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Suits – 8×09 – Motion to Delay

Suits

CONTÉM SPOILERS!

Estamos de volta e Zane Specter Litt está prestes a entrar em colapso nervoso. Tommy Bratton explode com uma acusação de conspiração relativamente a Harvey e Robert, ao passo que Samantha e Alex envolvem-se numa rixa perigosa. Katrina vê-se cada vez mais embrenhada em temas do coração e todos entram em colisão para tentar fazer com que a empresa dure mais um dia.

Apesar de ser um episódio extremamente apressado e apetrechado de informação, Suits consegue provar que é na sua divisão que as personagens brilham por si mesmas. Mesmo não tendo todos o mesmo tempo de antena, o certo é que os diálogos são acutilantes e precisos, recheados de pequenos ataques frontais interessantes e que despoleta um sentimento de competitividade em todos.

O ritmo é inimigo da qualidade performativa, já que todos os atores são forçados nas suas interações, ainda que a narrativa consiga envolver o espectador. Há também um claro destaque de Amanda Schull, cuja personagem tem andado um pouco “â sombra da bananeira” agora que é oficialmente regular.

Costumamos dizer que nunca devemos misturar o profissional com o pessoal no nosso local de trabalho, mas a verdade é que afirmarmos isto é quase impossível, já que o nosso local de trabalho é onde passamos a maior parte do nosso tempo. Somos forçados a ter que lidar com pessoas, quer queiramos, quer não. Estamos constantemente em clima de pressão e insegurança, de esforço e dedicação; aceitarmos que a faceta pessoal não existe, é um erro grave. O ser humano é matéria de sentimento e emoção. Podemos tentar reprimir o quanto queremos, controlar até certo ponto, mas nunca conseguimos esconder na totalidade a maneira como isto afeta a nossa vida diária.

Seja por discussões ou por uma pequena paixoneta que se desenvolve em local de trabalho, o lado pessoal está quase sempre equivalente ao profissional. A cabeça e o coração estão sempre em sintonia para darmos o melhor de nós próprios e é importante que uma série consiga explorar com alguma emotividade esta questão.

O momento doce de Katrina revela precisamente as fragilidades do lado humano em função do lado máquina. Podemos ser um número em trabalho, mas somos pessoas. Somos seres dotados de razão e de alma. Nem sempre estão em sintonia e entram em conflito com frequência, mas é uma realidade e não dá para fugir dela.

Suits pode não ter encontrado uma forma fácil de explicitar isto, mas tentou na melhor das intenções. Ver também os conflitos internos força também o espectador a investir na novela que se vai adensando, apesar do episódio estar demasiado “cheio” de dilemas.

Explorar com calma estas nuances mais humanas seria uma técnica melhor do que a apresentada, mas pela tentativa, Suits fica a ganhar esta semana com um episódio pouco equilibrado, mas com o coração no sítio certo.

Leiam o nosso Frame by Frame anterior de Suits aqui.

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Suits tem um episódio tentador, mas não consegue criar o ritmo certo para que o espectador saboreie a sua mensagem subliminar convenientemente. Ainda assim acerta nalguns momentos onde cria tensão entre personagens.

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