Castle Rock Frame by Frame TV

Castle Rock – 1×07/08 – The Queen/Past Perfect

castle rock

PODE CONTER SPOILERS!

Episódio número 7 de Castle Rock e não poderiamos ter uma surpresa maior. Ainda que a série esteja envolta num grande mistério e as teorias e perguntas não parem de ecoar na nossa cabeça, nesta hora tivemos direito a algo diferente. Focado em Ruth Deaver (Sissy Spacek) e intitulado The Queen, fomos completamente “atropelados” por um capítulo extremamente dramático e melancólico.

Podemos afirmar que é o melhor episódio até então e, talvez, um dos episódios mais fortes e incríveis dos últimos tempos em TV. Vamos caminhando entre vários momentos que já assistimos em momentos de capítulos anteriores da mulher e vemo-la voltar a eles, numa espécie de espiral na sua mente. Já sabemos que ela usa as peças de xadrez oferecidas pelo seu companheiro Alan (Scott Glenn) para perceber onde é o seu presente, mas aqui elas assumem um papel de maior destaque.

Vamos descobrindo mais sobre o seu casamento e aquilo que realmente era o falecido marido Matthew (Adam Rothenberg). Este, deixou-se levar pela obsessão religiosa e praticava vários abusos para com a esposa, assim como para o filho, que tentava fazer ouvir a voz de Deus, tal como ele. É ainda de cortar o coração assistir à cena em que Alan lhe pede para fugir com ele e esta fala para si mesma no passado, implorando-lhe para o fazer.

 O passado vai sendo desconstruído até esta olhar para o Miúdo (Bill Skarsgard) e vê-lo como o ex-marido. Aqui, percebe que precisa livrar-se dele para conseguir seguir em frente, algo que o neto a fez perceber. Começa então um crescendo de tensão que vai aumentando, deixando-nos com os nervos à flor da pele, enquanto Ruth tenta fugir do passado e do intruso. Tudo culmina quando ela o consegue ferir com uma ferramenta e, ao descobrir finalmente onde estão escondidas as balas da arma, dispara.

O choque final é quando se apercebe que não foi o rapaz mistério o atingido, mas sim o amor da sua vida, Alan. A cena deste a morrer nos braços da mulher é do mais triste que pode haver e conseguem tornar tudo ainda mais doloroso quando, num regresso ao passado, vemos este regressar à vida dela e a matriarca Deaver pede-lhe para ficar com ela. Impossível não nos emocionarmos com tudo isto.

Sissy Spacek leva o episódio às costas e é notável. Das expressões à maneira como nos consegue transmitir cada estado de espírito daquela mulher, merece sem dúvida todo o reconhecimento que pode haver. Apoiada por um Scott Glenn, que demonstra que velhos são os trapos e impressiona a cada cena em que entra e, por um Skarsgard que assusta cada vez mais, numa performance suprema.

A fotografia, os pormenores e a maneira como a edição faz o trabalho de nos contar este pequeno pedaço daquela mulher sofrida, enquanto nos conseguem fazer chegar a temática do Alzheimer e da violência doméstica de uma maneira tocante e acertada. Sem palavras.

Já no capítulo seguinte, Past Perfect, voltamos à vibe que Castle Rock nos tinha habituado até aqui e confesso que foi dos meus favoritos. Assistimos ao regresso de uns personagens já conhecido nosso. Lembram-se daquele casal que foi ver a casa de Lacy e Molly teve de explicar o porquê de ter as cinzas do falecido no frigorifico? Pois, eles decidiram mesmo adquirir a casa e as intenções que têm para com ela são macabras. Uma Bed & Breakfast onde as pessoas poderão viver a experiência dos crimes mais macabros da cidade.

Estes acabam por entrar no porão trancado da casa e a surpresa é geral: quadros do rapaz preso pelo antigo dono da casa e mais tarde vemos que foram pintados por este. O pior é que o casal é mais assustador do que parece e, depois de receberam as primeiras visitas, acabam por fazer delas suas vítimas.

O terror neste episódio está presente quase do início ao fim mas o clímax é quando Henry decide descobrir o que há no porão, entrando na casa. Surpreendido pelos novos donos, quase é morto, acabando por ser salvo por Jackie (Jane Levy) que ganha o título de heroína aqui.

Do outro lado da história, voltamos ao local onde tinhamos ficado no episódio 6. Henry Deaver (André Holland) foi preso dentro de uma máquina, supostamente para ouvir a voz de Deus. Salvo pela amiga, Molly (Melanie Lynskey), regressa a casa extremamente preocupado com o filho. Acaba por descobrir que Alan foi morto pela mãe e que o Miúdo continua por ali. As peças parecem começar a encaixar mas as dúvidas são mais que muitas, principalmente depois do rapaz enjaulado lhe dizer que têm de voltar à floresta e, depois da nega de Deaver, afirmar algo como: “Eu esperei 27 anos. Salvei-te do porão e nunca pedi nada disto“. Como assim? Preciso tanto de respostas!

Se o nosso coração já estava aos saltos até aqui, eles não nos poupam e acertam-nos em cheio com uma revelação no final. Depois de umas visões estranhas, Molly decide ir a casa de Henry procurá-lo mas ao ver a sua casa da infância aberta, decide entrar, dando de caras com o Miúdo. Este acaba por lhe contar algumas coisas quase impossíveis dele saber e quando questionado com um “Como sabes tudo isso?“, ele responde: “Porque eu estava lá. Quando tu morreste ali”, apontando para a floresta.

Confesso que o meu cérebro deu nó. Molly está morta? Há quanto tempo? Faltam dois episódios para terminar e eu preciso de saber coisas, porque está difícil. A série parece ter o seu puzzle muito bem montado e acredito que as duas horas que faltam vão ser de loucos! Mal posso esperar.

Leiam o Frame by Frame anterior, aqui.

0 94 100 1
94%
Average Rating

Faltam dois episódios para Castle Rock terminar e eu preciso de saber coisas, porque está difícil. A série parece ter o seu puzzle muito bem montado e acredito que as duas horas que faltam vão ser de loucos!

  • Castle Rock - 1x07 - The Queen
    96%
  • Castle Rock - 1x08 - Past Perfect
    92%

Comments