Cinema Críticas

Crítica: Alpha (2018)

Alpha

Realizador: Albert Hughes

Elenco: Kodi Smit-McPhee, Natassia Malthe, Jóhannes Haukur Jóhannesson, Leonor Varela, Mercedes de la Zerda, Morgan Freeman.

Duração: 96 min.

Alpha conta a história de Keda, um jovem caçador que vivia há cerca de 20,000 numa Europa ainda colonizada por mamutes, rinocerontes peludos e hienas que sobrevivem ao mais hostil e severo nevão. A tribo de Keda precisa de se alimentar e iniciam uma aventura em busca da “Grande Fera” (termo utilizado pelos próprios) que se assume como uma fonte de alimento imprescindível para a sua sobrevivência. O problema é que, durante a caçada, Keda fica ferido e é dado como morto assim que cai dum desfiladeiro. Ao contrário do que se pensava, estava vivo e agora precisa de regressar a casa. No caminho conhece um amigo canino de quatro patas que o tenta caçar e, ao ficar ferido no ato, em vez de o matar, Keda salva-o e, juntos, criam laços poderosos.

Alpha age como um veículo de compreensão de como a relação entre homem e cão surgiu. De facto, a intenção até se encontra no sítio certo, mas o resultado não foi propriamente o esperado. A narrativa de Alpha é linear, simples e poderia ser ainda mais viva e realista se não optasse por estar sistematicamente a testar os limites do possível e do credível.

Os laços que se forjam ao longo do filme entre humano e animal são adoráveis, mas pouco ou nada se tornam realistas quando o filme procura enaltecer precisamente os elementos da sobrevivência, criando um enredo secundário de proteção e interação animal que se torna quase forçado e desprovido de autenticidade. A dicotomia entre ser-se o “alfa” de uma tribo e o “alfa” de uma alcateia é testada penosamente quando o filme procura encontrar laços emocionais saídos de uma novela rasca da SIC.

Apesar de uma forte componente visual, sendo que a fotografia consegue ser vertiginosa a certo ponto, os exageros também acabam por dominar grande parte das cenas. É caso para dizer que Alpha é o resultado da “domesticação” de uma audiência que procura encontrar algo prazenteiro e com um mínimo de realismo, mas apercebe-se rapidamente que está a ver algo pretensioso e pomposo. Claro que há características positivas, para além de algum visual interessante, a banda sonora consegue romper nalguns momentos de forma bem aplicada, mas nada disto consegue tornar o filme naquilo que ambiciona ser.

Em suma, Alpha não é mais do que Hollywood a tentar imaginar uma origem do qual muito pouco sabe e procura incessantemente dar realismo a algo que se torna caricatural à medida que coloca o protagonista em situações quase impossíveis de sobrevivência.

Ainda assim, os efeitos sonoros ajudam a trazer alguma emoção, mesmo que não consigam resgatar o filme da sua mediocridade. Com uma mensagem que poderia ser matéria para criar uma empatia forte do espectador com o filme, Alpha acaba por sucumbir às suas ambições de se tornar demasiado melodramático e cliché.

Leiam a nossa crítica de Ant-Man and the Wasp aqui.

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