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Sharp Objects – 1×07/08 – Falling/Milk

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PODE CONTER SPOILERS!

E chegamos aos últimos dois episódios de Sharp Objects, a mais recente minisérie da HBO que conquistou tudo e todos aos poucos. Com vibes de True Detective e Amy Adams na liderança do elenco, tinha tudo para dar certo. Será que aconteceu?

A penúltima hora, intitulada Falling, traz-nos algumas revelações que sempre estiveram presentes, mas que acabaram por nos passar ao lado. Que Adora (Patricia Clarkson) era completamente obcecada pelas filhas já sabiamos, agora que isso era algo patológico já não. Ainda que nunca tenha ouvido falar desta doença, o que é certo é que ela existe. Síndrome de Munchhausen. Isto traduzido por miúdos, é basicamente quando alguém inflige dor e doenças a si mesmo, com o intuito de chamar a atenção.

Agora e Síndrome de Muncchausen por Procuração? Exatamente. Quando alguém arranja maneira de deixar uma pessoa doente só para poder cuidar dela e ao mesmo tempo, ser visto como cuidador. Foi o que a matriarca fez com Marian e agora está a fazer o mesmo com Amma (Eliza Scanlen). O trio principal é de uma qualidade extrema e oferece-nos performances inesquecíveis, com um lado emocional quase visceral, cru. É de aplaudir.

Tudo isto que descobrimos sempre esteve lá este tempo todo mas nós, tal como a polícia local, não vimos e quisemos deitar as culpas àqueles que pareciam mais óbvios, como John Keene (Taylor John Smith).

Este sabe que será preso e está escondido para gozar uns últimos momentos de liberdade. Camille acaba por encontrá-lo e as cenas entre os dois são maravilhosas. O texto, a interpretação… tudo resulta e culmina numa cena de sexo entre os dois, que ainda que não fosse assim tão surpreendente, nos deixa com o coração nas mãos, principalmente depois de serem apanhados por Richard (Chris Messina) e, acredito que agora, já não exista volta a dar na relação do detetive e da jornalista.

Depois de o episódio terminar com Camille a chegar a sua casa, depois das suas suspeitas sobre a mãe ganharem outro peso, no último capítulo, Milk, voltamos quase à estaca zero. A jornalista decide ver até onde vai a sua mãe e deixa que esta cuide de si, que é como quem diz, a envenene. Adora está no paraíso, tem as duas filhas ao seu cuidado. O que me deixa melindrado é, sem dúvida, Alan (Henry Czerny). Que este era cúmplice da mulher já era percetível, mas ser apenas isso, quando sempre nos deixaram na expetativa que fosse mais, faz-me sentir enganado.

Tudo termina com a descoberta do assassinato da filha Marian, assim como suspeita de matar as duas miúdas de Wind Gap e, ainda que neste momento já não seja chocante, é extremamente bem orquestrado e a tensão vai aumentando. As duas irmãs, já completamente sem forças, serem resgatadas da mãe, falsa cuidadora é quase poético. Bendito Frank Curry (Miguel Sandoval), que é maravilhoso no papel de chefe e protetor da protagonista. O perigo mora muitas vezes, dentro de casa e aqui mais do que nunca.

Quando pensávamos que já tudo tinha terminado, o último minuto de Sharp Objects vem mudar tudo. Somos completamente esbofeteados com o plot twist que aqui acontece, que eu prefiro não revelar aqui, para não estragar a série a ninguém. Isto, aliado a cenas pós- créditos, tão rápidas mas tão acertadas, tornam o final da série uma das melhores experiências do ano.

Da realização de Vallée, a fotografia que nos deixava sem fôlego, os flashbacks que eram quase uma personagem da série de tão necessários que se revelaram, até à própria cidade de Wind Gap, que parecia ter vida própria, a adaptação para o pequeno ecrã e não para o cinema foi a melhor escolha. Aqui houve tempo para não deixar nada escapar, para que as dúvidas e a tensão se criassem e existissem dentro de nós, público. Mas, acima de tudo, tivemos cerca de oito horas para assistir ao trabalho digno de todos os prémios de Amy Adams, assim como de descobrir a grande revelação do ano, Eliza Scanlen, que é para lá de suprema durante todos os minutos.

A HBO sabe exatamente o que quer oferecer e quem contratar para o fazer e, esta minisérie é mais um desses exemplos, tornando-se talvez, uma das melhores séries do ano para quem tem o prazer de a assistir.

Ah! Só mais uma coisa…

“Não contem à mamã!”

Podem ler o nosso Frame By Frame anterior aqui.

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A HBO sabe exatamente o que quer oferecer e quem contratar para o fazer e, Sharp Objects é mais um desses exemplos, tornando-se talvez, uma das melhores séries do ano para quem tem o prazer de a assistir.

  • Sharp Objects - 1x07 - Falling
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  • Sharp Objects - 1x08 - Milk
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