Claro que um episódio é pouco para definir que o equilíbrio que The Walking Dead precisava foi encontrado. No entanto, este episódio por si só, passou uma imagem de uma narrativa organizada, coisa que não se via há muito tempo.

Tivemos também uma narrativa descentralizada. Até ao episódio anterior (What Comes After), por muitas voltas que desse e por muita riqueza que houvesse a nível de personagens, The Walking Dead acabava por ser sempre a história de Rick Grimes. Tão focada nessa personagem, que as outras acabaram por ir perdendo o brilho ao longo do tempo, acabando ofuscadas pelo peso de Rick.
Neste episódio, que teve a duração normal, houve tempo para toda a gente ter espaço e brilhar. Houve inclusive tempo para introduzir novas personagens.

Com as novas personagens introduzidas, foi criado ali um clima bastante intrigante. Luke (Dan Fogler) parece ser uma pessoa sensata e grata; De Yumiko (Eleanor Matsuura) ainda não deu para perceber muito, mas neste primeiro episódio mostrou ser uma personagem com um bom sentido de humor, algo que faz falta deste a saída de Abraham; Connie (Lauren Ridloff) é talvez a personagem mais intrigante, por ser a primeira muda a juntar-se a The Walking Dead (sendo um feito fantástico ter chegado até onde chegou, dado que a sua deficiência traz-lhe muitas desvantagens na realidade em que vive); Kelly (Angel Theory) é fundamental por conseguir comunicar com Connie, mas traz consigo uma certa energia que The Walking Dead precisa; Magna (Nadia Hilker) que parece ser a alfa do grupo, mostra ser desafiante e ter muita experiência a nível de batalha. É também protagonizada pela fantástica Nadia Hilker, que já é conhecida no mundo das séries pela sua participação em The 100.

O melhor é que o que tivemos de novidades não se prendeu só com as novas adições ao cast/rooster. Tivemos também romances novos com Rosita e Gabriel, que tem tanto de estranho como de agradável. Um Eugene completamente transformado, tendo perdido a cobardia que o caracterizava, tornando-se em alguém ainda mais imprescindível. Uma Michonne ainda em luto, mas com o coração no sítio certo.

Ainda que breve, o grupo de Saviors que se revoltaram contra Rick e companhia, deixaram a sua marca neste episódio, tendo-se assumido como saqueadores para sobreviver. O mais interessante foi a brevidade da sua aparição após a reforma da série. Normalmente The Walking Dead gosta de dar corda aos vilões, às vezes por tempo demais. Tendo isso em conta, este episódio acabou por ser uma bomba, graças à frieza e sentido de justiça de Carol.

Ainda na linha da narrativa dos Saviors, Laura! No final do frame by frame do episodio 3 (Warning Signs), referi que as coisas para o lado dos Saviors podiam não correr bem, mas que apesar disso Laura (Lindsley Register) tinha potencial para ser usada a longo prazo. Este episódio vem provar que não me enganei, visto que Laura é oficialmente parte do grupo.

Completando a narrativa dos Saviors, não com menos polémica, Negan! Não sei se o que estão a fazer com ele vai resultar, mas é sem dúvida mais agradável e útil do que o Negan encarcerado do passado.

Nota para o mistério em torno da vida que Daryl leva de lone wolf. Acho que o o estilo de vida livre, isolado do resto da comunidade lhe assenta na perfeição e lhe dá força. Foi talvez a parte mais agradável do episódio.

Judith também é um pequeno mistério, porque acabou de “chegar” e está em fase de crescimento. Por muito que haja a tentativa de lhe oferecer uma infância normal, ela vai crescer a um ritmo bem mais alucinante que Carl, chegando à emancipação numa idade inferior à de Carl na primeira vez que este precisou de usar uma arma. Com a decisões certas por parte da produção, acredito que venha a ser algo interessante de se acompanhar.

Tudo isto somado, pode-se dizer que The Walking Dead é uma série nova, refrescante, sem pressão ou compromissos, que pode seguir literalmente qualquer caminho e voltar a ter sucesso, porque com este episódio tivemos o pedaço de história mais cativante em muitos anos.
Hora de esquecer tudo o que está para trás e dar uma nova chance a esta série que se reergueu das cinzas quando todos já a davam por perdida, atingindo assim um marco histórico que poucas séries conseguem ao fim de tantas temporadas, o de se reinventarem.

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