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Iron Fist – 2×01 – The Fury of the Iron Fist

Iron Fist

CONTÉM SPOILERS!!!

Em 2017, a comunidade de fãs da Marvel ficou dividida em dois grupos. Há quem defenda, com unhas e dentes, o potencial de Iron Fist neste universo da Netflix, uma vez que permitiu observar o lado místico do UCM, ao mesmo tempo que manteve os seus pés bem assentes no terreno. No entanto, a grande maioria condenou a chegada desta série como uma das mais fracas deste negócio ambicioso, não só através de um protagonista que ficou bastante aquém do desejado, mas também por incluir um subplot desinteressante e todo um arraial de sequências de combate elaboradas por amadores. No meu caso, pertenço a este último grupo. Portanto, podem imaginar o meu desagrado ao saber que o popular serviço de streaming decidiu renovar Iron Fist para uma segunda temporada. No entanto, havia um raio de esperança quando se soube que Scott Buck, o showrunner responsável pela primeira temporada – e também pela atrocidade conhecida como Inhumans – seria substituído por M. Raven Metzner (que poderão conhecer como o guionista de Elektra). E com a promessa de sequências de ação mais fidedignas, além de ter em conta o feedback negativo da temporada anterior, ficava a esperança de que Iron Fist poderia mostrar algumas melhorias.

Este primeiro episódio da segunda temporada mostra algumas dessas mudanças, felizmente. Mas serviram apenas de uma primeira amostra do que poderemos esperar da restante temporada.

Para começar, falemos do “elefante na sala”: Danny Rand (Finn Jones). Este foi o grande calcanhar de Aquiles da temporada anterior (é possível que todos vós se lembrem da velha lengalenga da temporada anterior). Exibiu algumas ligeiras melhorias quando participou em The Defendersmas continuava irritante e arrogante. Vimos um Danny Rand radicalmente diferente quando teve uma presença especial quando deu o ar de sua graça no episódio The Main Ingredient de Luke Cage este ano (já agora, podem consultar a nossa crítica aqui). Mas nesta segunda temporada? Bem, Danny continua a mostrar um lado arrogante de forma ocasional. No entanto, esta faceta é ofuscada pelo novo estilo de vida. Ao invés de viver como um ricalhaço que tem demasiado dinheiro para poder gastar, Danny deixa a sua vida corporativa (uma mudança positiva, a meu ver) para viver como um homem comum. Ao mesmo tempo, vigia as ruas de Nova Iorque (numa promessa feita na season/series finale de The Defenders) com as suas técnicas de combate impressionantes. O personagem ainda tem muito para melhorar – e, por ligação, Jones – mas nada impede que vejamos uma faceta mais negra e menos irritante no decorrer destes 10 episódios.

Mas Danny não faz o episódio sozinho. Também temos direito a voltar a apanhar Danny a desfrutar a sua relação amorosa com Colleen Wing (Jessica Henwick). Henwick foi uma luz no fundo do túnel numa primeira temporada muito obscura, mas não se pode negar que a atriz e Jones possuíam uma química palpável. Ainda que este elemento precise dum pouco de amadurecimento para nos fazer torcer por eles, fica mais que claro que este parece ser um dos casais mais consistentes das séries da Marvel/Netflix.

Ainda houve também espaço para uma troca de palavras entre Danny e Ward (Tom Pelphrey), se bem que esta foi executada sob a alça do humor que a série tanto precisou na temporada anterior. Mas Ward também tem direito ao seu próprio subplot, que anda à volta do seu sentimento de culpa quanto aos eventos anteriores e de tentar escapar aos seus vícios descontroladores. Felizmente, avizinha-se uma boa maré para o antigo rival de Danny, pelo menos considerando a presença de Bethany (Natalie Smith), a patrocinadora de Ward nos AA.

Este episódio também serviu para nos apresentar oficialmente a misteriosa Mary Walker (Alice Eve). Para quem sabe quem esta irá interpretar, só podemos rezar para o que Eve poderá trazer. No entanto, com este primeiro olhar, surgem-nos questões sobre aonde é que se irá inserir na trama principal. Resta esperarmos para ver.

No entanto, The Fury of the Iron Fist não está isento de problemas. Na temporada anterior, o drama familiar em redor da família Meachum era também uma área desinteressante. É uma pena, então, que este episódio não tenha retificado esta situação, agora com Joy (Jessica Stroup) a assumir uma veia mais antagonista que o normal. Embora ainda haja esperança para uma espécie de redenção (a julgar por algumas falas trocadas), o que dá a entender é que Stroup em modo vilã não esconde esse lado de uma forma bastante convincente. E já que falamos também de antagonista, Davos (Sacha Dhawan) foi uma surpresa na temporada anterior, especialmente considerando a relação “complicada” entre este e Danny. Por isso, é difícil de acreditar que se tenha optado por mostrar Davos como um novo antagonista.

E depois temos o problema com o enredo. Grande parte das séries conseguem delinear as suas intenções através dos seus season premieres. O mesmo não se aplica a Iron Fist. Temos a ideia de que os eventos finais de The Defenders deixaram um vácuo no submundo do crime, agora com gangues rivais a lutarem por domínio. Apesar disso, esta ideia não foi muito bem explorada.

Francamente, esperava que esta segunda temporada fosse uma espécie de reinvenção de Iron Fist, especialmente considerando a desilusão que foi a temporada anterior. O simples facto de não ter sido uma completa desilusão já mostra que esta temporada teve um início promissor. Vamos ver o que nos reserva os restantes 9 episódios.

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A segunda temporada de Iron Fist pode ter começado de uma forma morna, mas também não foi um verdadeiro fracasso.

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