Cinema Críticas

Crítica: Roman Holiday (1953)

SPOILER ALERT!

Há filmes que, por mais que o tempo passe, não perdem nem um pouco do seu charme. Datados? Talvez, mas isso não chega para lhes retirar o encanto. Há histórias que são tão comoventes que conseguem emocionar-nos mesmo ao fim de 60 e tal anos. É o caso de Roman Holiday.

Ann (Audrey Hepburn) é uma princesa que só deseja poder ter um dia só para si, para fazer as coisas que sempre quis fazer, longe de horários rígidos e deveres reais. Numa visita a Roma, foge da sua embaixada e encontra Joe Bradley (Gregory Peck), um jornalista que vê nela uma oportunidade de ouro para escrever uma história digna de primeira página de jornal. Portanto, decide esconder a sua profissão e levar Ann a passear pela cidade e a fazer as tais coisas que sempre quis fazer, mas o que começa por ser um interesse meramente profissional rapidamente se transforma em carinho e paixão.

Hepburn era praticamente desconhecida na altura (este foi o seu primeiro grande papel), enquanto que Peck já contava com um grande leque de filmes e 4 nomeações ao Óscar, portanto a ideia inicial era que fosse só o nome dele a aparecer por cima do nome do filme no cartaz oficial. Entretanto, a meio das filmagens, Peck ligou para o seu agente a dizer que o nome da actriz devia aparecer ao pé do seu. O agente disse-lhe que ele não podia fazer isso, ao que Gregory Peck respondeu ”Posso e vou. E se não o fizer vou fazer figura de parvo, porque esta rapariga vai ganhar o Óscar na sua primeira performance”. E não se enganou, pois Audrey Hepburn ganhou mesmo esse Óscar, e mereceu-o sem a menor dúvida. O papel de Princesa Ann assenta-lhe tão bem que ela quase desaparece nele. Já vi Hepburn fazer outros papéis, mas nunca nenhum que ela tenha desempenhado tão bem quanto este, que tenha parecido tão natural, tão seu. A actriz nasceu para fazer o papel daquela princesa.

E há filmes que não só marcam o cinema, como influenciam o espectador de variadíssimas formas. Foi o caso de Roman Holiday, que conseguiu, por exemplo, que as vendas da Vespa aumentassem bastante. E claro, a cena do corte de cabelo, que continua a ser uma das mais icónicas de sempre na história dos filmes. Aquele penteado tornou-se na imagem de marca de Audrey Hepburn e levou a que imensas mulheres copiassem aquele corte de cabelo.

Gregory Peck não ficou nada atrás de Hepburn. Na verdade, foi ele o principal responsável pela reacção genuína da actriz na cena em que eles estão a visitar a Boca da Verdade: o guião dizia para Peck fingir por alguns momentos que a sua mão estava mesmo a ser mordida, mas o actor decidiu ir um pouco mais longe que isso, escondendo a mão dentro da manga do seu casaco mesmo antes de a tirar da Boca da Verdade, Audrey Hepburn, que não sabia que Gregory Peck ia fazer isto, ficou absolutamente horrorizada ao não conseguir ver a mão do actor. Esta cena foi filmada num só take e foi aí que se viu mesmo bem o quanto os dois actores se davam bem nas gravações de Roman Holiday.

Mas a história e as actuações não são os únicos pontos de destaque do filme. Roman Holiday foi filmado inteiramente em Roma. Algumas das cenas foram filmadas no estúdio Cinecittà, mas grande parte do filme foi filmada mesmo nas ruas da cidade, nos seus monumentos e lugares mais emblemáticos. O filme, mesmo sendo a preto e branco, consegue retratar muito bem a beleza de Roma, que, com o seu ambiente romântico, acabou por se tornar no cenário perfeito para contar esta história.

Mas, tal como qualquer filme, Roman Holiday tem os seus defeitos, como é o caso de alguns cortes mal conseguidos e o facto de, na cena final, conseguirmos claramente ouvir alguém a dizer a Hepburn qual a frase que ela tinha de dizer a seguir. São as pequenas falhas que tenho a apontar ao filme, mas apesar disso continua a ser o meu filme preferido de todos os tempos.

Roman Holiday é absolutamente encantador, como um verdadeiro conto de fadas moderno com um final diferente daquilo a que estamos habituados. Como tão bem sabemos, a diferença não tem de ser algo mau, neste caso é precisamente o contrário: há filmes que precisam de um final não-feliz, o seu charme ficaria cortado pelo meio caso optassem pelo mainstream e fico feliz por Roman Holiday ter acabado assim.
– ”Não sei como dizer adeus. Não consigo encontrar as palavras”
– ”Não tentes…”

Título Original: Roman Holiday

Título: Férias em Roma

Realização: William Wyler

Elenco: Gregory Peck, Audrey Hepburn, Eddie Albert, Hartley Power, Harcourt Williams, Margaret Rawlings, Paolo Carlini

Duração: 118 minutos

Trailer | Roman Holiday

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