Cinema Críticas

Crítica: Papillon (2017)

Papillon

Estamos a viver na época das adaptações, reboots e remakes em Hollywood. A falta de originalidade apoderou-se da indústria, que valoriza cada vez mais a quantidade do que a qualidade. Papillon (2017) é uma recente vítima deste fenómeno.

Papillon (2017) é um remake do clássico de 1973. O filme conta com Michael Noer na cadeira de realização. O realizador dinamarquês conta com apenas 12 filmes no seu currículo, onde apenas 5 destes são longas-metragens. Noer tenta-nos relatar uma história mais profundada sobre a vida de Henri Charriere – protagonista do filme – mas não conseguiu ter o impacto necessário e requerido, não superando o clássico.

Papillon
Charlie Hunnam como Henri ‘Papillon’ Charriere

Charlie Hunnam interpreta o papel de Henri ‘Papillon’ Charriere. O ator que ficou conhecido pelo seu papel em Sons of Anarchy, tenta acompanhar a prestação de Steve McQueen, que interpretou o mesmo personagem no clássico. Apesar do esforço de Hunnam, a sua prestação não impressiona um espectador que já tenha assistido ao filme de 1973. É intensa e aplica uma boa camada dramática ao filme, mas sentimos sempre a falta do toque mágico de McQueen. Hunnam não consegue atribuir ao personagem o traço trágico e lunático como McQueen conseguira.

Rami Malek junta-se a Hunnam no filme de 2017. A estrela de televisão conhecida pela seu fantástico papel em Mr. Robot interpreta o paranóico e frágil Louis Dega. Malek tem uma parecença enorme com Dustin Hoffman quando este interpretara o mesmo personagem no filme de 1973, o que é um grande ponto positivo. A sua prestação aproxima-se bastante à de Hoffman por quase toda a integridade do filme. Infelizmente, Malek não consegue superar a prestação de Hoffman nas cenas finais do filme. Onde o veterano introduziu uma versão ainda mais paranóica e alunada de Dega, Malek continuou com uma prestação estagnada até ao final do filme. Decerto que o jovem ator conseguiria ter um melhor desempenho nas partes finais, mas por alguma razão (que talvez tenha a ver com as decisões na cadeira de realização) não o fez.

Papillon
Rami Malek como Louis Dega

Apesar de seguirem a mesma história, ambos os filmes diferem em execução. Onde o clássico de 1973 tenta desenvolver o personagem de Papi no presente da sua situação, o remake tenta fazê-lo através de uma breve história de como o protagonista foi parar à prisão. Onde o filme de 2017 peca é ao decidir retirar as cenas mais icónicas do clássico, substituindo-as por uma backstory desnecessária para ao enredo do filme. É também de notar que apesar de existir uma certa camada dramática no recente filme de 2017, esta não se compara à existente no clássico de 1973.

No entanto, Papillon (2017) ganha simplesmente na fotografia. É claro que um filme de 1973 dificilmente conseguiria competir com os avanços tecnológicos da época em que vivemos. Papillon (tanto o clássico como o remake) é um filme que deve ser visualmente artístico. A sua história é trágica, onde a esperança vive mas não consegue vencer. Deve ser pintado com uma com cores vivas e por uma excelente fotografia, mas deve também transmitir a luta psicológica deprimente e deteriorante do protagonista. O filme de 2017 consegue captar os elementos já presentes no clássico, enaltecendo-os com a ajuda da tecnologia. A banda sonora também é uma aliada à causa do remake – que faz juz à do clássico – e também utiliza muito bem os momentos de silêncio para o seu proveito.

Resumindo, Papillon (2017) é um bom remake de um grande clássico, apesar de não conseguir superar o mesmo. Apesar das prestações do elenco e do enredo geral do filme baixarem a qualidade, o filme compensa com a banda sonora e fotografia. Não é um remake perfeito, mas também não fica muito atrás do seu original.

Nome: Papillon
Título Original: Papillon
Realizador: Michael Noer
Elenco: Charlie HunnamRami Malek
Duração:
 133 min

Trailer | Papillon (2017)

Comments