Cinema Críticas

Crítica: Bleach (2018)

Bleach

Nome: Bleach
Título Original: Bleach
Realizador: Shinsuke Sato
Elenco: Sôta FukushiHana SugisakiRyô YoshizawaTaichi SaotomeMiyavi
Duração: 
108 minutos

A minha experiência de ver filmes live-action baseados nos meus animes favoritos da minha infância e adolescência tem sido, no mínimo, bizarra. Até à data, Rurouni Kenshin continua a ser aquela adaptação surpreende que fez a transição dos formatos literários e televisivos para o grande ecrã com graciosidade. O mesmo não posso aplicar a casos como Dragonball: EvolutionDeath Note ou mesmo Fullmetal Alchemistque, ora não conseguiram recapturar a magia dos mangasanimes originais, ora tomam desvios completamente diferentes ao material de origem. Portanto, tive uma leve apreensão quando Tite Kubo anunciou que o seu manga popular, Bleach, seria adaptado para o grande ecrã em formato live-action. No entanto, um mundo dominado por fantasmas, Hollows e Shinigamis, acoplado com um leque de personagens marcantes, é uma receita difícil de resistir. Desta forma, Bleach chegou no mês de Julho, tendo chegado a águas lusas esta semana, cortesia da crescente biblioteca da Netflix. Conseguirá este filme romper com esta maldição?

Para quem não conhece a história de Bleach, o filme acompanha Ichigo Kurosaki (Sota Fukushi), um estudante de 15 anos, de cabelo laranja e olhos castanhos. Ah!, e também fala com espíritos. Uma vida normal para Ichigo, pelo menos até ao dia em que conhece Rukia Kuchiki (Hana Sugisaki), uma Shinigami. E todo um conjunto de circunstâncias obrigam Ichigo a tornar-se, também ele, num Shinigami. Agora, dotado de novos poderes – e de uma espada ridiculamente grande – Ichigo defende a cidade da Karakura de quaisquer ameaças sobrenaturais.

Vou-vos ser franco: estava mesmo a pensar que Bleach fosse um verdadeiro fracasso, em todos os níveis possíveis. Portanto, o simples facto de se ter saído melhor em alguns elementos foi uma relativa surpresa. Por exemplo, os nossos personagens favoritos ganham vida através de um guarda-roupa saído diretamente do material de origem; os efeitos visuais também parecem indicadas para um blockbuster ao estilo nipónico; heck, mesmo os Hollows – claramente inspirados nos demónios que dominam o folclore japonês – ganham aqui um design único.

Num vasto leque de personagens familiares, o filme recai na relação evidente entre Ichigo e Rukia, e ambos os atores conseguem sobressair as suas melhores qualidades nos respetivos papéis. Especialmente Fukushi, que consegue capturar o viberufia com um coração” característico do personagem com uma fidelidade assustadora. Dentro das várias interações que este trava ao longo do filme, vemos de perto a dupla Ichigo-Rukia que, apesar de começar, claramente, com o pé esquerdo, mostra uma franca evolução, acabando por fazer a delícia dos fãs.

No entanto, Bleach cai exatamente na esparrela em vários aspetos. Considerando que o filme adapta o primeiro arco do manga, já se esperava que testemunhássemos um corte de conteúdos importantes. Infelizmente, isto também significou que vários intervenientes não tivessem o destaque devido. Personagens como Sado (Yû Koyanagi), Orihime (Erina Mano) ou Uryu (Ryô Yoshizawa), que conseguem ser bem complexos, ficam presos a estereótipos ou, pior ainda, como elementos cénicos do filme.

Bleach foi um manga que ficou caracterizado nos géneros de terror e ação. Ainda que seja compreensível a ausência de terror – muito porque estamos a falar de uma audiência que já não se assusta com tanta facilidade como dantes – mas a ação tinha a obrigação de corresponder às expectativas dos fãs e iniciantes. No entanto, o facto de grande partes destas cenas terem sido editadas ou mesmo ausentes não traz qualquer descanso.

Outro elemento fraco do filme reside no seu enredo. Sim, o guião teve a audácia de tentar algo de novo com o seu final; no entanto, fica a ideia de que Bleach não passa de um one-off, em vez de uma ponta de lança para um franchise promissor.

Em suma, Bleach revela-se como mais uma desilusão nesta indústria de adaptações live-action de animes populares.

Trailer: Bleach

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