Cinema Críticas

Crítica: The First Purge (2018)

The First Purge

Nome: The First Purge
Título Original: The First Purge
Realização: Gerard McMurray
Elenco: Y’lan NoelLex Scott DavisJoivan WadePatch DarraghMarisa Tomei
Duração: 
98 minutos

The Purge é um daqueles filmes que jamais pensaríamos que se tornasse num sucesso de bilheteira. Apesar de contar com uma premissa interessante – uma vez por ano, durante um período de 12 horas, todo o tipo de crimes, inclusive assassinato, tornam-se legais – jamais pensaríamos que se justificasse uma sequela que seja. O resultado? Duas sequelas e uma minissérie da USA Network que estreou este ano. Este ano também foi o ano de estreia desta prequela à saga no seu geral, apropriadamente intitulada The First Purge!

Iniciamos o filme com os New Founding Fathers of America – ou NFFA, para abreviar – a subir ao poder como alternativa política aos republicanos e aos democratas. Como uma maneira de cimentar o seu poder, a NFFA decide fazer uma experiência social (que mais tarde ficaria popularizada como a Purge Night), com Staten Island, Nova Iorque, a servir de palco onde, durante as ditas 12 horas, todo o tipo de crime torna-se legal. Todos são convidados a não participar nesta experiência “revolucionária”; no entanto, os que ficarem, mesmo que não participem, recebem uma compensação monetária de 5.000 dólares, com extra garantido para quem purgar.

Na indústria cinematográfica, sequelas e prequelas estão praticamente na ordem do dia. Por vezes, estas ferramentas acabam por ser bem sucedidas, quer em termos de bilheteira, quer pela receção por parte dos críticos da especialidade, quer pelos fãs. Infelizmente para os fãs mais leais de The PurgeThe First Purge não é um desses casos! Para começar, para quem acompanhou os filmes com uma onça de atenção, terão reparado em alguns detalhes sobre as origens da Purge Night que parecem familiares. E isto acontece porque alguns destes conceitos já tinham sido mencionados nos filmes anteriores. E os novos detalhes que o filme apresenta revelam-se como verdadeiramente supérfluos. Precisávamos mesmo de saber o porquê de as pessoas disfarces cada vez mais loucos sempre que está na hora da purga? Precisávamos saber mesmo as implicações psicológicas das ações das pessoas comuns? Obviamente que não; e ainda assim, são respostas desnecessárias sobre o mythos que a série nos teima a oferecer.

Para um filme que se insere na vertente do terror, torna-se um insulto como The First Purge não consegue puxar por essa vertente. Mesmo as cenas mal iluminadas possuem aquela falsa tensão de fio a pavio; os jump scares podem ser vistos a milhas de distância, inclusive. Ou seja, esta prequela está mais direcionada para a vertente da ação desmiolada e gratuita. E mesmo esta vertente fica a perder tirando algumas exceções.

James DeMonaco tem sido, consistentemente, a mente por detrás da saga, tendo escrito e realizado os três primeiros filmes que, apesar de não serem verdadeiras obras de arte, conseguiram entreter. Para esta prequela, DeMonaco tentou uma nova abordagem, desta vez optando por um guião repleto de referências socio-políticas da atualidade, tais como as más condições de vida das comunidades mais empobrecidas, especialmente a comunidade afro-americana, os vários bitaites à era Trump, entre outras. O simples facto de tomar uma posição política já acaba por prejudicar o filme, com este guião como o mais fraco de DeMonaco escreveu sobre The Purge, no geral. E não é apenas isso: o relativamente novato Gerard McMurray assume as rédeas na realização. Apesar de contar com alguns títulos interessantes no currículo – foi um dos produtores associados de Fruitvale Station – o seu sentido de realizador não podia ser encontrado em lado nenhum.

Nem mesmo o leque de personagens do filme – que foram constituídos, na sua maioria, por atores das comunidades afro-americanas e latino-americanas – não possuem qualquer carisma. Quase todas elas cumprem com arquétipos típicos deste género de filme e as suas motivações para purgar ou não purgar não são convincentes o suficiente, ou não possuem uma personalidade consistente para nos fazer torcer pela sua sobrevivência.

Em suma, The First Purge surge como uma grande mancha negra nesta saga que, surpreendendo tudo e todos, acabou por alcançar uma popularidade inimaginável. E considerando que os filmes anteriores não foram assim tão extraordinários, esta prequela já diz tudo o que precisamos de saber: é preciso purgar The Purge, de uma vez por todas!

Trailer: The First Purge

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