Cinema Críticas

Crítica: Halloween (1978)

Halloween

Quinze anos depois de ter assassinado a irmã na noite de Halloween de 1963, Michael Myers (Will Sandin/Tony Moran)escapa do hospital psiquiátrico e regressa à pequena cidade de Haddonfield para voltar a matar. Esta é a premissa de um dos maiores clássicos do cinema e daquele que é considerado “O Padrinho” dos filmes de terror.

Jamie Lee Curtis é a principal presa de Myers.
Jamie Lee Curtis é a principal presa de Myers.

Nos anos 60 e 70, o cinema de terror conheceu um virar de página que deu início a uma nova fase no género. Depois de décadas a fazer cinema de terror com baixo orçamento fruto sobretudo dos conflitos bélicos mundiais, começou a haver mais orçamento para o género. Só assim e com o explorar da violência e uma nova abordagem a temas antigos, se puderam criar coisas como Psycho (1960).

Dezoito anos depois de Psycho, com um contexto diferente e devidamente maduro, nasce Halloweenjá no fim de uma década dourada que nos trouxe The Texas Chainsaw Massacre e Carrie, por exemplo

Análise de Halloween

Escrito por John Carpenter e Debra Hill, o guião de Halloween começa logo por surpreender nos primeiros momentos. Uma cena toda ela em POV e praticamente sem cortes cria uma atmosfera tensa que dá o mote para este slasher. A primeira cena é, aliás, uma das mais interessantemente construídas em todo o filme. O soberbo uso do já referido POV e da steadicam criam uma angústia crescente no espectador. Além disso, a banda sonora é também simples mas muito eficaz e é também ela produto do próprio John Carpenter.

A cena introdutória dá o mote para o que se passou 15 anos depois.
A cena introdutória dá o mote para o que se passou 15 anos depois.

Para além disto, este é um filme clássico que se constrói nos pequenos detalhes. Desde logo, a ligação à cultura popular no genérico inicial e nos créditos finais, muito bem feita, foi na realidade um dos pontos que ajudou a imortalizar o filme. Podemos fazer a analogia que Halloween está para o 31 de Outubro como o Home Alone está para o 25 de Dezembro. Também o facto do realizador exibir cenas de alguns clássicos dos anos 50 é uma forma curiosa de homenagem e de aumentar o ingrediente de terror do filme.

Halloween é, se o analisarmos bem, um filme simples. E essa é também uma das chaves do seu sucesso. Constrói-se à volta da psicologia do medo e de ingredientes da época (emancipação feminina e classe média americana) mas também de elementos básicos do terror: cidades pequenas onde nada acontece e um vilão praticamente imortal.

Infelizmente Halloween não fica para história pelos desempenhos dos actores. Hoje em dia não se pode negar que Jamie Lee Curtis tem uma grande carreira, mas digamos que Halloween não é a sua obra prima.

Os que vêem hoje Halloween podem considerar que o filme tem os clichés todos de um mau slasher. Mas aí é que está: não há problema em usar clichés se o fizermos bem e com sentido. E é isso que acontece. Além disso, é preciso perceber que o que hoje é cliché e mais do que batido talvez em 1978 fosse um elemento inovador.

Michael Myers é, ainda hoje, um ícone do género de terror.
Michael Myers é, ainda hoje, um ícone do género de terror.

Halloween não é o melhor filme da história do cinema. Fica longe. Mas em termos de terror, é do melhor e mais popular da história. Tem os seus defeitos, claro, mas John Carpenter construiu um filme de terror icónico e um dos vilões mais temíveis e reconhecidos não só no género como no cinema em geral.

Um filme de grande nível, dado o contexto de medo e tensão. A escolha óbvia para esta altura do ano.

Título Original: Halloween.

Título: O Regresso do Mal.

Realizado por: John Carpenter.

Elenco:  Donald PleasenceJamie Lee CurtisTony Moran.

Duração: 91 min.

Trailer | Halloween

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