Mini-Reviews TV TV

Jack Ryan – Season Finale – 1ª Temporada

Jack Ryan

Alec BaldwinHarrison Ford. Ben Affleck. Chris Pine. Estes foram os atores que interpretaram Jack Ryan, um dos personagens mais conhecidos das inúmeras obras do falecido escritor Tom Clancy, no grande ecrã. Cinco filmes depois (Ford foi o único dos atores acima mencionados a retomar o papel mais do que uma vez), o personagem ganha nova vida através do formato televisivo, desta vez interpretado por John Krasinski, sob a orientação dos produtores Carlton CuseGraham Roland e sob o carimbo de qualidade da Amazon. Será o famoso analista/operativo ocasional da CIA teve uma boa receção?

O MELHOR:

Claro que todos os olhos dos fãs (quer dos livros, quer dos fãs da televisão norte-americana) estavam postos em Krasinski, que ficou bastante conhecido como o brincalhão Jim Halpert de The Office e que tem enveredado em papéis cada vez mais sérios (filmes como 13 Hours ou A Quiet Place saltam logo em mente). Se estavam apreensivos sobre como é que o ator se iria desenrascar no papel, podem ficar descansados; Krasinski é Jack Ryan! Durante oito episódios, acompanhamos Jack desde o momento em que descobre uma nova célula terrorista até ao inevitável desmantelamento. Mas não acompanhámos Jack apenas na sua nova vida como operativo no terreno; também tivemos direito a espreitar dentro da mente de Jack, da sua relação com o próximo, os seus próprios valores morais… sem esquecer também o ocasional bitaite lançado para efeitos humorísticos que não destroem a atmosfera da série. Se este ano tem sido a “prova de fogo” para Krasinski, então Jack Ryan serve de prova sólida para as suas capacidades como ator a ser levado a sério.

Mas Krasinski não está só como o melhor elemento da série. Wendell Pierce também merece o seu destaque como James Greer, o novo chefe do departamento de Jack. Embora a relação entre os dois se revele como inicialmente antagonista, os oito episódios de duração (uma franca vantagem que o formato televisivo possui sobre o formato cinematográfico) serviram para solidificar a relação entre os dois agentes da CIA. Isso e o facto de este também possui um histórico surpreendente, se bem que não tenha sido explorado a fundo.

Outro elemento que me surpreendeu pela positiva nesta primeira temporada foi o antagonista, Mousa bin Suleiman (Ali Suliman). Em vez de seguir pelos velhos estereótipos ligados à forma como os extremista do Médio Oriente estão caracterizados normalmente nos outros meios, Suliman mostra o seu Suleiman como um líder nato e carismático, capaz de manipular os seus seguidores para seguir os seus fins. No entanto, este também mostra um lado mais carinhoso, como um pai de família que toma as atitudes que toma para criar um “mundo melhor” para os seus filhos e mulher (Dina Shihabi). Ainda temos direito a um set de flashbacks que exploram todos os azares que Mousa e o seu irmão, Ali (Haaz Sleiman) passaram, desde a sua juventude trágica até às suas vidas adultas.

Considerando a temática contemporânea, podem esperar alguns momentos em Jack Ryan que nos lembrem os dias modernos. O espectro do Oeste vs. Médio Oriente que faz as manchetes das notícias mundiais, juntamente com a crise dos refugiados, além das cicatrizes causadas pela guerra (quer sejam físicas ou psicológicas), esperem alguns comentários subliminares desde o princípio até ao fim.

Jack Ryan também assume-se como uma série internacional, com locais de filmagens como Washington, D.C., Maryland, no estado de Virginia, Quebec ou Marrocos a darem o ar de sua graça.

O PIOR:

No entanto, há certos elementos em Jack Ryan que não funcionam. Por exemplo, seria inevitável que Jack conhecesse a sua alma-gémea, que toma a forma de Cathy Mueller (Abbie Cornish). No entanto, fica a ideia de que estas cenas, apesar de oferecem uma lufada de ar fresco no meio de tanta intensidade, ficam aquém do esperado. Este elemento ganha ainda mais força quando Cornish revela-se como uma adição um tanto ou quanto desinspirada.

O mesmo se aplica a um subplot em redor de Victor Polizzi (John Magaro), um manuseador de drones militares que fica assolado com um sentimento de culpa por um ato por ele cometido. Ainda que este subplot cumpra o seu dever de chamar à atenção das cicatrizes psicológica de uma guerra que já dura há muitos anos, fica a ideia de que esta se trata de uma adição superficial, que em nada adiciona para a trama principal.

Jack Ryan pode não ser uma série extraordinária, ou que reinvente o género de espionagem de uma forma surpreendente, mas com as temáticas exploradas, e acoplada com performances fascinantes, revela-se como uma série que, apesar dos seus defeitos, consegue entreter o público do início ao fim.

A série já conta com uma renovação para uma segunda temporada, com estreia marcada para 2019.

Estado da série: RENOVADA

0 78 100 1

78%
Average Rating

Após cinco filmes e quatro atores, Jack Ryan faz a sua estreia no formato televisivo através da Amazon. Uma série que, apesar de não reinventar a roda, consegue ser uma boa fonte de entretenimento.

  • 78%

Comments