Frame by Frame Mayans M.C. TV

Mayans M.C. – 1×06 – Gato/Mis

Mayans M.C.1x06

A família é um tema recorrente em séries ou filmes que abordem a temática da máfia, e Mayans M.C. não foge à regra. Gato/Mis é um episódio diferente do que assistimos até agora. O realizador Félix Enríquez Alcalá decidiu tomar um ritmo mais brando neste episódio para explorar e enriquecer personagens.

Foi uma aposta arriscada, mas o realizador não teve problema algum em comprometer o enredo para que houvesse um desenvolvimento mais rico e pessoal dos protagonistas da série. Gato/Mis é um episódio com traços muito evidentes de laços paternais a serem criados. Temos o exemplo de Felipe (Edward James Olmos), que acolhe Jimenez (Maurice Compte) e trata do mesmo como se fosse seu filho; o enredo secundário de Coco (Richard Cabral); as memórias que EZ (JD Pardo) tem sobre a sua mãe; a disputa de Galindo (Danny Pino) e Adelita (Carla Baratta) por Cristobal, entre outros.

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Kevin Jimenez (Maurice Compte) e Felipe Reyes (Edward James Olmos)

É um episódio mais lento que o habitual, mas com uma carga emocional elevada. No que diz respeito ao M.C., EZ e Angel (Clayton Cardenas) tomam os papéis de babysitters para ajudar Coco com um assunto muito pessoal. Num enredo bastante secundário, começamos a ver criados laços entre Felipe e Jimenez, onde segredos são revelados e uma relação muito próxima da de pai e filho é construída. Quem também teve um pouco mais de antena no episódio foi Chucky (Michael Ornstein). O “pobre coitado”, ganho pelo M.C. num jogo de cartas, demonstra um nível emocional que deixa o espectador chocado. Estamos habituados a Chucky ser o comic-relief da série-mãe, mas podemos ver em Gato/Mis que a equipa está a tentar levar o personagem mais além. Coco também tem um papel importante no episódio, e é o exemplo mais evidente das relações familiares do episódio e de toda a série.

Acompanhamos o nosso protagonista EZ num papel um pouco mais secundário neste episódio. O moço de recados do M.C. vê-se cada vez mais envolto num enredo pelo qual nunca tinha esperado. É difícil de não comparar Mayans M.C. a Sons of Anarchy, especialmente os protagonistas EZ e Jax. Com tantas semelhanças morais, é incrível como os dois são tão diferentes. Jax, em Sons of Anarchy, é o “mauzão que tenta ser bom”, mas que deixa a sua natureza violenta e temperamento explosivo levar a melhor em muitas situações; enquanto que EZ, em Mayans M.C., é o “bomzinho que tenta transmitir uma aparência durona”, mas que nunca consegue recusar ajuda, e pensa mais com a cabeça do que com o coração. Apesar de tantas semelhanças, incluindo o valor dado à família, o que distingue os dois protagonistas são as escolhas que cada um faz. É certo que Mayans M.C. ainda não chegou sequer aos calcanhares de Sons of Anarchy, mas estamos a ver começar um legado a ser construído.

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Johnny ‘Coco’ Cruz (Richard Cabral), Ezekiel ‘EZ’ Reyes (JD Pardo), Angel Reyes (Clayton Cardenas) e Leticia Cruz ( Emily Tosta)

Mayans M.C. não deixa o enredo estagnar completamente, e começamos a sentir a pressão aumentar entre o Cartel de Galindo e Los Olvidados, enquanto Galindo e Adelita brincam ao gato e ao rato pela vida de Cristobal, filho de Galindo. Outro local onde a dúvida é uma constante é na própria sede do M.C., onde Bishop começa a desconfiar cada vez mais que Coco é o traidor. Somos também apresentados no final do episódio com uma cara bastante familiar, já vista em Sons of Anarchy. Sem querer revelar muito, parece que a “panela vai ferver ainda mais”.

A nível técnico Gato/Mis tem algumas falhas. Os planos de câmara não são fantásticos e podem incomodar o espectador. No entanto, no que diz respeito às cenas de ação, juntamente com o guião, enredo e realização, a equipa teve um fantástico trabalho.

Gato/Mis é um episódio importante para a série porque deixa o espectador respirar e descontrair de toda a ação frenética, intrigas e traições. É um episódio íntimo e que desenvolve bastante bem os personagens. Todos os membros do elenco agem de forma natural e demonstram um à-vontade fantástico, de tirar o chapéu especialmente a Edward James Olmos, JD Pardo e Ricard Cabral, pelas suas fantásticas performances não só em Gato/Mis, como ao longo da série. Quem também está de parabéns é Félix Enríquez Alcalá pelo episódio inesperado (pela positiva), que se assegura como o melhor da temporada até à data.

Podem ler o nosso Frame By Frame anterior de Mayans M.C. aqui.

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Gato/Mis trata dos laços familiares de uma forma incrível e inesperada, com um episódio lento no desenvolvimento do enredo, mas que compensa com histórias pessoais e um desenvolvimento de personagens incrível.

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