Cinema Críticas

Crítica: Eighth Grade (2018)

Título original: Eighth Grade

Título: Eighth Grade

Realizado por: Bo Burnham

Elenco: Elsie Fisher, Josh Hamilton, Emily Robinson

Duração: 93 min.

Kayla (Elsie Fisher) é uma rapariga americana de 13 anos, o que significa que qualquer dia é ou o melhor ou o pior dia da sua vida. Ela mora com o seu pai (Josh Hamilton) e, apesar dos vídeos de auto-ajuda no YouTube em que ela mostra grande confiança, é uma rapariga pacata na sua escola e um pouco rebelde com o seu pai. O seu quotidiano é um campo minado de crises de popularidade, amores não correspondidos e tédios constantes que a fazem imergir nas profundas águas das redes sociais.

Eighth Grade, dirigido por Bo Burnham , é um filme francamente espirituoso e honesto sobre a vida de qualquer adolescente. A procura constante pela aprovação através de uma vida eletrónica e a clara desconexão que a maioria dos jovens passam, retratando a perfeição com uma ironia esmagadora.

Ao contrário de outras histórias que se passam nas escolas americanas, o filme explora de forma precisa a jornada dos estudantes para se tentarem descobrir e encontrarem a sua identidade, principalmente com todos os momentos difíceis, dolorosos, triunfais e de esperança que encontram nesta fase da vida. Nós, os espectadores, vemos a luta de Kayla quando ela procura criar alguém que não é. Como se fosse um filme de terror, cheio de cenas monstruosas que a ameaçam em todos os ângulos, o filme é também um tour de force genuinamente cómico, que nos faz rir de muitas situações desconfortáveis.

A atriz Elsie Fisher dá-nos um manifesto triunfante para todos aqueles que se sentiram desconfortáveis, incompreendidos e, de certa forma, maltratados num momento em que só queriam ser compreendidos. Kayla é questionada sobre os seus hábitos e estilo de vida por alunos do ensino médio que mal conhece, que fazem parte de uma geração completamente diferente. Devo confessar que me senti como um pessoa velha. Faz-nos pensar sobre aquela lacuna entre gerações que poucos anos podem criar, usando exemplos de redes sociais que não existiam e aludindo que estas tiveram um grande impacto nas suas vidas. Nesse sentido, Eighth Grade difere de outros filmes sobre adolescência que demonstram a aceleração cultural que caracteriza a nossa sociedade contemporânea.

Kayla tenta estar na terra de ninguém, que é a escola secundária. Ela é muito consciente da hierarquia da popularidade, ela sabe de que rapazes e raparigas gostava de ser amiga, mas não consegue explicar por que eles a rejeitam constantemente. Então, detectamos uma incongruência de valores: Kayla não consegue identificar o que importa para as pessoas da sua escola, mas, o que é mais importante, os seus próprios valores ainda não estão claros e bem definidos. É cativante vê-la a tentar definir-se, identificando as qualidades que deseja ter ou pesquisar os seus potenciais amigos.

Embora o filme tenha uma narrativa menos boa, Bo Burnham faz do roteiro uma peça vital no seu desenvolvimento, alcançando um feito impressionante ao manter uma linha entre o ridículo e a empatia: consegue fazer-nos rir da imaturidade. Crianças que brincam de adolescentes e adolescentes que brincam de adultos, lembrando-nos da importância que atribuímos a essa idade.

Trailer | Eighth Grade

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