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Making a Murderer – Season Finale – 2ª Temporada

Making a Murderer Season Finale

Quando há vários meses atrás me sugeriram para partilhar a minha opinião sobre a segunda temporada de Making a Murderer, aceitei com todo o gosto o desafio. Para o público menos atento, em dezembro de 2015, poucos poderiam prever o sucesso que este documentário da Netflix viria a alcançar. Uma corrente, que girou em torno das polémicas da série, correu o mundo virtual das redes sociais, e o descontentamento e a frustração de uma audiência fez-se notar numa escala alargada. A verdade é que a (in)justiça americana surgiu mais transparente do que nunca.

Mas se a primeira temporada de Making a Murderer foi um projeto ambicioso e bem conseguido, esta mais recente temporada fica aquém das expetativas. Pouco ou nada foi acrescentado.

O Melhor:

Making a Murderer é um exemplo perfeito de como um documentário consegue quebrar barreiras emocionais e, permiti-nos sentir na pele o mesmo que os seus intérpretes. Se a televisão tem algo de fascinante, é a sua capacidade a transportar-nos a conhecer novas vidas e perspetivas. Mas quando a experiência se amplia e nos permite fazer parte dessas mesmas vidas é quando a televisão realmente triunfa.

É impossível ficar indiferente a certas passagens nas entrevistas de Brendan Dassey, não sentir a mágoa dos pais do condenado, Steven Avery, ou não sentir a esperança de toda uma família em torno dos seus exilados.

Se houve algo que se manteve imutável durante as duas temporadas, é a sua condição enquanto exercício do estudo da natureza humana.

O Pior:

O mediatismo acabou por ser uma faca de dois gumes para Making a Murderer. Se na primeira temporada, o caso de Avery se tratava de uma história regional, no momento de estreia da segunda temporada já o caso se tornara numa história internacional. Antes da mais recente temporada sair era frequente saírem notícias relativamente ao caso de Steven Avery e do seu sobrinho Brendan Dassey nas redes sociais, revelando desde início o outcome desanimador de todo este caso. Isto por si só não é uma falha. O problema é a falta de resolução por parte dos realizadores em trazerem algo de sólido e factual como a primeira temporada.

A mais recente temporada segue de perto o processo de apelo pós-condenação de Avery e do seu sobrinho enquanto ambos tentam se provar inocentes, ou melhor, vítimas do sistema de justiça americano. Mas não há nenhuma nova variável, que possa ser verdadeiramente relevante em tribunal, pronta a ser revelada, levando o documentário a tornar-se denso e aborrecido.

De facto, acontece precisamente o contrário. E depois uma primeira temporada que tentava desmantelar todo um sistema de injustiça chega-nos uma visão unilateral que parece ter um só propósito, o de libertar Steven Avery. O facto dos realizadores fazerem do seu documentário um acompanhamento do caso na perspetiva, quase que exclusiva, da nova advogada de defesa, Kathleen Zellner, injuriou um entendimento balanceado em relação às novas evidências, tornando até caricato algumas hipóteses sugeridas pela defesa.

Se a primeira temporada foi um sucesso além fronteiras, a segunda temporada de Making a Murderer levanta algumas dúvidas. Uma abordagem menos equilibrada a todo o caso e a falta de originalidade rebaixam um documentário inicialmente bem estruturado. Este é um exemplo de como às vezes mais vale não mexer mais no que está bem.

Estado da série: STAND-BY
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Se a primeira temporada foi um sucesso além fronteiras, a segunda temporada de Making a Murderer levanta algumas dúvidas. Uma abordagem menos equilibrada a todo o caso e a falta de originalidade rebaixam um documentário inicialmente bem estruturado.

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