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The Haunting of Hill House – Season Finale – 1ª Temporada

Pode conter spoilers de The Haunting of Hill House

Mike Flanagan e terror têm estado de mãos dadas desde o início da sua carreira como realizador, especialmente com filmes mais recentes como Oculus ou Gerald’s Game (este último uma colaboração entre Flanagan e a Netflix). Desta feita, o realizador voltou a colaborar com o serviço de streaming para um novo projeto de terror (e mesmo a tempo, já que este é o mês do Halloween). E assim nasce The Haunting of Hill House, uma nova série de 10 episódios, todos eles realizados por Flanagan (e que também conta com créditos de escrita dos guiões em alguns deles) e lançados na passada sexta-feira.

Adaptada do livro do mesmo nome escrito por Shirley Jackson, a série acompanha a família Crain que, em 1992, faz residência na Hill House, a mansão assombrada mais famosa da história dos Estados Unidos. 26 anos depois, a mesma família seguiu os seus caminhos, mas todos eles possuem os demónios e cicatrizes das suas experiências dentro da casa.

The Haunting of Hill House season finale

O MELHOR

Confesso que terror nunca foi o meu forte, daí de ter aceite fazer esta crítica com um pé bem atrás. Esperava, para vos ser completamente sincero, uma série televisiva que abordava a questão mais que batida sobre uma história passada numa mansão assombrada.

The Haunting of Hill House é muito mais do que isso!

Flanagan não revela nenhuma pressa em revelar os mistérios em volta da casa titular, optando pelo slow burn, oferecendo algumas dicas aqui e acolá, peças de um puzzle que, num filme, seriam resolvidos de uma forma apressada e sem tempo para serem exploradas a fundo. E vemos estas revelações lentas executadas de uma forma bastante rara, mesmo no seio televisivo. Ao vermos a atmosfera intensa, a banda sonora assustadora, os planos de filmagens isoladas e inteligentes (sou apologista que a justaposição de cenas do 6º episódio, que consiste em long takes, foi feita de uma forma magistral), notamos que estamos perante uma série de terror como nunca vimos antes.

O mesmo se pode aplicar aos clássicos jump scaresFlanagan teve aqui uma tarefa ingrata (especialmente considerando que a audiência já não se assusta com a mesma facilidade de antes, o que explica também a falta de qualidade de muitos filmes do género nesta era moderna). Felizmente, os jump scares estão lá de forma esporádica e são bem eficazes na sua implementação e impacto (dei por mim muitas vezes a tentar conter os meus gritos). Além de trazerem consigo algum backstory twists que, honestamente, não estava à espera e que me suscitaram mais questões do que respostas (confesso que o twist do 5º episódio me apanhou desprevenido).

The Haunting of Hill House season finale

Mas se o terror está muito bem implementado em The Haunting of Hill House, será a componente humana que se revela como a grande chamariz da série.

Dividir a série entre duas linhas cronológicas pode parecer uma técnica estranha para um produto deste género, mas acaba por funcionar. Ao longo de 10 episódios, os acontecimentos de 1992 vão-nos sendo colocados de uma forma desordenada, mas que acabam por contextualizar o que vamos descobrindo até agora, desde a chegada dos Crain a Hill House, passando pelos vários eventos aterradores que estes vão enfrentado, culminando na eventual fuga da casa. Enquanto isso, a linha temporal de 2018 acompanha os mesmos membros, que tentam seguir em frente com as suas vidas após as marcas que a Hill House lhes deixou.

É caso para dizer que, no segmento de 2018, The Haunting of Hill House revela-se como uma versão macabra de This is Us, com os primeiros cinco episódios a revelarem como cada um dos membros dos Crain – especialmente os filhos – mudaram graças a esses eventos. Cada um dos atores adultos possui bastante material para explorar, tornando-se bastante difícil de tentar encontrar um par ator/personagem que consiga ser o melhor de todos. O que só mostra que todos eles possuem uma qualidade inegável, não importa se irão de imediato os seus nomes ou não.

The Haunting of Hill House season finale

O PIOR

Gostava imenso de encontrar algum ponto negativo para apontar a The Haunting of Hill House para poder apontar. Podia dizer que alguns dos sustos apresentados (não todos) são previsíveis. E que alguns dos atores, apesar das suas forças, por vezes falham na sua tarefa.

Mas seria uma grande mentira, muito porque a série acabou por se revelar como uma verdadeira pérola para todos os consumidores da Peak TV. Os fãs de terror irão encontrar aqui uma atmosfera carregada e um mistério bem estruturado (se bem que de forma não-linear), além de jump scares criativos e eficazes; enquanto isso, os não-fãs de terror irão encontrar uma dimensão humana aqui convincente o suficiente que vos dará vontade de ver e chorar por mais. (Um pequeno aparte: agora fico com mais esperanças do que Mike Flanagan poderá fazer como realizador de Doctor Sleep, a sequela literária e cinematográfica de The Shining).

Por enquanto, desconhece-se se The Haunting of Hill House será renovada para uma segunda temporada. Mas, a nível pessoal, considerando a solução do mistério e do clássico happy ending, seria preferível que a Netflix não a renovasse. Agora resta esperar para ver.

Estado da série: STAND-BY

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Average Rating

Não há muitos filmes ou séries que consigam conjugar o elemento humano com o terror patente. Graças a uma orientação sem igual de Mike Flanagan e um elenco principal sólido, The Haunting of Hill é uma clara exceção a essa regra!

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