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Elite – Season Finale – 1ª Temporada

Elite Season Finale

Pode conter spoilers de Elite!

 

Elite é a nova série de mistério policial espanhola que, tal como os outros trabalhos de nuestros hermanos, nos deixou de boca aberta e a rezar por mais. A nova aposta da Netflix leva-nos a Las Encinasum colégio de elite espanhol, que recebe três alunos bolseiros. Entre sexo, drogas e álcool, um dos jovens é assassinado e cabe ao telespectador descobrir o verdadeiro culpado.

O melhor

Existem poucas séries atualmente que se possam vangloriar de ter mais pontos positivos do que negativos. Elite é das poucas excepções à regra.

Vamos começar por  Samuel (Itzan Escamilla), um dos alunos pobres a quem é dada a oportunidade de estudar em Las Encinas. Humilde, com sentido de justiça e tímido, Samuel é o típico clichê de protagonista a que todos estamos habituados. Isto deveria estar ali abaixo nos pontos negativos se não fosse a brilhante prestação de Escamilla. Durante oito tensos episódios o ator e a sua personagem levaram-nos numa montanha-russa de emoções, tornando esta personagem tão banal em algo brilhante.

Christian (Miguel Herrán) é outra personagem digna de louvor. Herrán, que ganhou sucesso devido à sua prestação em La Casa de Papel, transformou-se radicalmente para Elite e apresentou uma personagem bastante diferente do acarinhado Rio. Enquanto no início, Christian aparece como uma pessoa fútil e ligeiramente burra, ao longo da temporada assistimos a um lado carinhoso e leal dele. Inteligente à sua própria maneira e ambicioso, Christian vai ocupando um lugar no nosso coração de forma subtil.

Não podia deixar de mencionar aquela que para mim é uma das personagens mais surpreendentes da série: a jovem marquesa Carla (Ester Expósito). A sua primeira aparição levou-nos a acreditar que Carla era uma herdeira tímida e contida, mas depressa ficamos a conhecer o seu lado rebelde e manipulador. Isto tudo seria motivo para não gostar da personagem, mas o seu desenvolvimento ao longo dos episódios é admirável e a prestação de Expósito não deve ficar esquecida.

Outro ponto que não podia deixar de abordar é a relação entre Nadia (Mina El Hammani) e Guzmán (Miguel Bernardeau). Bernardeau e Hammani tem uma química estrondosa, que transparece para fora do ecrã. O sofrimento de Nadia, quer pelo bullying e preconceito dos seus colegas, quer pela pressão do pai para ser a filha perfeita, liga-se subtilmente com as tentativas de Guzmán para ser o filho ideal, protetor da irmã e o aluno modelo. Muitos fãs gostam das relações explosivas e diretas dos casais, mas eu aprecio uma boa amizade que se torna em algo mais.

Ainda não me cansei de falar em pontos positivos, por isso vou virar a minha atenção para dois dos grandes da temporada: Omar (Omar Ayuso) e Ander (Arón Piper). O romance arrepiante e envolvente dos dois deu a Elite tudo o que faltava. O medo que ambos sentem de assumirem a relação por motivos tão diferentes, mas no fundo tão iguais, é o que os une e o que nos conquista a nós.

Por fim, uma grande ovação para Marina (María Pedraza). Marina ajuda a quebrar preconceitos e aborda um tema que à muito tempo não era reconhecido no mundo da televisão: o HIV. Não é uma das personagens mais interessantes, tem um ou dois episódios que se torna ligeiramente irritante, mas a carga emocional que a personagem exige foi um desafio que Pedraza abraçou e venceu com sucesso.

Contudo, o verdadeiro rei de Elite é o misterioso assassino de Marina. Todos os episódios somos obrigados a trocar de opinião sobre quem é o verdadeiro assassino e, quando somos finalmente confrontados com a verdade, temos de dizer honestamente que não estávamos à espera. O culpado, o motivo e o seu destino são inesperados. Não porque não fosse possivel, mas porque nos trocaram as voltas de tal maneira que não conseguimos evitar ficar perplexos.

O pior

Se tem uma coisa para o qual já não existe paciência são meninas ricas e mimadas. É claro que podemos dividi-las em duas categorias: as Paris Hiltons e as Blair Waldorfs. Lu (Danna Paola) não é uma coisa, nem outra.

A verdade é que a personagem de Paola não acrescenta nada à série. Uma intriga aqui, uma intriga ali, mas nada estaria perdido se ela simplesmente desaparecesse no background. A sua relação com Guzmán é incrivelmente forçada e foi apenas uma tentativa de introduzir mais um triângulo amoroso que não é realmente necessário.

Quanto a Nano (Jaime Lorente) – e eu sei que estavam todos à espera de ler este nome – não agradou totalmente. Lorente trabalhou bem a personagem e deu uma prestação fantástica à qual já nos habituou. Contudo, Nano não é algo de extraordinário que nos faz prender ao ecrã. É apenas um acessório necessário ao desenvolvimento do enredo. Porém, espero sinceramente que na próxima temporada exista a oportunidade de fazer esta personagem crescer fora da órbita de Marina.

Seja como for, abençoada a hora em que decidira renovar Elite porque, não sei quanto a vocês, mas eu definitivamente não estou preparada para me despedir de Las Encinas e de todos os dramas que vêm com o novo ano escolar.

Estado da série: RENOVADA

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