Cinema Críticas

Crítica: American Animals (2018)

Título original: American Animals

Título: American Animals: O Assalto

Realizado por: Bart Layton

Elenco: Evan Peters, Barry Keoghan, Blake Jenner e Jared Abrahamson

Duração: 116 min.

Porque é que quatro estudantes universitários privilegiados decidiram, em 2004, realizar um violento assalto apesar da falta de experiência criminal? Esse é o mistério subjacente de American Animals, de Bart Layton, um cruzamento entre um filme de assalto e um documentário de crime real.

Este filme baseia-se numa história real de quatro jovens (Evan Peters, Barry Keoghan, Blake Jenner e Jared Abrahamson) que confundem realidade com ficção. Acreditando-se os protagonistas de um filme de roubo e ação, planeiam o roubo de um banco nos Estados Unidos. Uma história selvagem que mistura dinheiro, filmes e a busca pela identidade desses quatro assaltantes.

Bart Layton delicia-nos com uma série de entrevistas com quatro ex-presidiários enquanto narra a história de como eles acabaram na prisão. A viagem está em constantes mudança temporal que ajuda a dar mais profundidade às personagens. American Animals não diz apenas ao espectador que é baseado em fatos reais, mas que mistura a dramatização do que aconteceu com as histórias das pessoas que o viveram.

Para este filme de crime real, o escritor e diretor Bart Layton tenta um novo ângulo e consegue. American Animals é narrado pelos participantes reais do assalto, e é brilhantemente editado, trazendo camadas fascinantes para o processo.

O filme anterior de Bart Layton, o documentário The Imposter, conduz a perguntas pontuais sobre percepção, aceitação e verdade, e ele continua com esses temas (embora de uma maneira mais agradável à multidão). American Animals não só permite que os seus entrevistados às vezes se contradigam, como, ocasionalmente, os leva diretamente para a ação, junto com os atores que os estão a representar, de modo a sublinhar possíveis inconsistências na memória e na narrativa (aliás, o filme afirma que não é “baseado numa história real”; é uma história real).

Melhor ainda são as vitórias imaginadas, as cenas que se parecem com filmes de assalto tradicionais, mas com o conhecimento de um estranho; as cenas jogam contra o conhecimento das personagens e o conhecimento dos espectadores de maneiras fascinantes e diferentes.

American Animals provavelmente não teria funcionado se não fosse pelas ótimas atuações, especialmente pelas subtis e vulneráveis ​​Keoghan e Ann Dowd, esta última que traz grande medo e mágoa ao seu papel como bibliotecária. 

O filme finalmente captura o peso horrível de cometer um crime. Desta forma, American Animals não é apenas muito divertido, mas também fornece o que pensar.

Trailer | American Animals

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