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It’s Always Sunny In Philadelphia – Season Finale – 13ª Temporada

It's Always Sunny In Philadelphia season finale

Contém spoilers de It’s Always Sunny In Philadelphia!

 

It’s Always Sunny In Philadelphia tem sido, desde sempre, descrito como “Seinfeld on crack“. É considerada uma das melhores séries televisivas já feitas, e desde o primeiro episódio da primeira temporada que a série conquista fãs com comédia negra on point, sem medo nem pudor, “brincando” com temas que poucas séries se atrevem a fazer, pisando linhas que às vezes parecem demasiado loucas para ser transmitidas. Um verdadeiro tesouro da televisão recente.

Dennis (Glenn Howerton), Mac (Rob McElhenney), Charlie (Charlie Day), Dee (Kaitlin Olson) e Frank (Danny DeVito) são proprietários de um bar em Filadélfia. Mais do que isso, são psicopatas, narcisistas, pessoas horríveis, que se metem em situações inacreditáveis  e hilariantes enquanto vivem o seu dia-a-dia.

A 13ª temporada chegou-nos diferente do que estamos habituados. Irá a mudança afastar ou atrair os fãs desta série que já está no ar há 13 anos?

O Melhor

Se há constante em It’s Always Sunny In Philadelphia, é o humor. Por menos originais que os episódios possam ser, ou por mais falhas que existam, as personagens são sempre hilariantes e a forma como evoluíram ao mesmo tempo que continuam exactamente iguais é de louvar.

A breve contribuição de Mindy Kaling é um ponto forte, principalmente pela forma como é rejeitada logo no 1º episódio, à moda de It’s Always Sunny In Philadelphia. Não achei forçado e enquadrou-se bem na maneira de ser do gang; é uma boa surpresa.

Novamente, o que torna esta série tão boa é a capacidade de reacção a assuntos actuais que não são fáceis de abordar. It’s Always Sunny In Philadelphia continua a pisar o risco, e que bom é ver que não há nem nunca houve medo de falar sobre controvérsias.

Sublinho as obras de arte cómicas que são The Gang Gets New Wheels (ai, como o Dennis faz falta) e Time’s Up for the Gang. Trouxe aquela nostalgia de episódios de It’s Always Sunny In Philadelphia sem serem cansativos.

It's Always Sunny In Philadelphia season finale

Passo então a referir o último e talvez o mais importante ponto d’ O Melhor desta temporada.  “I don’t know where I fit in as a gay man and it’s starting to get to me. I’m not feeling very proud.”, diz Mac. Neste episódio, Mac encontra o seu orgulho. Mac encontra-se. Não estava à espera da curveball que foi o último episódio da temporada 13. O episódio começou bem, tornou-se um pouco “não familiar” – havia algo ali de diferente, um ambiente que não parecia de It’s Always Sunny In Philadelphia – e, por fim, eu entendi. O Frank entendeu. Todos nós, que quisemos entender, entendemos. Mac não queria ser um estereótipo, quer a aprovação de todos ao seu redor, Mac lutou contra si mesmo durante muito tempo. Muitos risos foram dados à custa da homossexualidade de Mac (atenção, risos no bom sentido, no sentido inteligente que já esperamos da série), e por isso mesmo eu esperava uma grande gargalhada para terminar assim a temporada.

A dança de Mac para o seu pai, como fui levada a acreditar, seria ridícula e seria o que pensamos que a série é – um momento de humor negro. Não estava à espera de um dos melhores desenvolvimentos a nível de personagem, tão pouco estava à espera de me emocionar tanto. Ao som de Sigur Ros, e com a contribuição de Kylie Shea, Rob McElhenney dá uma performance rara, nua e crua, e Mac encontra o seu orgulho. Danny DeVito deu também uma das suas melhores prestações em toda a série (que actor fenomenal, a propósito). It’s Always Sunny In Philadelphia arrisca e prova, mais uma vez, que nada teme e que continuará a evoluir como tem feito desde The Gang Gets Racist. Que maneira tão bela de embrulhar esta temporada.

O Pior

It’s Always Sunny In Philadelphia é conhecida pela sua originalidade e pelo seu extraordinário sentido de humor, mas ainda mais importante do que isso, é conhecida pelas personagens e o seu desenvolvimento. É de esperar que o público não reaja assim tão bem quando uma das personagens mais adoradas, Dennis, está tão evidentemente ausente; a dinâmica muda e, por mais brilhante que a série continue a ser, deixa um sabor amargo, está em falta uma peça importante do que já se tornou o cenário de It’s Always Sunny In Philadelphia. Tal como Dennis, sentimos falta de personagens secundárias recorrentes, como os McPoyle (Jimmi Simpson e Nate Mooney), o tio Jack e as suas mãos minúsculas (Andrew Friedman), ou as mães (Lynne Marie Stewart e Sandy Martin) de Charlie e Mac (felizmente matamos as saudades todas de Cricket (David Hornsby) )

Todos nós consideramos certos episódios como clássicos, e todos nós gostamos de os rever de vez em quando. No entanto, quando a falta de imaginação se torna óbvia e se começam a fazer episódios de flashbacks ou episódios que não deixam qualquer “marca” em nós, é aí que se torna cansativo. É perfeitamente admissível que uma série que “nasceu” há 13 anos, que já nos proporcionou com conteúdo completamente novo vezes e vezes sem conta, tenha por vezes falta de ideias. Embora estes episódios não sejam os ideias, estão idealmente feitos à maneira que só It’s Always Sunny In Philadelphia consegue fazer.

It's Always Sunny In Philadelphia season finale

É também evidente o rumo que It’s Always Sunny In Philadelphia tomou nesta nova temporada (um rumo que não é diferente, mas sim adaptado ao actual), explorando os temas mais sensíveis da sociedade – feminismo, religião e homossexualidade, assédio e abuso (o famoso slogan Time’s Up). Não se deixem enganar – não é isto que está na categoria “O Pior”. Muito pelo contrário, é inovador e corajoso a forma como o elenco se encarrega de iluminar estes temas (e tantos outros em temporadas anteriores) que tão difíceis e desconfortáveis são de falar. O que me envergonha é ver a reacção de “fãs” que parecem só aceitar It’s Always Sunny In Philadelphia num formato de humor ridículo, que pensam que a série existe para “gozar” com temas destes. “O Pior” (e o irónico) é o público intolerante assistir a uma série cujo ponto principal é um grupo de pessoas intolerantes. Humor vápido não está em falta, mas It’s Always Sunny In Philadelphia é muito mais do que isso. Este parágrafo refere-se, claro, ao último episódio da temporada, Mac Finds His Pride, que irei referir n “O Melhor”.

Estado da série: RENOVADA

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