Cinema Críticas

Critica: The Nun (2018)

The Nun

Nome: The Nun – A Freira Maldita
Título Original: The Nun
Realizador: Corin Hardy
Elenco: Demián Bichir, Taissa Farmiga, Jonas Bloquet
Duração: 136 minutos

Antes de The Conjuring ou Anabelle, temos a origem de tudo, que nos é mostrado neste novo capítulo da saga, que serve como prequel para perceber como Valak foi criado e veio ao mundo.

Desta vez sem o casal Warren, mas com Sister Irene (por Taissa Farmiga, que curiosamente é meia-irmã de Vera Farmiga – Lorraine Warren) e Father Burke, é feita uma investigação sobre uma morte misteriosa num mosteiro na Roménia.
Como auxilio têm Frenchie, um jovem viajante que era a pessoa encarrega de entregar mantimentos no mosteiro.

Com o desenrolar do filme, começamos a perceber que este tem tanto de promissor como desapontante.

O sucesso dos The Conjuring criou uma almofada enorme para The Nun brilhar. Para entrar de rompante nos charts de “must see” dos maiores fãs do género, mas ajudou sobretudo ao enorme sucesso que esta prequel teve a nível de marketing, deixando os mais indiferentes curiosos.

É triste ver a oportunidade de consolidar uma saga de terror a ser desperdiçada desta forma.

O primeiro factor para tal ter acontecido, foi a falta de criatividade.
Falta de criatividade para levar o filme do ponto A até ao B com uma história interessante, elaborada, mas acima de tudo, com fundamento. Quando começamos a assistir a sucessivas cenas de freira atrás de freira, padre atrás de tormentos do passado e do valak atrás de freiras, fica a sensação que o filme é um enorme jogo das caçadas com jump scare no final. Chega a um ponto que acaba por cansar.

Há duas provas concretas para justificar esta falta de criatividade crata.
Uma delas é a backstory de um exorcismo passado do padre que deu para o torto, remetendo-nos para mais um jogo de caçadas sem qualquer finalidade ou ligação com a história da origem de Valak. Ainda que possa ter sido um jogo de Valak para eliminar o Padre Burke do caminho, quando chega ao final do filme e ainda há uma insistência nisso, é extremamente inútil (visto que já se conhecia a real ameaça há algum tempo, por essa altura).
Outra foi a experiência falhada em misturar comédia com terror. O filme justifica bem a presença de Frenchie, mas a forma como ela nos é apresentada cria um anti-climax cringe worthy. Frenchie surge como a lufada de ar fresco que quem vai ver este género de filmes deseja para aliviar a tensão. No entanto, o que define um bom filme de terror, é a capacidade de deixar o público tenso e de coração nas mãos do início ao fim.
Pode-se dizer que Frenchie foi, assim, uma manobra comercial destinada à tentativa de apelar a uma público-alvo maior, quando na realidade teve o efeito oposto.

Apesar de o filme ter sido um fracasso no geral, teve pontos positivos – ainda que insuficientes para levar The Nun a bom porto.

A caracterização das personagens estava bem feita, principalmente a da Freira.
O mistério em torno das freiras que habitavam no mosteiro foi bem mantido do início ao fim e o facto do Padre ter ficado “preso” fora do convento até determinada altura do filme foi bem decidido, reforçando essa mistério.
Os sustos foram bem feitos e com timings muito bons, ainda que um pouco repetitivos a nível de carácter.
O final do filme foi bem pensado e encaixou várias peças na história da saga.
Para além disso, o início do filme foi óptimo!
A nível de acting, não foi brilhante, mas satisfez bem.

Ainda assim, o filme foi fraco. Bastava a simples decisão de fazer de Frenchie um bom rapaz (ainda que ingénuo) com algum sentido de humor como Brad em The Conjuring, em vez de o terem tornado num comediante corajoso e extremamente poderoso contra qualquer ameaça, tirando gozo de quase tudo o que o rodeava e todas as interações que tinha. Só isto já conferia a The Nun a intensidade suficiente para não parecer uma sátira a Valak.
Neste caso teríamos um filme razoável com uma história frágil, assim…

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