Frame by Frame The Walking Dead TV

The Walking Dead – 9×05 – What Comes After

The Walking Dead

The Obliged abriu uma porta nunca antes aberta em The Walking Dead. Refiro-me à porta de saída para a sua maior estrela, Andrew Lincoln no papel do famoso e carismático Rick Grimes.

Antes da avançarem da leitura quero ressalvar que este frame by frame vai certamente conter spoilers, como é evidente e que a análise feita suporta-se muito na máxima de glass half full/half empty.

Este episódio, tal como havia sido anunciado, ia ser o último de Rick Grimes, restava saber que desfecho lhe iam dar. Parte dos fãs esperavam que ele morresse neste episódio e abandonasse assim a série, outra parte esperava que ele sobrevivesse e continuasse até ao fim da temporada e só depois abandonasse a série. O melhor? É que não aconteceu nenhuma das duas, impedindo The Walking Dead de cair em clichês e deixando uma grande parte dos fãs em fúria, por não terem as coisas como desejavam.

Olhando para o episódio em si, todo o build up em torno da despedida de Rick, foi fantástico. Composto pela sua última jornada acompanhada de visões em simultâneo.

A primeira visão leva-nos ao início de tudo, quando Rick acorda na cama do hospital, completamente desconectado do quanto as coisas mudaram em seu redor, uma visão de reconhecimento – com um paralelismo muito perspicaz com o desfecho da personagem, neste episódio.

A segunda visão transporta-nos novamente ao início, num fase mais avançada, quando Rick procura pela sua família no meio de tanta destruição, dando de caras com Shane. Essa interação relembra-nos do porquê de Rick ter acordado numa cama de hospital – “Oh, there’s a third man“; “(…) That third man changed everything, didn’t he?”
É uma visão que assenta sobre a família de Rick, em como este a ama e a quer proteger. Mas também em como o “3º homem” tornou tudo mais complicado, dando espaço e tempo para criar um envolvimento entre a sua familia e Shane (o seu melhor amigo). Foi este envolvimento que resultou no primeiro dissabor e perda de Rick, contribuindo para moldar o seu lado mais negro.

A terceira visão leva-nos juntamente com Rick até Hershel, a pessoa que o mais moldou positivamente e melhor desempenhou um papel a nível paternal. Nesta visão Rick debate-se com a sua insegurança se conseguiu viver de acordo com as expectativas, as de manter a salvo todas as pessoas que confiaram nele enquanto líder.

A quarta visão transporta-nos até ao purgatório de Rick, numa planície infinita coberta de cadáveres com toda a gente que já passou pela vida de Rick, onde ele é confrontado por Sasha, que o assegura o seu dever foi cumprido. Para quem não se lembra, Sasha desempenhou um papel muito importante, ao sacrificar-se (de forma consciente) para um bem maior.

What’s your wound?” – Repete-se a cada visão pelas vozes de Morgan, Lori, Beth e Abraham. As respostas são: Confusão, Perda, Insegurança e Sacrifício. Mas também são Liderança, Amor, Sobriedade e Bravura. Sempre que Rick bateu no fundo e passou por situações que roubaram um pedaço dele, ergueu-se sempre mais forte, com novos valores que o moldaram como a personagem extraordinária que é.

Antes do derradeiro desfecho, já perto da ponte que construiu com a ajuda de todos, Rick tem uma última visão, a de ser salvo pelo seu povo (ironicamente a visão que parte dos fãs de TWD gostaria que fosse a realidade). Por detrás disso ganha força a mensagem de Sasha na sua 4ª visão, de que todos tiveram e têm de dar algo de si para se salvarem uns aos outros e que a união foi o que os trouxe até ao presente, juntos.

Quando somadas, todas estas visões, percebemos que traços de Rick o ajudaram a construir pontes com centenas de pessoas de inúmeras comunidades ao longo de toda a sua jornada. No entanto a ponte derradeira foi a última, uma ponte física. Esta ponte é dotada de um simbolismo imenso, porque foi a mais difícil de construir e a que dividiu mais pessoas (a corrente do rio simboliza todos os contratempos que houve durante a sua construção, que levaram muitos a duvidar se ia aguentar sem ceder).
A ironia do destino foi o facto de no fim, ter sido obrigado a destruí-la para salvar todos os que ama, a dar tudo o que sobrava de si.

