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Maniac – Season Finale – 1ª Temporada

Maniac Season Finale

Cary Joji FukunagaEste é um nome que dificilmente muita gente irá reconhecer logo de imediato; no entanto, este é uma personalidade que foi dando provas do que é capaz de fazer. Para começar, foi produtor executivo e realizador da soberba primeira temporada de True Detective; produziu, escreveu e realizou o filme Beasts of No Nation, a primeira longa-metragem original da Netflix; serviu de produtor executivo da minissérie The Alienist (papel esse que irá retomar para The Angel of Darkness, a série que serve de sequela para a anterior); esteve a cargo do guião de IT; e isto sem esquecer que foi recentemente eleito para realizar o 25º filme do James Bond! Neste ano, Fukunaga volta a juntar forças com o famoso serviço de streaming para escrever, produzir e realizar Maniac, uma adaptação americana da série norueguesa do mesmo nome.

Nesta, Jonah HillEmma Stone são dois estranhos que se inscrevem para testar um novo produto farmacêutico que, se tudo correr bem, vai eliminar quaisquer necessidades para terapias. No entanto, as coisas acabam por dar para o torto.

O MELHOR:

É caso para dizer que Fukunaga has done it again!

Não são todas as séries que nos fazem questionar a nossa sanidade, a nossa própria percepção sobre a realidade do mundo à nossa volta. Logo nos primeiros episódios, Maniac consegue atingir essa proeza única. Fukunaga conseguiu construir um mundo pessimista e desprovido de uma palete de cores berrantes que só começa a ganhar vida própria quando começamos a espreitar as mentes das cobaias (more on that later). Apesar de a série não oferecer uma clara cronologia, temos a leve ideia de que estamos num mundo não muito distante do futuro, em que robôzinhos andam por aí a limpar as ruas de todas as sujidades, pessoas são obrigadas a aguentar publicidades para poderem pagar o que precisam… A série também mostra um mundo isolado, em que interações humanas são tão mínimas (ao ponto de haverem serviços personalidades para interagir com “amigos” ou “cônjuges”. Um mundo péssimo que não deixa de ser assustador pelo simples facto de podermos estar a andar por esse mesmo caminho.

Mas a série também não tem receio de abordar duras questões relacionada com a saúde mental, uma área particular que muitas poucas séries ou filmes conseguiram capturar de forma fiável e capaz de causar ressonância com o público. Maniac consegue satisfazer esse critério ao focar-se em duas pessoas em particular. Por exemplo, o primeiro episódio centra as suas atenções em Owen Milgrim (Hill), o mais novo membro de uma das famílias mais poderosas americanas e que se vê “entre a espada e a parede” para poder proteger o seu irmão mais velho, Jed (Billy Magnussen). No entanto, Owen também sofre de esquizofrenia, o que regista maioritariamente em situações como “estalar de pipocas na via pública” ou “ver uma versão de Jed como um agente secreto”. Jonah Hill é um ator que estamos habituamos a ver em papéis mais exagerados ou com uma personalidade que salta à vista; aqui, temos um Hill assustadoramente mais magro e também mais “desligado” de emoções, uma fuga ao que já nos habituámos a ver do ator.

O segundo episódio muda a perspetiva para Annie Landsberg (Stone), uma jovem que, de forma a poder lidar com um trauma do seu passado, recorre ao consumo de drogas para conseguir enfrentar o resto do dia. Dos dois atores – que se reúnem 11 anos depois de contracenarem em Superbad – Emma Stone revela mais emoções, ao mesmo tempo que esconde as suas fragilidades. Isoladamente, os dois atores possuem aqui trabalhos espantosos, mas a série começa a ganhar a sua própria quando as circunstâncias começam a juntar os dois, inicialmente de uma forma menos calorosa mas que se vão aceitando aos poucos.

E reparamos que ambos conseguem desdobrar-se em vários géneros diferentes assim que começam os testes farmacêuticos. E aqui vai o ponto diferencial de Maniac: não se foca meramente num único género. Por exemplo, temos direito a uma sequência típica de um filme de comédia dos anos 80 (juntamente com estilos de penteado da época), uma aventura em plenos anos 40, uma fantasia élfico, um drama sobre mafiosos, um sci-fi thriller… Há de tudo um pouco para poder apreciar em Maniac, ao mesmo tempo que os 10 episódios nos convidam a tomar-se especial atenção aos vários detalhes que vamos encontrando, como se tivéssemos de prestar uma atenção cuidada aos vários padrões existentes.

Felizmente, a série não se foca apenas em Owen e Annie, uma vez que vamos também encontrando outros personagens que vão ganhando o seu devido destaque, tais como: o Dr. James Mantleray (Justin Theroux), o líder do projeto farmacêutico, também ele com um transtorno mental patente; a Dra. Azumi Fujita (Sonoya Mizuno), a parceira de Mantleray (em mais do que um sentido); e Greta Mantleray (Sally Field), a mãe de James Mantleray, com quem possui uma relação, no mínimo, complicada.

O PIOR: 

Maniac é, na falta de melhor palavra, única.

Como tal, a sua identidade única torna-a numa minissérie rara entre tantas. No entanto, o estilo de Fukunaga pode não agradar a muitos. E é possível ver isso na forma como tenta amealhar vários géneros num só produto audiovisual, o que poderá deixar muita gente agradada, mas com um grave problema de confusão.

Outro grande problema de Maniac é também o problema que assola muitas séries de hoje em dia: o ritmo. A duração de 10 episódios não a torna tão enfadonha como uma série de 13, 18 ou mesmo 24 episódios. No entanto, considerando o conteúdo disposto, fica a ideia de que a minissérie teria beneficiado de um corte de episódios considerável, pelo menos para poder contar a sua história de uma forma fluída e sem perder o conteúdo essencial.

No fim do dia, Maniac revela-se como uma entrada interessante nos currículos de Fukunaga, Hill Stone, além de se tornar num título a não perder para os donos de uma subscrição da Netflix! Agora, considerando o final obtido, por favor, não a renovem!

Estado da série: STAND-BY

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Average Rating

Cary Joji Fukunaga regressa à Netflix com Maniac, uma minissérie, no mínimo, bizarra, mas que conta com performances multifacetadas de Jonah Hill e Emma Stone, além de uma análise a fundo sobre a mente humana e a nossa necessidade de criar elos com quem se encontra à nossa volta.

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