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Atypical – Season Finale – 2ª Temporada

atypical season finale

PODE CONTER SPOILERS DE ATYPICAL!

Estreou em 2017 e, ainda que não tenha sido publicitada em massa e passasse ao lado da maioria das pessoas, o certo é que aos poucos, Atypical foi conquistando o público que decidiu dar uma oportunidade à série.

Com o autismo como pano de fundo, depressa surgiram críticas extremamente positivas devido à maneira como o mesmo era abordado, com realismo e verdade. Isto deve-se não só ao maravilhoso argumento, como também à interpretação dos atores, nomeadamente Keir Gilchrist, que se atirou de cabeça ao seu Sam e entrou nos nossos corações desde o primeiro minuto.

Neste segundo ano, Atypical vai ainda mais fundo nas questões, agora que o protagonista decide que quer ir para a Universidade, algo que lhe traz não só ansiedade, como grandes mudanças. Provando, mais uma vez, que os outros personagens vivem por si só, vemos a sua irmã, Casey (Brigette Lundy-Pane) lidar com todos os problemas que vêm da sua nova escola, assim como os seus pais lidarem com a traição que aconteceu no casamento.

O MELHOR

Sem dúvida, Sam. O rapaz é a alma da série e o ator é soberbo na sua performance. A adição ao grupo de apoio para jovens autistas, assim como a introdução de outros atores autistas, só melhora a narrativa, trazendo algo tão verdadeiro, que é impossível não emocionar. Os diálogos, a maneira como nos mostram através de coisas tão simples a maneira como vêm o mundo, tudo funciona de uma maneira tão bonita e acertada, que realmente passamos a ver esta doença de outra forma.

As novas personagens que surgem são também uma parte positiva desta 2ª temporada, sendo todas elas bem desenvolvidas e aproveitadas ao longo dos capítulos, fazendo a história evoluir. Desde a professora Whitaker (Casey Wilson), Izzie (Fivel Stewart) até Nate (Graham Phillips)… todos eles, de uma maneira ou de outra, trouxeram-nos bons momentos e ação às personagens regulares.

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Não podemos deixar de falar também da amizade entre Zahid (Nik Dodani) e Sam. Se calhar mesmo o melhor que estes episódios nos apresentaram. Mesmo que na nossa visão, o muçulmano seja apenas alguém com ideias e formas de ver a vida não tão aconselháveis, o certo é que ele fez com que o amigo experimentasse outras coisas e se abrisse a a situações que lhe causavam medo e desconforto. Ao longo da temporada, também nos apercebemos o quanto foi amadurecendo e crescendo com tudo o que ambos viveram juntos. Muito bom plot!

O enredo de Elsa (Jennifer Jason Leigh) e Doug (Michael Rapaport) também lidou da melhor forma com a traição. Muitas das vezes, esta é abordada de uma maneira apressada, com consequências extremas e, aqui, tudo respirou. Nunca caiu em clichés, cada um dos envolvidos foi manuseando a situação conforme o seu coração dizia e também aqui, foi muito bom ver como a mãe cresceu com tudo e nos foi conquistando aos poucos. Errar é humano e cabe a cada um, ter o poder de perdoar ou não.

Casey também foi confrontada com grandes mudanças no seu quotidiano e foi interessante de ver. É uma adolescente de 16 anos, às vezes concordamos com ela, outras não. O seu namoro com Evan (Graham Rogers) foi evoluindo, as cenas entre os dois eram MUITO fofas, assim como o nascer da amizade dela com Izzie. Ainda assim, houve algo que não concordei muito nesta narrativa. Falarei já de seguida…

Destaque ainda para a banda sonora que continua no ponto, assim como toda a fotografia e realização.

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O PIOR

Neste campo, só tenho mesmo a apontar o caminho que a irmã de Sam parece seguir. É certo que é uma miúda a descobrir-se, mas parece um bocado forçado tudo que lhe acontece no que respeita à sexualidade. É surpreendente sim, mas não deixa de ser estranho. Fazer com que torçamos por vê-la com o “namorado perfeito” e depois, terminamos a vê-la com uma miúda com quem parece não ter química… curioso para ver como vão seguir com isto!

Atypical fortalece tudo aquilo que de bom teve na sua temporada inaugural e conquista-nos completamente. A analogia que Sam faz de tudo o que acontece consigo e à sua volta através da vida dos pinguins é maravilhosa e só nos permite perceber como ele se sente e como realmente vê o mundo.

Autistas não são nem mais nem menos que as pessoas ditas “normais”. São diferentes. Não é o protagonista que se sente perdido muitas das vezes. São todos os outros. É a irmã que não sabe o que fazer, são os pais que vão tentando resolver o erro, são os amigos que tremem com os dramas que lhes vão acontecendo, até a psicóloga está com a vida ao contrário. Sam prova que está pronto para enfrentar o mundo adulto. Com mais ou menos dificuldade, tal como todos nós.

Leve, bonita e confortante, é daquelas séries que deveria ser obrigatória. Acabar com todas as mentiras e com a estranheza com que se vê o autismo e deixar-nos com um sorriso na cara (ou uma lágrima no canto do olho) volta e meia. Venha de lá a renovação!

ESTADO DA SÉRIE: STAND-BY 

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Atypical fortalece tudo aquilo que de bom teve na sua temporada inaugural e conquista-nos completamente. A analogia que Sam faz de tudo o que acontece consigo e à sua volta através da vida dos pinguins é maravilhosa e só nos permite perceber como ele se sente e como realmente vê o mundo. 

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