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Crítica: They’ll Love Me When I’m Dead (2018)

Na semana passada, o filme The Other Side of the Wind – conhecido por ser um dos filmes mais esperados de Orson Welles antes da sua morte – teve a sua estreia na passada sexta-feira pelas mãos da Netflix. E até agora, a comunidade não tem poupado nos elogios ao filme. No entanto, a sua produção foi, no mínimo, problemática. E é por isso que também temos este documentário, They’ll Love Me When I’m Dead.

Realizado por Morgan Neville – que nos trouxe o documentário 20 Feet from Stardom e que veremos novamente com Won’t You Be My Neighbor? – , apresentado por Alan Cumming,e que conta com testemunhos de todos os envolvidos (vivos, falecidos e descendentes), They’ll Love Me When I’m Dead não é apenas uma reconstrução da produção tumultuosa de The Other Side of the Wind, como é também uma espreitadela à mente de Orson Welles.

They'll Love Me When I'm Dead Crítica de Cinema

Confesso-vos que fazer críticas sobre documentários não é algo a que estamos acostumados a fazer. Muito porque fazemos mais a série documentais relacionadas com a vida natural do que propriamente sobre a história de vida de uma celebridade (se bem que também já tínhamos feito algo do género com o documentário I Am Heath Ledger, cuja crítica podem encontrar aqui). No entanto, They’ll Love Me When I’m Dead está a léguas de ser um documentário sobre a vida natural, muito menos uma biografia de um ícone do cinema. Este documentário explora os vários eventos e problemas que ocorreram durante as filmagens do filme, e da longa batalha que Welles travou para poder obter novamente o controlo do filme.

They'll Love Me When I'm Dead Crítica de Cinema

The Other Side of the Wind foi um filme complicado de executar e isso não é exatamente um segredo (não é à toa que este filme esteve parado durante tantos anos, à espera que alguém desse o passo em frente para concluir a sua edição). Uma coisa é lermos esses relatos nos tablóides da especialidade; outra coisa é ouvirmos essas mesmas histórias através de quem as viveu. E They’ll Love Me When I’m Dead vai mais além na sua missão, entrevistando os vários intervenientes do filme, tais como o ator/realizador Peter Bogdanovich, o produtor Frank Marshall ou a atriz/guionista Oja Kodar, com cada um deles a mostrar o seu parecer não só do filme, mas também das suas respetivas relações com Orson Welles. E cada um deles pinta um retrato de um homem que estava “à frente” do seu tempo. Um homem que conseguia extenuar os seus colaboradores. Um homem que não tinha receio de pedir financiamento sem qualquer tipo de vergonha. Um homem que fez tudo por tudo para tornar a sua visão numa realidade. Um homem que sempre viveu na sombra da sua própria obra-prima. Um homem renegado pela máquina cinematográfica e que estava disposto a tudo para regressar às boas graças.

É curioso como a arte de The Other Side of the Wind toma algumas bases na vida pessoal de Orson Welles. Consolidando as informações obtidas nas duas longas metragens, é impossível não notar certas similaridades entre as duas obras da Netflix. E isso só nos faz levantar ainda mais questões, especialmente no que toca aos paralelismos da conceção do filme e também do filme dentro do filme. É uma frase um bocado confusa, decerto, mas é o melhor que podemos descrever sobre a mente de Orson Welles, e este documentário permite-nos essa espreitadela, com cenas inéditas sobre o icónico ator/realizador.

Em suma, They’ll Love Me When I’m Dead não é apenas um documentário sobre os vários problemas que The Other Side of the Wind passou; mas também é um retrato dos últimos anos de um homem complicado de amar. Aliás, ele próprio disse que as pessoas amá-lo-iam assim que morresse. Daí o título deste documentário. Um complemento perfeito para quem é fã do realizador e que ficou deliciado com a sua última longa-metragem.

Podem ler a nossa crítica a The Other Side of the Wind aqui.

Título: Amar-me-ão Quando Eu Morrer
Título Original: They’ll Love Me When I’m Dead
Realizador: Morgan Neville
Elenco: Alan Cumming, Peter BogdanovichOja KodarRich LittleOrson WellesFrank MarshallCybill Shepherd
Duração: 98 minutos

Trailer | They’ll Love Me When I’m Dead

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