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Supergirl – 4×02 – Fallout

Supergirl 4x02

CONTÉM SPOILERS!!!

Supergirl sempre foi conhecida por ser uma série que aborda a dura temática da imigração (aqui representada pelos vários alienígenas presentes na série), mas sempre teve uma conotação positiva, como se nos desse esperança de que “amanhã será um dia melhor”. Fallout escapa a essa regra, revelando-se como um dos episódios mais duros de uma temporada que ainda agora começou!

O episódio anterior encerrou com a revelação da verdadeira identidade da Presidente Marsdin (Lynda Carter). Com a sociedade americana virada completamente do avesso, Kara (Melissa Benoist) tenta restaurar a fé dos cidadãos de National City, ao mesmo tempo que tenta encontrar Mercy Graves (Rhona Mitra), que ainda se encontra a monte.

Supergirl 4x02

Segundo manda a regra, as sequências protagonizadas por Kara/Supergirl costumam ser as mais poderosas da série. Portanto, torna-se estranho quando é o segmento dela que acaba por ser o ponto fraco deste episódio. Se ainda houvesse uma ameaça a sério e que trouxesse uma certa urgência ao enredo, ainda se entenderia o foco e também seria o elemento mais forte. No entanto, estamos a falar aqui de Mercy Graves, que Rhona Mitra interpreta de forma tão cliché e unidimensional que até consegue doer só de ver. Nem mesmo os problemas que esta causa não têm tanta importância quanto isso, tirando, talvez, os segundos finais do episódio, que encerram num cliffhanger interessante. Mas fora isso, todo o seu trajeto é do mais desinteressante que Supergirl já apresentou até agora.

E isto ganha ainda mais força quando a discriminação anti-alien é a “palavra do dia” deste episódio. Por isso, quando a série tem aqui uma rica oportunidade para continuar a explorar o mundo e tecer os comentários nocivos à sociedade atual, não faz sentido focar-se numa “caça aos gambozinos”.

Supergirl 4x02

Para explorar esta questão pertinente, tivemos a graciosa ajuda de Brainy (Jesse Rath) e Nia (Nicole Maines). Embora a interação entre estes dois tenha sido bastante breve – ou seja, ainda não podemos tecer comentários sobre a química entre os dois – são os seus trajetos individuais que conseguem refletir o preconceito sentido no lado de cá do ecrã. Quantas pessoas conhecemos que são alvo de preconceito por causa da sua etnia? É um julgamente que Brainy é alvo neste episódio, um momento que o desequilibra por completo durante uma boa porção do episódio. É um momento que Rath aproveita para explorar a humanidade deste Legionário do futuro e que está bem executada.

Mas a surpresa do episódio é Nia. No episódio anterior, esta teve a sua estreia como um doce comic relief com potencial para crescimento. E apesar de esta ainda ter uma personalidade adorável, este episódio exibiu o lado mais sério da personagem por agora, com um discurso sentido, mas não menos eficaz, que ilustra como as pessoas de etnias ou orientações sexuais diferentes se devem sentir neste momento. É um momento também ele perfeitamente bem executado, e Nicole Maines esteve à altura do desafio.

Infelizmente, J’onn (David Harewood) pouco mais fez do que andar à procura de uma alienígena com quem trava uma amizade. Claro que esta rota leva-o à revelação da verdadeira ameaça da temporada – nomeadamente Agent Liberty (Sam Witwer). Isso e também a um Easter Egg que os fãs das bandas desenhadas de certeza que irão levantar o sobreolho. O nome Manchester Black diz-vos alguma coisa?

Aparte de um segmento principal aborrecido, é no elenco secundário e de como este lida com a crescente onda de revolta face ao preconceito que este episódio de Supergirl acaba por triunfar.

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