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Crítica: Kin (2018)

Kin

A família é algo sagrado, são aqueles em quem nos apoiamos nos tempos mais difíceis e os que estão lá sempre para nós; ou, pelo menos, esta é a opinião popular. Podemos escolher os nossos amigos, e rodearmo-nos das pessoas que tornam a nossa vida mais feliz, mas algo que não podemos escolher é a nossa família…

Realizado pelos irmãos Jonathan e Josh Baker, Kin toma uma abordagem bastante interessante à temática da família. E se a nossa família não fosse a “família perfeita”? Devemos seguir as ideologias impostas pela sociedade num meio deteriorado? Esta é uma questão que nos surge ao longo de Kin. Mas será que isto por si só torna o filme aceitável?

Inicialmente, os irmãos Baker conseguem captar a atenção do espectador através de um enredo dramático promissor. Ambos os realizadores são estreantes nas longas metragens, e contam apenas com duas curtas metragens (muito pouco conhecidas) no seu currículo. Os novatos realizadores tentam contar uma história familiar de forma invulgar que em muito me fez lembrar Warrior (2011). É um conto negro e difícil, que pega no protagonista e o coloca num meio doméstico tenso e pesado. Infelizmente, este esperançoso enredo é arruinado pelo lado fantástico que o filme toma, e pelas prestações medíocres do elenco em questão.

Kin
Myles Truitt, Dennis Quaid e Jack Reynor

Myles Truitt toma o papel de protagonista em Kin, interpretando Eli Solinski. O jovem ator ainda conta com poucos créditos na sua filmografia, mas empenha-se para que o seu personagem deixe a sua marca no filme. Apesar do seu esforço, Myles ainda tem muito que aprender na área dramática. A sua prestação não é convincente e a carga emocional que o mesmo deposita neste papel é escassa. O mesmo se aplica a Jack Reynor. O profissional interpreta Jimmy Solinski, irmão mais velho de Eli. Apesar de ter mais experiência como ator, encontra dificuldades em transmitir as cenas dramáticas mais importantes do filme. Dennis Quaid e Zoë Kravitz também têm uma breve aparição no filme, e ambos contam com papéis importantes: ambos os personagens são utilizados para transmitir ensinamentos e sabedoria aos irmãos Solinski. Infelizmente, Dennis e Zoë não conseguem tornar as suas prestações marcantes, deixando-se ficar pelo razoável.

No entanto temos um nome de peso no elenco: James Franco. O experiente ator toma o papel de antagonista em Kin. Franco tenta o seu melhor, interpretando um chefe do crime sanguinário e com sede de vingança. Lamentavelmente, nem Franco consegue elevar as espectativas do filme, deixando a sua prestação cair no vazio. A culpa não parte totalmente de Franco, mas sim dos argumentistas e guionistas que se desleixaram completamente na criação do personagem, não dando relevância nem afinidade ao vilão.

No entanto, Kin conta com efeitos visuais bastante agradáveis e realistas. Para um filme que tenta utilizar poucos efeitos especiais, Kin surpreende pela positiva. O filme relembra o espectador de I Kill Giants (2017), que utiliza efeitos fenomenais num conto dramático. No que toca à banda sonora, é simplesmente mal utilizada. Distrai bastante o espectador e não se adequa em nada às cenas em que toca. É sem dúvida uma má escolha pela equipa de produção.

Kin
Zoë Kravitz, Jack Reynor e Myles Truitt

O enredo dramático de Kin começa com o seu pé direito, ao introduzir Eli e o meio familiar em que se encontra. O filme tenta criar uma camada dramática em redor da família Solinski, que poderia resultar bastante bem se não fosse o excesso de ficção científica e fantasia adicionados gradualmente ao longo do filme. O que de início parece ser uma história profunda e pessoal rapidamente se torna num show de cowboys e foras da lei, com um desenvolvimento de personagens horrível e um estabelecer do enredo sem nexo. Kin até é agradável de se ver através do primeiro e do segundo ato. Chegado ao terceiro ato, o filme perde toda a qualidade, drama, emoção e sentido que tem construído. É um terceiro ato reles, barato e ordinário, que torna o filme uma verdadeira comédia de se assistir, e onde este peca mais.

Resumindo, Kin é um filme com uma temática dramática interessante, mas com uma fraca execução. As prestações de todo o elenco não ajudam a causa do filme, e o excesso de ficção científica e fantasia arruinam o mesmo. No entanto, os efeitos especiais são incríveis, e é de dar valor o caminho que o filme tenta tomar, e a mensagem que tenta passar.

Nome: Kin – Arma Letal
Título Original: Kin
Realizador: Jonathan BakerJosh Baker
Elenco: Myles TruittJack ReynorDennis QuaidZoë KravitzJames Franco
Duração:
 102 min

Trailer | Kin (2018)

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