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The Deuce – Season Finale – 2ª Temporada

the deuce season finale

PODE CONTER SPOILERS DE THE DEUCE!

Depois de uma primeira temporada mais calma e introdutória, The Deuce realmente atira-se de cabeça àquilo que quer mostrar ao público e fá-lo de uma maneira brilhante. Se até então o foco era a prostituição nos bairros de Nova Iorque, agora debruçam-se sobre o crescimento da indústria pornográfica e de que forma esta se expandiu.

Estamos agora em 1977, cerca de 4 anos depois do final do primeiro ano e as coisas parecem estar a correr bem para as nossa personagens principais. Principalmente para Eileen/Candy (Maggie Gyllenhaal), que está determinada em deixar a sua marca como realizadora de filmes para adultos e podemos dizer que, este ano, leva a série às costas.

É impossível não nos deixarmos envolver por este mundo. A forma como David Simon decide contar a história é tão chamativa e cativante, que mesmo que às vezes, estejamos só a ver a vida a acontecer, rapidamente vemos que naquele mundo o tempo não pára para ninguém.

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O MELHOR

Mais do que todos os temas que compõem este enredo, The Deuce vive pelas personagens. Desde as prostitutas aos proxenetas, passando pelos envolvidos na pornografia, até ao núcleo de Vicent (James Franco) e dos seus negócios. Há tanto por onde escolher e todos eles, melhores ou piores, acabam por deixar alguma marca em nós. Não há papéis pequenos, porque o talento é abundante.

É inevitável não destacar os nossos já tão bem conhecidos Franco e Gyllenhaal, mas eles carregam o protagonismo da série e fazem-nos de uma forma brilhante. Este ano, mais ela e é de ficar sem palavras.

O feminismo está presente logo desde o primeiro episódio. E à medida que vão passando, semana após semana, isso não é esquecido e depressa percebemos que essa é a mensagem que querem passar agora. Eileen está a lutar pelo seu sonho. Deixou as ruas e cada vez mais é uma mulher com poder, que pretende ser respeitada num mundo de homens e trazer esse respeito pelo sexo feminino nos seus filmes. Gyllenhaal é soberba. Do início ao fim. Há esperança nos seus olhos. Há força nas suas ações e palavras. Acredito naquela mulher e torço por ela e isso é tudo o que se pode pedir a uma atriz.

Quem também teve uma evolução maravilhosa foi Lori (Emily Meade). Destacou-se neste segundo ano e foi motivadora toda a sua jornada. Tornando-se cada vez mais um nome forte no porn, a rapariga consegue largar a prostituição, ainda que passe mal às mãos do seu “chulo”, C.C. (Garry Carr). Este continua a querer ter algo a dizer sobre a vida dela, mas o momento em que ela se consegue, finalmente, ver livre dele é brilhante. A performance de Meade é tão verdadeira e tão crua, que parece que também a nós, nos sai um peso de cima. Ao contrário do “homem” dela, Larry (Gbenga Akinnagbe) é um o alívio cómico da temporada e é tão bom. Queria mais e mais dele e o contraste entre os dois, na maneira como tratam as suas “meninas” é abismal.

Toda a narrativa que envolve Abby (Margarida Levieva) e o facto dela querer ajudar as prostitutas, tentando dar uma vida digna a essas mulheres, também funciona muito bem ao longo dos capítulos, balançando os nossos sentimentos entre uma alegria passageira e uma tristeza que nos mostra que não será assim tão fácil. A sua relação com Vincent é que acaba por se perder no meio disto tudo, mas que resulta numa evolução de consciência do homem  que é de aplaudir. Franco continua a dar um carisma brutal às suas duas personagens, conseguindo diferencia-las e, ao mesmo tempo, fazer-nos apaixonar por ambas. Well done! 

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A nível técnico, há pouco a apontar. A fotografia é de louvar aos céus, assim como a realização que, tal como referi em cima, nos transporta até àquele mundo, de uma maneira tão intíma, que parece que estamos mesmo ali. Naquelas ruas, naqueles bares, naqueles locais às vezes tão dolorosos. E é aqui que The Deuce ganha os maiores pontos. Não precisa de muito para se fazer ouvir, enquanto nos vai brindando umas vezes com momentos que nos conseguem fazer rir/ sorrir, como no momento seguinte nos espeta um murro bem forte no estômago.

Ainda de destacar o núcleo da polícia, que tenta a todo o custo fazer alguma coisa para melhorar aqueles bairros, mas cujas intenções são ofuscadas por toda a corrupção. Nós já não somos os ingénuos que éramos no início. Já sabemos o que se passa e a série consegue usar e abusar disso, ao repetir certos comportamentos, que neste caso resultam, como ver novas mulheres chegarem para se iniciarem naquele mundo, sabendo nós o quão mau ele é.

O PIOR

Ainda que não o seja para mim, o ritmo da série é lento e, muitas das vezes, vive pelas suas cenas grandes e cheias de falas, o que pode afastar efetivamente o público. Este, atualmente, quer coisas rápidas, sem grandes demoras e a série não pretende, nem quer ser assim.

Com o feminismo como pano de fundo, ora escancarado, ora nas entrelinhas, The Deuce sabe exatamente o quer mostrar ao espectador. As personagens femininas estão agora no centro de tudo, neste universo masculino e chegou a altura de lhes ser dado o direito de falarem. Para mim, isso é muito agradável e resulta de forma perfeita aqui. Não são mesmo elas o melhor do mundo?

Está confirmado que a próxima temporada será a última e tenho a certeza que será a forma correta de fechar a série com chave de ouro. Mal posso esperar!

Podem ler a Mini-Review da temporada anterior, aqui. 

Estado da série: RENOVADA

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Com o feminismo como pano de fundo, ora escancarado, ora nas entrelinhas, The Deuce sabe exatamente o quer mostrar ao espectador. As personagens femininas estão agora no centro de tudo, neste universo masculino e chegou a altura de lhes ser dado o direito de falarem.

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