Better Call Saul Frame by Frame TV

Better Call Saul – 4×04 – Talk

Better Call Saul

CONTÉM SPOILERS!!!

Falar. Esta é uma técnica fundamental da raça humana. É o que nos leva a troca de ideias, de “bater o papo” com quem nos é mais próximo, de desabafarmos com a alma que nos está mais próxima. Este episódio de Better Call Saul pode não ter concentrado as suas atenções nas conversas em si, mas ao mesmo tempo, mostra-nos quatro peças centrais da série que não estão nem para aí viradas para conversas e que estão alheias ao que está a acontecer à sua volta.

Jimmy (Bob Odenkirk) aceita um trabalho numa cadeia de venda de telemóveis. No entanto, este não aceita o trabalho como parte do seu objetivo de “aguentar um ano até ter de volta a sua licença de advogado”, mas para evitar ter de partilhar as suas dores com um psicólogo. Este segmento, em que aceita o posto de uma loja sem qualquer tipo de clientela, pode ter sido um dos momentos mais parados do episódios, mas acaba por subverter as nossas expectativas com Jimmy a fazer um golpe publicitário e, desta forma, angariar clientes para a sua loja. Isto pode levantar ainda mais questões do que respostas, mas considerando o conteúdo da publicidade – que vai de encontro com o sentimento de liberdade vs. sentimento de segurança que vivemos atualmente – parece que os problemas para Jimmy só estão a começar.

Já Mike (Jonathan Banks) viu-se “obrigado” a falar no seio de um grupo de apoio (que pouco ou nada sabemos sobre). No entanto, contrastando com Jimmy, Mike tem algumas palavras duras para colocar, ainda que pouca gente esteja pronta para as ouvir. E vimos isso no seu momento alto da temporada (até agora), em que o geralmente reservado Mike perde as “estribeiras” e expõe um dos membros do grupo. Uma ação que poderá levar à inevitável alienação da sociedade de Albuquerque e que o levará para a colaboração “ativa” com Gus (Giancarlo Esposito) que vimos em Breaking Bad.

Do outro lado do espectro, temos Nacho (Michael Mando) que, manipulando os irmãos Marco e Leonel Salamanca (Luis MoncadaDaniel Moncada, respetivamente), desencadeia um conflito com o cartel dos Espositos. Better Call Saul pode ser uma série ligeiramente mais leve que a sua “irmã mais velha”, mas não deixa de mostrar alguns sinais de violência de vez em quando (e vimos isso em pleno nesta temporada nos primeiros três episódios). E o conflito entre os cartéis ilustrou essa sensação de perigo iminente, ainda que não tenhamos testemunhado a carnificina. Bastou vermos Nacho, ainda ferido, a tentar ajudar os Salamanca, para termos a ideia da dimensão do perigo. Tudo por causa de um estratagema de Gus que pode muito bem ter colocado Nacho com a cabeça a prémio. Quem sabe, ele poderá sair vivo desta temporada, mas como as coisas estão delineadas, as coisas não estão favoráveis para este “soldado-raso”.

Já Kim (Rhea Seehorn) encontra-se à nora, por assim dizer. Depois de dois episódios em que a personagem teve direitos a reações genuínas (e grande parte desse apreço vem com as capacidades inegáveis de Seehorn), esta semana tivemos outra visão mais simplificada. Cada vez mais dividida e sem chão, Kim procura uma maneira de se colocar ao serviço, ainda que, para tal, se infiltre num tribunal em busca de casos. Ainda que tenha ouvido um “sermão” de um dos juízes do tribunal, parece que Kim continuará sedenta de se sentir prestável, de voltar a encontrar a paixão pelo Direito que se perdera há algum tempo.

Podem ler o nosso Frame By Frame anterior aqui.

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Um episódio, quatro perspetivas diferentes, sem muitas palavras. Assim foi mais um episódio de Better Call Saul.

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