Fear The Walking Dead Frame by Frame

Fear The Walking Dead – 4×12 – Weak

Se eu ficasse com amnésia, me mostrassem as duas metades desta temporada de Fear The Walking Dead e me dissessem que foram feitas pelas mesmas pessoas eu não acreditava. Se na primeira metade tivemos alguns dos melhores episódios que a série nos ofereceu em quatro temporadas, esta segunda metade está a ser tão boa como beber um copo de areia numa tarde quente de verão. Weak é mais um gole difícil de engolir.

Está mais do que claro que a narrativa desta segunda metade da temporada assenta na busca dos sobreviventes uns pelos outros depois da tempestade que os separou. Nada contra, aliás a tempestade foi até a “desculpa” que nos trouxe os eventos de “Close Your Eyes”, o melhor episódio desta segunda metade. Porém será que precisamos de tanta mastigada?

Weak: novo episódio, a velha tragédia

Os personagens continuam a cometer erros estúpidos que levam a que voltemos a ter de passar por filler episode em cima de filler episode. Até posso, com demasiado esforço, acreditar que efectivamente falhas acontecem, mas é difícil deixar de as ver como aquilo que são: elementos narrativos colocados ali deliberadamente para arrastar mais episódio.

São os pequenos detalhes que irritam. Al (Maggie Gracetem tudo o que é mais sagrado para si no seu camião blindado. Ainda assim ela e June (Jenna Elfman) abandonam-no com as chaves na ignição quando vão em busca de combustível e comida. Como se não bastasse, June, depois de recuperar o camião, deixar mais uma vez as chaves na ignição. Uma vez já é burrice extrema neste mundo pós-apocalíptico, mas duas vezes é uma demonstração de laxismo de Kalinda Vazquez (guionista) escrever este episódio que parece pedir um trocadilho com o título: Weak.

Dadas as circunstâncias do mundo em Fear The Walking Dead, dificilmente há um objeto de maior cobiça do que o blindado de Althea. É abrigo, é transporte e é fortaleza armada em simultâneo. É claro que ela o vai querer manter a todo o custo! Mas depois deixa as chaves na ignição?

Outra situação que não convence de todo é a doença súbita de Al bem como o engodo que ela usa para fazer June tentar recuperar o camião. A menos que a enfermidade de Al esteja ligada com um aparente envenenamento de água por parte daquela mulher misteriosa, o adoecimento dela cai do nada e nada acrescenta.

Mas nem tudo é mau.

Nem tudo são espinhos neste episódio. É verdade que temos aspectos positivos, como a estreia de Colman Domingo como realizador. Uma boa estreia. Ainda que a escrita não seja grande coisa o resultado visual final é interessante. Também Maggie Grace e Jenna Elfman têm prestações muito boas e demonstram uma boa química no ecrã. Estas três prestações (realizador e actrizes) garante que o episódio não seja um redondo falhanço.

A misteriosa mulher interpretada por Tonya Pinkins tem uma caracterização muito parecida com a da nossa velha conhecida Michone e o momento em que Morgan (Lennie James) esbarra com ela é quase caricato, se pensarmos nisso.

Outro aspecto interessante é que pela primeira vez vemos Al no papel de entrevistada e não de entrevistadora, quando June a interroga sobre o seu passado. É interessante ver a personagem a ser explorada, ela que até agora servira apenas só para sabermos o que tinha acontecido com o passado das outras personagens.

E agora?

Nesta fase apenas nos falta saber do paradeiro de John (Garret Dillahunt) e Victor Strand (Colman Domingo). Com quatro episódios para o final da temporada é uma questão de tempo até que o grupo se reúna e para que se dê o confronto com a vilã. Apenas me falta ainda interiorizar como é que uma mulher solitária será uma ameaça para um grupo como este. Espero sinceramente que Fear The Walking Dead tenha escondida uma grande surpresa com esta misteriosa mulher. É a única forma de salvar a temporada.

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