Cinema Críticas

Crítica: Toy Story 3 (2010)

SPOILER ALERT!

Acho que não há muitas coisas que a Disney não consiga fazer. É óbvio que também faz alguns filmes que não são exactamente brilhantes, mas esses são poucos. Digo isto porque, quando se lança um filme estrondoso como Toy Story (ler crítica aqui) é muito difícil fazer uma sequela que tenha o mesmo nível de sucesso que o seu antecessor, e a Disney conseguiu isso (juntamente com a sua eterna parceira de crime, Pixar, com quem também colaborou em todos os filmes da franquia) com Toy Story 2 (ler crítica aqui). E sabem o que é ainda mais difícil do que isso? Fazer duas sequelas de sucesso igual ou superior ao do primeiro filme. Mas esta dupla imbatível conseguiu esse feito: Em 2010, saiu Toy Story 3.

Os dois primeiros filmes de Toy Story mostram-nos, através da perspectiva dos brinquedos, a felicidade enorme que sentem quando os seus donos brincam com eles enquanto crescem, e Toy Story 3 mostra-nos o final dessa jornada, a tristeza do adeus, mas ao mesmo tempo mostra-nos a alegria de um novo começo. Termina, portanto, numa nota bastante positiva, que nos faz sentir todo o tipo de emoções.

Encontramos novas personagens e entre elas estão Bonnie (Emily Hahn), a nova dona dos brinquedos de Andy (John Morris), os brinquedos dela e também os brinquedos de Sunnyside, incluindo Lotso (Ned Beatty), o vilão. Algumas destas personagens têm backstories muito bem desenvolvidas, como é o caso de Lotso, cuja vilania tem origem no seu passado sofrido. Todas as personagens são muito bem interpretadas, com os respectivos actores escolhidos a dedo para lhes dar voz.

Toy Story 3 é um filme cheio de tudo: dinâmica, acção, comédia, emoção, drama. É uma mistura de imensos ingredientes diferentes que, em conjunto, resultam perfeitamente. Não foge muito ao registo dos seus antecessores, e as aventuras de Woody (Tom Hanks), Buzz (Tim Allen) e os seus amigos prendem-nos ao ecrã desde que o filme começa até que acaba. A história é, tal como em Toy Story 1 e 2, muito inteligente, muito pensada ao pormenor e parece mesmo que nada falha ali. O excelente trabalho anteriormente dirigido por John Lasseter é agora continuado de forma brilhante por Lee Unkrich, de quem não se esperava outra coisa, visto que o realizador tinha estado bastante envolvido na edição dos outros dois filmes.

A franquia de Toy Story tem uma receita infalível para o sucesso. Pensem bem, o que é que as crianças mais adoram? Brinquedos e desenhos animados. Por conseguinte, o filme consegue atrair com facilidade o público infantil. Mas o facto de o primeiro Toy Story ter saído em 1995 e o segundo em 1999 significa que muitas pessoas que em 2010 eram adolescentes/adultas tinham passado parte da sua infância a ver filmes desta franquia, ela fez parte da sua vida e proporcionou momentos especiais quando eram miúdos, marcou. E portanto Toy Story 3 atraía, sim, muitas crianças, mas não era fora do comum vermos também pessoas com os seus 15-25 anos (ou mais) a irem ao cinema ver este filme: é uma espécie de nostalgia boa, como se por apenas 1h e tal pudéssemos embarcar numa cápsula do tempo e voltar a ser crianças. E essas mesmas pessoas irão voltar a estar na fila da bilheteira em 2019 para verem Toy Story 4, qual idade qual quê, o que interessa é que a criança dentro de nós nunca morre.

A banda sonora foi, tal como em Toy Story 1 e 2, composta por Randy Newman, e ”We Belong Together” ganhou o Óscar de Melhor Canção Original nesse ano. Toy Story 3 foi nomeado noutras 4 categorias: Melhor Filme, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Filme de Animação (e ganhou também nesta última categoria).

A imagem do filme é maravilhosa, com um nível de detalhe muito minucioso. É quase desnecessário dizer que, no que toca a esse aspecto, é o melhor dos três filmes, o que também é uma constatação injusta, dado que Toy Story 1 e 2 foram concebidos nos anos 90, altura em que a tecnologia necessária para se produzir um filme destes ainda estava a dar os primeiros passos (e mesmo para a altura a imagem dos filmes era muito boa), enquanto que em 2010 já estavamos bem mais avançados a esse nível. Mas ainda assim, todo o detalhe do filme merece o meu elogio porque, como eu digo sempre acerca dos filmes da Disney, isso só demonstra o empenho da equipa e a distância que estavam dispostos a percorrer para que o resultado final fosse nada menos que fantástico.

A franquia de Toy Story tem sido um verdadeiro exemplo de sucesso até agora, o que é admirável. Fiquei espantada quando soube que o quarto filme estava a caminho e espero que continue a alcançar o que os três anteriores conseguiram, o que não sei se será fácil – eu sempre olhei para a última cena de Toy Story 3 como sendo a maneira perfeita de dizer adeus: Andy, já crescido, dá os seus companheiros de infância a outra criança e brinca com eles uma última vez antes de dizer o adeus definitivo. Acho que um quarto filme era desnecessário, mas como a Disney consegue surpreender-me tantas vezes, até pode ser que corra bem.

Toy Story 3 é um grande filme, que não fica nada aquém dos dois que nasceram antes dele. Horas e horas de trabalho e empenho, suor esse que não escorreu em vão, pois o resultado está mais que à vista. Parabéns a estes dois monstros da animação, que deram um toque tão especial à infância de tanta gente, e, agora, nos surpreendem com estas prendas. Não há nada melhor.

Título Original: Toy Story 3

Título: Toy Story 3

Realização: Lee Unkrich

Elenco: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Ned Beatty, John Morris, Don Rickles, Blake Clark, Wallace Shawn, John Ratzenberger, Estelle Harris, Michael Keaton, Jodi Benson, Emily Hahn

Duração: 103 minutos

Trailer | Toy Story 3

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