Cinema Críticas

Crítica: The Children Act (2017)

Título: A Balada de Adam Henry

Título Original: The Children Act

Realizador: Richard Eyre

Elenco: Emma ThompsonStanley TucciBen Chaplin, Fionn Whitehead, Jason Watkins

Duração: 105 minutos

Nem toda a genialidade de atuação de Emma Thompson consegue carregar a adaptação ao cinema de The Children Act o último livro de Ian McEwan (a anterior tinha sido Na Praia de Chesil).

A juíza Fiona Maye (Emma Thompson) é-nos apresentada no meio dos processos judiciais mais complicados que poderíamos imaginar. Com a decisão da separação de gémeos siameses, que resultará na morte de um dos bebés, percebe-se logo o tipo de casos que a juíza lida diariamente. Fiona é, sem dúvida, inteligente, sofisticada, completamente dedicada ao que faz mas, contudo, percebe-se que tem um lado muito humano e sensível.  Das poucas vezes que demonstra ficamos com a perceção de como estas decisões impactam a sua vida pessoal. Simultaneamente, o seu casamento com Jack (Stanley Tucci) está a desmoronar-se. Numa das tiradas mais inteligentes do filme, vemos Jack, numa última tentativa de salvar o casamento, sair frustrado de cena enquanto Fiona lê em voz alta “o coração do Michael é normal e mantém os dois” numa alusão aos gémeos siameses, mas que parece descrever o seu casamento na perfeição, com Jack sendo o coração que mantém viva a relação dos dois.

Precisamente no meio da maior confusão pessoal na vida da juíza aparece-lhe o processo de Adam (Fionn Whitehead). Um rapaz de 17 anos que precisa urgentemente de uma transfusão de sangue para sobreviver aos tratamentos de leucemia a que está sujeito, e que se recusa por ideologias religiosas. É com a resolução de mais este processo,  que a juíza dá o seu veredito e salva a vida de Adam, que o filme se começa a perder. As ideologias discutidas, religião vs. ciência, o lado público vs. lado privado destas figuras com grandes poderes, são temas com grande historial que dariam para ser mais coerentemente explorados, ao invés do caminho ilógico de Adam virar stalker da juíza. Nada que consiga ofuscar o brilhantismo de Emma Thompson, pois é precisamente quando o filme se perde quase por completo que ela brilha mais.

Na simplicidade e força do olhar da juíza – pela realização de Richard Eyre quase sempre focada no rosto de Emma Thompson, vê-se quase todas as nuances que as escolhas e decisões que toma a afetam e deixam marcas. Seja ao piano, na aparente calmaria da sua casa, ou sentada a relatar as suas decisões em tribunal, o que percebemos ao ler o rosto de Fiona é precisamente as consequências que tudo o que faz na vida tem para ela.

Em suma, The Children Act promete muito e cumpre em pouco, sendo que o que se salva é o que já se sabia à partida e nem a genialidade de um nome sonante consegue levar a bom porto um filme que não se sustente com uma boa história.

Trailer – The Children Act

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