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Sara – 1×04 – Episódio 4

Sara - 1x04

Começou a novela. Sangue de Paixão está no ar e em gravações ao mesmo tempo. Sara (Beatriz Batarda) começa a perceber realmente a dimensão do fenómeno e, principalmente, a compreender aquilo em que realmente se meteu.

Sara 1×04

O episódio abre com um excerto de um episódio da novela Sangue de Paixão. Os personagens de Sara Moreno e João Nunes (Nuno Lopes) contracenam na maior parte das cenas, usando e abusando dos estereótipos e clichés mais repetidos nas novelas da moda.

As interacções entre os actores nos bastidores são tensas em alguns casos. Sara Moreno e Francisca Carmo (Leonor Silveira) têm um diálogo inaugural que revela que ambas irão chocar muito durante as gravações. Francisca pergunta-lhe em tom depreciativo se Sara está ali porque já não lhe dão nada no cinema. Um claro ataque de que Sara não se conseguiu defender.

Sara está agora mergulhada no mundo da novela
Sara está agora mergulhada no mundo da novela

Afonso D’Orey (Tozé Martinho), desde que lhe paguem… O homem trabalha!

Mesmo a relação dessa mesma Francisca Carmo com o galã João Nunes não é melhor. Lutam quase até à morte pela última fala da cena, com o galã a ficar sempre por cima.

Júlia está sempre ao lado da amiga para o que for preciso
Júlia está sempre ao lado da amiga para o que for preciso

Fora das gravações, Sara continua a viver o seu próprio drama real. A saúde do pai, Henrique Moreno (António Durães) não é a melhor e ela intercepta uma encomenda que chegou para ele: veneno. Temendo o pior, Sara pondera levar o pai para o lar onde trabalha a amiga Júlia (Rita Blanco). Pelo meio, o pai de Sara fica a saber que ela está a trabalhar em novela. Não são precisas palavras para o progenitor demonstrar a sua mágoa.

O episódio encerra com Sara a fazer uma breve presença numa festa… A do lar de idosos.

Análise e conclusão

Este episódio esteve uns furos abaixo dos anteriores. Mas nem por isso se pode dizer que foi mau. Foram cerca de 40 minutos de sátira à novela portuguesa. Sátira com classe. Sátira da boa.

Beatriz Batarda interpreta na perfeição uma Sara confortável na representação, mas insegura nestes bastidores mais confusos e voláteis da novela. Nuno Lopes consegue colocar no personagem de João Nunes umas pitadas de comicidade fantástica.  O facto de ele se achar um génio por conseguir ficar por cima no final das cenas com a frase “Lá isso é verdade” ou o facto de carregar sempre alguma coisa para realçar os músculos são um retrato satírico fantástico.

Outra sátira evidente e muito bem feita foi aos diálogos quase mecânicos e sem grande preparação e, claro, ao genérico.

O episódio reflecte aquilo em que Bruno Nogueira, um dos argumentistas e criador da série, se tornou nacionalmente reconhecido por fazer: sátira e comédia. Este 4º capítulo é uma fantástica caricatura da novela nacional. Para história ficará o realizador Paulinho (Cristovão Campos) em êxtase com a prestação dos actores gritando frequentemente que vão ganhar um Emmy.

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