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Crítica: 22 July (2018)

22 July

July 22 é um filme assente nos eventos de 22 de Julho 2011, levados a cabo por Anders Behring Breivik em Oslo e Utøya, na Noruega. O filme começa nos dias imediatamente antes do dia 22, retratando o próprio ataque, mas foca-se sobretudo nas ondas de choque que o mesmo teve, acompanhando a recuperação das vítimas, o julgamento e a forma como o mesmo impactou as vidas de todos os envolvidos.

O filme começa com o drama das vítimas na ilha de Utøya
O filme começa com o drama das vítimas na ilha de Utøya

July 22 – análise

O filme gira essencialmente em torno de três personagens: Anders Breivik (Anders Danielsen Lie), o sobrevivente Viljar Hanssen (Jonas Strand Gravli) e o advogado de defesa Geir Lippestad (Jon Øigarden).

A narrativa apresentada ao espectador no ecrã inicia-se quando Anders Breivik tem já o seu plano bem definido e a logística final está apenas a ser afinada. Depois a parte mais marcante do filme: os ataques. As testemunhas descrevem que Breivik naquele dia revelou uma frieza e crueldade extrema, algo que fica sobejamente evidente neste filme. A forma como as cenas dos ataques foram filmadas consegue replicar o terror e o desespero dos jovens na ilha de Utøya durante aqueles momentos em que foram autenticamente caçados por Breivik.

Após a detenção de Breivik, acompanhamos a sua relação com Geir Lippestad, o advogado escolhido a dedo pelo terrorista para seu defensor. Conseguimos perceber a divisão entre o homem e o advogado e a forma como procurou sempre ser profissional apesar da situação em que estava. Mais do que isso, vemos como o facto de ter aceite a defesa de Breivik teve impacto na sua vida pessoal, obrigando a mudanças na sua família.

O filme acompanha muito do que foi o processo de julgamento de Breivik
O filme acompanha muito do que foi o processo de julgamento de Breivik

Paralelamente conhecemos o drama de Viljar. Apesar de baleado por Breivik, o jovem sobreviveu com cicatrizes físicas e psicológicas profundas com as quais terá de lidar durante toda a sua vida, nomeadamente quando volta a enfrentar Breivik na sala de audiências do tribunal.

Conclusão

A frieza e o drama são o ponto mais forte deste filme. A forma crua como retrata os acontecimentos faz com que tenhamos uma percepção melhor não só das acções levadas a cabo por Breivik, mas também dos sentimentos associados às ditas acções. Não só do lado das vítimas, como do lado do atacante. O realizador Paul Greengrass fez um filme imparcial, que retrata ambos os lados de uma forma séria e sem floreados. Percebemos bem as intenções de Breivik, o seu calculismo e frieza sem que tenha sido necessário exagerar em nenhum ponto para fazer dele um monstro para o cinema. Igualmente, é possível perceber a profundidade do drama dos sobreviventes durante o processo de julgamento.

O frente a frente entre Breivik e as vítimas em tribunal
O frente a frente entre Breivik e as vítimas em tribunal

Há outra coisa a que um filme de quase duas horas e meia não pode fugir: o detalhe. O filme é incrivelmente detalhado e atinge quase em pleno o seu objectivo de ser o fiel retrato de tudo o que se passou entre o dia 22 de Julho de 2011 e 24 de Agosto de 2012, altura em que foi unanimemente condenado pelas 77 mortes que provocou.

Mas há pontos fracos nesta produção. É nos pequenos detalhes que ele se perde. Em primeiro lugar, na Noruega fala-se norueguês. Não se fala inglês com um sotaque horrível. Ainda por cima sendo o elenco constituído sobretudo por noruegueses não há razão para o filme ter sido feito num inglês que arranha os ouvidos…

Para além disso é pena que no que toca à caracterização dos personagens, a produção nem sequer tenha tentado… A prestação dos actores é irrepreensível, sobretudo dos três principais que abordei aqui. Mas em termos físicos as disparidades entre os actores e os personagens reais que interpretam é enorme. Nenhum deles é sequer parecido e isso é sobretudo evidente no caso de Breivik cuja cara inundou as televisões mundiais. Isto pode parecer um mero detalhe, mas se estamos a fazer um filme baseado de forma tão marcante em três pessoas reais, faz toda a diferença.

Título Original: 22 July.

Título: 22 de Julho.

Realizado por: Paul Greengrass.

Elenco:  Anders Danielsen LieJonas Strand GravliJon Øigarden.

Duração: 143 min.

Trailer | 22 July

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