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The Dragon Prince – Season Finale – 1ª Temporada

The Dragon Prince

Durante uma das minhas buscas por novas séries para ver, deparei-me com um título que despertou o meu interesse. The Dragon Prince surgiu-me do nada, e desde que assisti ao teaser que decidi seguir. Uma série promissora, produzida pela gigante do streaming Netflix, e que conta com Aaron Ehasz como co-criador e argumentista?! I’m in for the ride, baby! É certo que fiquei extremamente excitado com a série, mesmo antes de ver qualquer episódio, mas nada me conseguia preparar para o que estava prestes a assistir…

O Melhor:

The Dragon Prince conquista qualquer um pela sua simplicidade. Desde o argumento até à animação, The Dragon Prince é humilde e sabe utilizar as doses certas de cada elemento para o seu sucesso. Somos apresentados com uma história despretensiosa e, no entanto, muito íntima e única. Conhecemos personagens exóticos e fisicamente aptos, e também aqueles que preferem utilizar o seu intelecto para travar as suas batalhas. Conhecemos reis que são assombrados pelos seus feitos passados, assassinos com uma mão branda e príncipes que preferem uma boa tarte de geleia do que as responsabilidades do trono. É uma série culturalmente diversa e apropriada, que toma lugar num mundo fantasioso com um enorme potencial. Ouvimos histórias das terras mágicas de Xadia e exploramos as incríveis paisagens de Katolis com o trio mais improvável de sempre. É uma história épica e modesta, mesmo como só Aaron Ehasz nos sabe contar!

Para se aliar a esta enchente de bem-dizeres, The Dragon Prince conta também com prestações incríveis por parte do elenco que dá voz aos personagens. Callum, Ezran e Rayla são o trio principal, interpretados por Jack De SenaSasha Rojen e Paula Burrows, respetivamente. Os três profissionais têm um papel divinal, especialmente Paula Burrows, que dá um toque especial e único a Rayla com o seu sotaque escocês. São personagens principais carismáticos e leais ao espectador, e partilham as suas forças e fraquezas com o mesmo. O vilão, interpretado por Jason Simpson, é admirável, perspicaz e mostra-se um personagem superior e caprichado com as maneiras de como alcança os seus objetivos. Todos os personagens são únicos à sua maneira, e contam com personalidades bastante distintas e divertidas ao interagirem mutuamente. The Dragon Prince segue os caminhos corretos quando aposta no desenvolvimento e empatia dos personagens, não deixando cair a qualidade do enredo, que leva o espectador pela mão numa viagem sensacional pelas maravilhosas terras de Katolis.

Um ponto mais delicado é a animação: conversando com alguns colegas meus, todos eles me dizem que a animação não está correta, que encontram demasiados erros ou que algo os incomoda ao assistirem aos episódios. Pessoalmente achei estranho, pois rendi-me à animação desde o primeiro minuto. Após alguma pesquisa, descobri que The Dragon Prince foi gravado com uma frame rate inferior à convencional das animações. Mas porquê? Porquê aliar uma técnica utilizada em desenhos 2D antigos com o 3D numa série animada? É aqui que os artistas encarregues pela animação têm a sua jogada de génio. A utilização de uma frame rate inferior é muito comum tanto em cartoons antigos, assim como na origem do anime japonês. A técnica, aliada à utilização do 3D para a criação do meio ambiente, faz com que os personagens sejam perceptíveis em qualquer momento da animação, e o foco da atenção do espectador, dando ênfase aos movimentos e expressões dos mesmos. Os personagens são completamente perceptíveis e incrivelmente bem desenhados, movem-se em maneiras que mostram a sua personalidade, os seus sentimentos perante o mundo e a sua relação com outros personagens; é um nível de excelência técnica muito dificil de alcançar, e que a equipa não demonstrou quaisquer problemas em concretizar. Ao utilizarem uma frame rate menor, os artistas pretenderam aproximar a animação a um motion-capture, muito utilizado nos primórdios de Hollywood. É um golpe de génio, que ao início é difícil de engolir, mas que acaba por fazer as delícias dos espectadores, trazendo os velhos costumes para a televisão moderna, dando um suave toque nostálgico a uma série completamente nova.

O Pior

Ao longo da série vamos conhecendo cada vez melhor os personagens, as suas motivações, os seus objetivos e os seus medos, mas muita desta exposição dá a sensação de ser forçada. Em alguns momentos considerados inoportunos, o espectador é enxovalhado com informações sobre os personagens, que acabam por queimar uma ponta solta do enredo que se virá a desenrolar rapidamente. Apesar de serem conteúdos relevantes quer para o desenvolvimento dos personagens como para o enredo, a exposição de informação faz parecer que a série não teve o tempo que necessitava para expor toda a sua história.

The Dragon Prince é uma viagem emocional por um novo mundo inexplorado pelo espectador, com personagens exóticos e carismáticos. Embarcamos numa aventura épica com um trio de amigos improváveis, numa mitologia rica em magia e maravilhas, que nos transmite uma mensagem universal e, ao mesmo tempo, íntima. The Dragon Prince é um conto fantástico criado especificamente para espectadores sonhadores, sejam eles adultos ou crianças.

Estado da série: RENOVADA

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The Dragon Prince é uma surpresa na animação moderna, que alia técnicas antigas à tecnoligia atual. Conta com uma animação incrível, enredo envolvente e personagens encantadores e fascinantes.

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