Cinema Críticas

Crítica: Adrift (2018)

Título original: Adrift

Título: À Deriva

Realizado por: Baltasar Kormákur

Elenco: Shailene Woodley, Sam Claflin

Duração: 96 min.

Depois de uma história de sobrevivência no cume do Everest inspirado numa história real (Everest), Baltasar Kormakur permanece no mesmo caminho, mas com uma história de sobrevivência em alto-mar, também inspirada numa história real.

A insignificância do ser humano contra as forças da natureza. Insignificantes nós, meros bonecos castigados pela natureza por vezes inexorável, cruel e aleatória que nos faz naufragar de novo e de novo. Uma dessas quedas, é Adrift, essa odisseia marítima, baseada em fatos reais, apesar da sua textura ser, às vezes, quase improvável.

Tami Oldham (Shailene Woodley) e Richard Sharp (Sam Calflin) decidem navegar pelo Pacífico e vêem-se presos num terrível furacão. Após a passagem devastadora da tempestade, Tami acorda e descobre que o seu barco foi completamente destruído e Richard seriamente ferido. À deriva, e sem esperança de ser resgatada, Tami só pode confiar em si mesma para sobreviver e salvar a pessoa que ama.

Quando os poemas são transferidos para a tela, o sentimento é de não ter visto um filme, mas de ter entendido o próprio sentido da vida; de ter entendido, talvez, o significado final da nossa passagem pelo mundo. Isto ocorre com AdriftConhecendo o seu passado real, onde não há muitas possibilidades de inventar, Baltasar Kormakur atribuiu à nossa visão uma certa nostalgia.

Estamos em 1980. Um rapaz de 33 anos conhece uma jovem de 24 anos. O amor leva-os a ir pelo mundo, mas uma tempestade abominável sequestra as suas paixões. Uma contribuição positiva do filme é a sua narração cronológica, que não é linear, pois permite, desde o início, ver tudo o que acontece no presente e no futuro, exceto nos últimos minutos, o que leva a uma certa falência ao aproximar-se da realidade. Além disso, os fragmentos das suas vidas anteriores à tempestade são planos superficiais e impedem o seu relacionamento de parecer tão sólido quanto os diálogos suaves tentam acentuar. Mesmo assim, é um bom tributo para a sobrevivência e a força de espírito.

É um filme que não está perdido entre os caprichos de absurdas histórias paralelas ou personagens extravagantes, porque ataca finamente o próprio estômago da vida, com uma história de extrema sobrevivência. Ele move a sua narrativa precisa com apenas duas personagens e um cenário único que é a água imprevisível.

Adrift é filmado ao ritmo de uma música triste, onde duas personagens se encontram para desaparecer novamente. Mostra-nos um medo natural que é difícil não interiorizar; não é a solidão, nem o delírio, nem a infinita superfície azul do mar que cerca tudo, mas sim aquele limbo em que a total falta de proteção os torna infelizes. 

Mas o filme não seria tão excitante se não houvesse dois atores principais para levá-lo a esse ponto. Sam Claflin realmente se move como um homem apaixonado pelo mar e apoiando a sua alma gémea com todo o seu coração. Mas é Shailene Woodley quem quebra a tela como uma jovem determinada a não morrer no mar aberto. A atriz dá uma bela luz à sua personagem e torna-a credível em todas as suas ações. Especialmente uma Shailene Woodley que carrega todo o peso do filme com temperamento e calor, enquanto o frio prende os seus ossos.

Acabo assim de terminar esta crítica de Adrift, um filme em que o seu delicado romantismo acaba por se impor à terrível aventura real de sobrevivência sofrida. Certamente os corações românticos amarão mais do que os amantes de odisseias marítimas.

Trailer | Adrift

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