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Sara – 1×01 – Episódio 1

Sara - 1x01

Uma actriz que desaprende o talento maior: chorar. Sara é uma série trágico-cómica saída da mente de Bruno Nogueira e realizada por Marco Martins.

Em meados de 2018 a série foi apresentada ao público no IndieLisboa no Grande Auditório da Culturgest. Aí foram exibidos os dois primeiros episódios que obtiveram boa recepção da parte do público. No entanto, o derradeiro teste chegou no passado Domingo, quando o primeiro episódio estreou na RTP2.

Sara – Sinopse

Sara Moreno (Beatriz Batarda), é uma actriz de cinema conhecida pela sua capacidade em desempenhar papéis dramáticos e pela facilidade de chorar. Com a doença do pai, deixou de ser capaz de o fazer e, perante este “síndrome do olho seco” vê-se forçada a aceitar um papel numa novela. Algo que irá transfigurar a sua vida.

Este conceito é novo, simples e ao mesmo tempo actual. Numa altura em que as novelas ocupam uma gigantesca parte do horário dos canais televisivos e o cinema, por romântico que seja, não é a melhor opção para pagar as contas. E é exactamente isso que acontece com Sara. Depois de “bater com a porta” no filme que estava a rodar devido aos problemas supramencionados, Sara precisa de continuar a trabalhar e a opção que resta é a novela. Uma oferta que não pode recusar.

Sara 1×01

Neste primeiro episódio temos uma apresentação global da personagem que da o nome à série. Mas mais importante que isso, é apresentado o contexto em que ela está inserida. Uma estrela do cinema nacional, Sara é requisitada pela suas características muito particulares: capacidade dramática e choro fácil. Infelizmente, o choro secou e as dificuldades de Sara em lidar com isso levam a um choque com o realizador do seu filme, Morais (José Raposo), e toda a sua equipa.

Sara não consegue chorar nas filmagens do seu novo filme.
Sara não consegue chorar nas filmagens do seu novo filme.

Júlia (Rita Blanco), amiga próxima de Sara, “resgata-a” do local das filmagens e tenta encorajá-la. Porém Sara está para lá do ponto em que o encorajamento básico funciona. Está na mais profunda das desilusões com a sua arte.

Em busca de orientação, vai até ao seu Agente (Albano Jerónimo). Um personagem, no mínimo, peculiar mas que lhe apresenta um escape. Escape esse que, nas palavras do próprio, não é perfeito, mas paga as contas: fazer novela.

Desagradada, inconformada até, mas sem opção, Sara está forçada a aceitar.

Está assim dado o mote para os restantes 7 episódios de uma série que alguns críticos apontam a que venha a ser uma das melhores séries nacionais de sempre. Será? O potencial está lá…

Conclusão

Se a série se revelar um flop, não será certamente pelo elenco. Beatriz Batarda, uma referência no cinema nacional, mas uma cara relativamente fresca para o público televisivo, é exactamente aquilo que se esperava dela: irrepreensível, credível, arrebatadora e cativante. Neste episódio é ela que nos “agarra” ao ecrã e só nos larga no genérico final. Para um público de televisão habituado à insalubridade brejeira das actrizes de novela, fazia tão bem uma Beatriz Batarda de vez em quando… Temos também Rita Blanco e Albano Jerónimo em boa forma. A estes nomes certamente se irão juntar outros que ainda não apareceram no ecrã neste episódio.

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Em termos técnicos e estéticos é uma série com a marca pessoal de Marco Martins. Um dos realizadores nacionais com uma capacidade estética mais admirável e que quem já viu coisas como Alice ou São Jorge identifica perfeitamente. As cores e os grandes planos que aumentam a carga dramática estão todos lá, nos momentos certos, a envolver o espectador no produto final. Nada a apontar… Venha o próximo episódio.

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