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Crítica: Army of Darkness (1992)

Army of Darkness Crítica de Cinema

Segundo uma antiga regra da indústria cinematográfica, “o terceiro filme de uma trilogia acaba por ser o elo mais fraco”. Há alguns filmes que conseguem escapar a esta regra, mas são muitos que vão de encontro deste princípio. E o mesmo pode ser aplicado a Army of Darkness, a terceira e última entrada desta trilogia idealizada por Sam Raimi e protagonizada por Bruce Campbell. Mas não pelas razões em que estão a pensar!

Servindo de sequela direta de Evil Dead IIAsh (Campbell) é transportado para a Idade Média, onde um reinado está a ser atormentado pelas forças do mal. Considerado como o “herói profetizado”, Ash não vê outra opção senão defrontar esta ameaça. Isto é, se quiser realmente regressar à sua era.

Army of Darkness Crítica de Cinema

Existem claras diferenças entre este filme e os seus antecessores, e isso já está mais do que visto no espaço cénico: enquanto os dois primeiros decorreram numa cabana abandonada e no bosque nas suas imediações, Army of Darkness investe num espaço mais cénico. Esta troca revela-se como uma espada de dois gumes neste caso em particular: por um lado, a aposta num espaço mais amplo permite-nos observar um maior número de locais, o que permite uma maior diversidade cénica; infelizmente, esta expansão não compensa quando foge claramente dos elementos que tornaram a saga Evil Dead na referência de culto pela qual é tanto adorada hoje em dia. Os dois primeiros filmes, graças a um orçamento modesto, a concentração num único local e o investimento num elenco mais concentrado deu-nos uma experiência mais claustrofóbica e aterrorizante. Experiência essa que não é tão bem sucedida nesta terceira entrega da trilogia.

Army of Darkness Crítica de Cinema

O mesmo pode ser aplicado no teor de Army of Darkness propriamente dito. A saga sempre foi um misto entre humor e terror, um casamento que raramente funciona mas que fez maravilhas nos seus antecessores. Infelizmente, torna-se uma desilusão quando a vertente de terror é, praticamente, abandonada em favor de sequências de ação que deviam estar melhor executadas e que mantém o humor slapstick que testemunhámos na entrada anterior.

E tal como o seu antecessor, este é o show de Bruce Campbell. Jamais esperávamos que tivéssemos uma mudança repentina da personalidade happy-go-lucky do seu Ash Williams, e é bom vermos esta vertente estar praticamente intacta nesta terceira parte, sem mencionar a oportunidade de vermos Campbell a explorar uma faceta mais maléfica (oops, spoilers!). Infelizmente, isto significa que o elenco secundário não tem uma oportunidade de crescer a olhos vistos, mantendo-se sempre na mesma nota do princípio ao fim.

Army of Darkness está longe de ser aquele encerrar de trilogia que tanto gostaríamos de ver, muito por favorecer ação e comédia em vez do icónico terror. No entanto, está longe de ser um péssimo filme, ao contrário de muitas outras trilogias de terror. E só podíamos agradecer esta salvação tanto a Sam Raimi Bruce Campbell.

Podem ler a nossa crítica a The Evil Dead aqui e Evil Dead II aqui.

Título: O Exército das Trevas
Título Original
Army of Darkness
RealizaçãoSam Raimi
ElencoBruce CampbellEmbeth DavidtzMarcus GilbertIan AbercrombieRichard Grove
Duração: 81 minutos

Trailer | Army of Darkness

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