I found them.” – Rick Grimes, sobre a sua família.

Noutra linha de narrativa do episódio, temos o tão esperado encontro entre Maggie e Negan. Nem a resistência de Michonne se sobrepôs à vontade de Maggie.
O melhor? É que Maggie decidiu o destino de Negan e esse destino é muito idêntico ao que foi dado a Rick, isto é: O limbo entre morto e vivo.
Resta saber se o Negan apresentado neste episódio foi o verdadeiro Negan sem camadas ou se foi o Negan manipulador e traiçoeiro a que fomos habituados nas últimas temporadas – que é o mais provável, pois Negan só cedeu no momento em que Maggie ia fazer o que tinha em mente.
Qualquer uma das hipóteses pode vir a ser um setback para a narrativa, porque em cativeiro, Negan já não tem nada a acrescentar à série.

Para terminar em beleza, e com este final fantástico, que podia muito bem ser o series finale, há muita coisa que é preciso analisar sobre esta série como um todo, bem como tudo o que ela envolve.

The Walking Dead já vai na 9ª temporada(!). Isto faz com que traga consigo muita bagagem e pouco após Negan ter sido introduzido, houve uma péssima gestão de conteúdo e acontecimentos, levando a série a enrolar-se, repetir-se e de certa forma a tornar-se redundante e por vezes enfadonha.

Isto resultou numa perda de confiança por parte da sua audiência e, por sua vez, numa quebra a nível de ratings sem precedentes. Imediatamente após o início da 8ª temporada, com a cobertura mais fraca possível do ripostar de Alexandria, Hilltop e The Kingdom, pode-se dizer que a série bateu no fundo.

A narrativa não era dotada de qualquer interesse ou relevância, centralizava-se apenas em vários grupos de pessoas a andarem para trás e para a frente sem destino à vista. As personagens principais foram perdendo identidade e o carisma que as tornou naquilo que eram. Quando adicionados todos os saltos temporais sem qualquer conexão ou explicação, fez com que a série a tropeçasse no seu pretensiosismo de ambicionar ser algo para o qual não tinha qualquer base e correu muito mal. Isto porque a produção não soube orquestrar tal ambição, deixando os fãs confusos e cansados. Tentou-se puxar da cartola um build up à Nolan e falhou redondamente.

Em What Comes After, houve uma nova tentativa por parte da produção em fazer de The Walking Dead aquilo que nunca foi, só que desta vez puxaram da cartola um build up à Lynch e o resultado foi brilhante!

Rick nem ficou vivo e continuou na série, nem morreu e saiu da série. O que se sucedeu aqui foi a 3ª opção, a mais remota e audaz: ficou vivo e saiu da série.
Não é de todo o final esperado e muitos fãs/críticos não gostaram deste episódio por isso mesmo. Eu, pessoalmente, queria que o Rick continuasse até ao final da temporada porque gosto da personagem, mas aceitava que saísse neste episódio, porque o build up em tornado sua saída precoce foi extremamente bem orquestrado. Se tinha de morrer para sair? Não!

O que aconteceu foi peculiar e único, gostemos ou não disso. Nem tudo tem de ter um desfecho objectivo e convencional (aka clichê). Quatro das melhores séries alguma vez produzidas não tiveram um desfecho objectivo e convencional (The Sopranos, The Wire, Twin Peaks [acabou?] e The Leftovers) e muitos não gostaram. Mas se foi mau? Não, de todo.

Glass half full/half empty, meus caros leitores. De qualquer das formas o copo tem água e o mais importante é saber lidar e viver com isso.

P.S. – Quase me esquecia! De 100 a infinito, quão fãs ficaram de Judith Grimes do futuro?
O chapéu, o revolver, a katana? O Future Trunks aprova e eu também. Enquanto houve um Grimes, The Walking Dead está bem entregue!

E siga mais um salto para o futuro, desta vez de mais de 5 anos.

0 95 100 1

95%
Average Rating
  • 95%

Comments