Frame by Frame Mayans M.C.

Mayans M.C. – 1×10 – Cuervo/Tz’ikb’uul

Mayans M.C. – 1×10 – Angel e EZ

Mayans M.C. deu por encerrada a sua primeira temporada na passada quarta-feira. Com a decadência de qualidade episódio após episódio ao longo da série, Mayans M.C. necessitava de acertar em cheio em Cuervo/Tz’ikb’uul para terminar a temporada. E que notável episódio que foi! Finalmente Sutter conseguiu encontrar a essência da série e apresentou-nos um episódio que poderá ser o melhor desta primeira temporada.

O realizador Elgin James (estreante na série) esquece os enredos vazios e as traições maliciosas, dando fruto a um episódio guiado pelo coração e pela essência dos protagonistas. Assim como Gato/Mis, o último episódio da temporada aposta nos arcos pessoais dos personagens. É um episódio especial, conduzido pelo impulso de proteger aqueles que nos são mais queridos. Embora tenham as suas richas, os irmãos Reyes têm que trabalhar juntos para se protegerem das ameaças externas. Cuervo/Tz’ikb’uul deixa de parte todas as excentricidades encontradas em Rata/Cho e todos os enredos intrigantes de Serpiente/Chikchan, e encontra o seu próprio rumo bem estruturado, simples e emocional.

Finalmente conseguimos ver um lado mais profundo e pessoal de Angel, atormentado pelo sucesso do seu irmão e pela aceitação da sua situação presente. Clayton Cardenas, por fim, tem o tempo de antena necessário para transmitir uma performance dramática e sentida. É sem dúvida a melhor prestação do ator até à data, que já se tinha revelado no episódio anterior, Serpiente/Chikchan. O ator demonstra o seu potencial, dando um novo relevo ao enredo dos irmãos Reyes e ao próprio M.C., deixando o espectador ansioso por mais do seu personagem.

Mayans M.C. – 1×10 – Angel
Angel Reyes

Mas não é só Cardenas que se apresenta de forma louvável em Cuervo/Tz’ikb’uul. JD Pardo tem igualmente impacto no episódio. O protagonista da série tem revelado problemas com o seu passado, e a sua evolução ao longo da série, apesar de que muito ténue, é apreciada no season finale. Cada vez mais a essência de EZ se aproxima à de Jax Teller, e no entanto são notáveis as diferenças entre os dois. Ambos partilham moralidades e ideais semelhantes, mas ao passo que Jax resolve os seus conflitos de forma impulsiva e violenta, EZ toma o seu tempo e pondera qual a sua melhor jogada. É claro que a diferença entre ambos como personagens é assombrosa, mas começamos a ver um crescimento de EZ ao longo da série.

Quem também deixa a sua marca em todos os episódios é Edward James Olmos. O veterano já demonstrou vezes sem conta o seu poder performativo e a sua graça dramática, e volta a fazê-lo de forma sensacional em Cuervo/Tz’ikb’uul. Felipe Reyes vai revelando partes do seu passado e do seu ser ao longo da série, culminando numa cena emocionalmente impactante e incrivelmente executada por parte do ator.

Mayans M.C. – 1×10 –Felipe e Jimenez
Felipe e Jimenez

Toda a equipa de produção está de parabéns pelo final da temporada. Após alguns episódios que foram baixando a sua qualidade, com enredos desnecessários e fatídicos, Mayans M.C. redime-se com um episódio executado lindamente. A banda sonora do episódio é incrível, fazendo-se sentir nos momentos ideais, com músicas encantadoras e cuidadosas, escolhidas a dedo para as cenas em que tocam.

Kurt SutterElgin James e toda a equipa responsável por Mayans M.C. elevaram o seu jogo e conseguiram realizar um episódio dramático quase perfeito. O culminar de uma temporada que se foca inadequadamente no cartel de Galindo não poderia ser mais aprazível do que ver uma história pessoal e delicada, que se foca inteiramente nos protagonistas e nos seus demónios. É de louvar todas as prestações do episódio e a sua produção e execução.

Podem ler o Frame By Frame anterior de Mayans M.C. aqui!

0 90 100 1

90%
Average Rating

Mayans M.C. encerra a sua primeira temporada de forma admirável e emocional. A produção do episódio é sublime e conta com prestações fantásticas, onde finalmente a série conseguiu encontrar a sua essência.

  • 90%

Comments